Crítica | ‘Atentado ao Hotel Taj Mahal’ traz uma importante mensagem para os dias atuais

Baseado em terríveis atentados terroristas que ocorreram na região de Mumbai em 2008, na Índia, em Atentado ao Hotel Taj Mahal (Hotel Mumbai) acompanhamos a jornada de um coletivo de pessoas, economicamente, socialmente e culturalmente diferentes, unidas pela sobrevivência e esperança.

Entre os que lutam pela sobrevivência estão o renomado chef Hemant Oberoi (Anupam Kher) e o garçom Arjun (Dev Patel), que escolhem arriscar suas vidas para proteger as demais vítimas. Em meio ao caos, um casal de hóspedes (Armie Hammer, Nazanin Boniadi) se vê forçado a lutar por pelas suas vidas e de seu filho recém-nascido.

Aqui temos uma trama que dá foco a situação, nos apresenta cada personagem baseado em sua esfera cultural e econômica, nos mostra o ambiente principal da trama e desenvolve com maestria o desenrolar e o desenvolvimento de cada personagem e sua relação com o todo.

Por mais que Hotel Taj Mahal seja um filme baseado em fatos, isto é, compromissado com eventos reais, o gênero que melhor o classifica é o social thriller; não que o filme carregue liberdades poéticas em excesso, acredito até ser o oposto, mas o fato é que os problemas econômicos, os diversos tipos de opressão, discriminação e a violência simbólica é o que toma a frente aqui.

Vale ressaltar também que Hotel Taj Mahal não é um filme para todo mundo, a violência física e a crueldade choca e perdura durante todo o filme. Ele nos brinda com um suspense de tirar o folego, com cenas de fazer o espectador prender a respiração. Mas não é uma violência “por diversão” ao estilo Tarantino, a carga psicológica que ela traz pode trazer um “bom” mal-estar em pessoas mais sensíveis.

Em termos técnicos temos a ótima direção de Anthony Maras, que sabe captar o melhor de seus atores, consegue dirigir cenas de ação com lucidez e transparência, e não peca na hora de transmitir ao público as emoções psicológicas. Confesso nunca ter visto nenhum filme deste diretor, me atentarei a partir de agora.

Para não deixar as atuações de fora, vale ressaltar de cara que todos fazem um ótimo trabalho; Dev Patel, a estrela maior do filme, não ganha o destaque de sempre, devido ao fato de o filme estar sempre focado nas situações em vez de nos embates psicológicos individuais, sendo assim, o filme consegue dar grande destaque para atores pouco conhecidos e não se faz refém do capital simbólico das estrelas.

Atentado ao Hotel Taj Mahal é um filme brutal, seco, cruel, mas que tem sua boniteza. Obras que se concentram em situações e/ou em ambientes como trens ou hotéis por exemplo, são ótimos em criar no ambiente um símbolo para a nossa sociedade como um todo, sendo assim conseguem explorar os diferentes arquétipos e estigmas sociais que são impostos nas pessoas através da cultura e de ideologias.

Filmes desse estilo geralmente conscientizam opressões, nos fazem refletir sobre como chegamos a estas situações ou simplesmente satirizam a nossa sociedade (crítica dos costumes que geralmente chega em filmes de comédia). Hotel Taj Mahal é sobretudo um filme simbólico, que elucida sobre problemas sociais, mostra como as diferenças muitas vezes podem nos unir, mostra como mesmo estando à beira da morte, pessoas lutam por um mundo melhor, agindo como se ele estivesse em uma boa situação; é um filme que mantem as esperanças, é mostra que pode ser possível.

Atentado ao Hotel Taj Mahal é um filme reflexivo, sem uma resposta final clara para a trama principal; mesmo mostrando atrocidades, nem os terroristas são demonizados (mas também não são vitimados). É um filme que joga o problema na mão do espectador, mostra que o terror pode estar dentro de cada um de nós, deixando a reflexão: Quanta discriminação em um mundo de imperfeitos!

ATENTADO AO HOTEL TAJ MAHAL | HOTEL MUMBAI
5

RESUMO:

Atentado ao Hotel Taj Mahal é um filme visceral e tenso, mas que encontra beleza em seu conteúdo e passa uma importante mensagem.

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Matheus Amaral

Formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.