Crítica | Apesar da artificialidade, ‘Alguém Especial’ pode agradar como comfort movie

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3
On 25 de abril de 2019
Last modified:24 de abril de 2019

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“Quando algo se quebra, se os pedaços forem grandes o bastante, dá pra consertar. Infelizmente, ás vezes as coisas não se quebram, se estilhaçam. Mas, quando deixamos a luz entrar, o vidro estilhaçado brilha.” Alguém Especial

O término de um relacionamento já é tema antigo no cinema, principalmente nos filmes feitos para jovens adultos que volta e meia abordam a temática como por exemplo 500 Dias Com Ela. Em Alguém Especial, novo filme da Netflix, não é diferente. Uma jovem que beira os 30 anos, vive o fim do relacionamento a partir de lembranças e da tentativa de rever seu ex uma última vez. 

A jovem interpretada por Gina Rodríguez (Jane, the Virgin) trabalha como crítica musical e desde muito cedo possui um plano acerca de como quer traçar a sua carreira. Durante uma festa da faculdade Jenny Young conhece Nate Davis (LaKeith Stanfield), com quem passa nove anos junto. Ao receber uma proposta de emprego que a faz mudar de Nova York para Califórnia, Jenny irá começar uma nova fase em sua vida, entretanto sem o seu namorado. 

A premissa do primeiro filme escrito e dirigido por Jennifer Kaytin Robinson é simples, acompanhar Jenny e suas amigas interpretadas por Brittany Snow e DeWanda Wise enquanto as mesmas tentam ir a uma festa como forma de despedida da jornalista. As jovens que se encontram mais próximas do 30 do que dos 20 refletem acerca de sua juventude e como estão deixando cada vez mais essa fase para trás. Durante todo o longa são apresentas situações que fazem com que as mulheres se enxerguem nesse limiar entre o ser jovem e o ser velha. 

Bem como a protagonista, todas suas amigas passam por questões amorosas conturbadas. Uma delas está em um relacionamento duradouro, mas infeliz, enquanto a outra não consegue assumir um relacionamento sério com a pessoa com quem está envolvida. Apesar de estarem vivendo situações opostas, os conselhos de cada uma delas interfere positivamente na vida da outra. Da mesma maneira que as experiências pelas quais elas passam e as implicações destas em seus relacionamentos. A relação de cumplicidade entre as amigas é um dos pontos altos do filme, que traz situações reais para os diálogos das três personagens. 

O namoro entre Jenny e Nate é apresentado através de flashbacks, por meio de situações em que a protagonista apenas recorda de seu ex-namorado. As cenas são apresentadas de forma cronológica e são distinguidas do presente do filme por luzes neon nas cores vermelha e azul. Essas cores reforçam o tom onírico das mesmas, atribuindo a falta que a protagonista tem de estar com o até então, parceiro. 

Além da participação especial de RuPaul, os pontos altos do filme terminam aí. Os eixos de conexão entre as cenas do filme soam artificiais, bem como a proposta de traçar um paralelo da passagem entre a juventude e a vida adulta. Momentos aleatórios e superficiais integram o longa que cai no extremo clichê ao abordar a vida de jovens regadas a balada, bebedeira e drogas, utilizado não só como escapismo, mas como um personagem secundário que integra o longa do início ao fim. 

Jenny, Blair e Erin passam grande parte do filme alegando serem adultas, entretanto, algumas de suas ações mostram o contrário. O que explicita a difícil passagem entre os estágios do ser um jovem adulto e passar a integrar uma idade que é exigido maior responsabilidade e maturidade por parte da sociedade.  

Alguém Especial é um filme cheio de clichês e artificialidade, que agrada apenas ao abordar a amizade e o término palpável de um relacionamento. 

ALGUÉM ESPECIAL | SOMEONE GREAT
2.5

RESUMO:

Alguém Especial é um filme cheio de clichês e artificialidade, que agrada apenas ao abordar a amizade e o término palpável de um relacionamento.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.