Crítica | Game of Thrones 8×02: A noite dos reencontros e despedidas em ‘A Knight of the Seven Kingdoms’

Uma grande reunião com personagens dos mais diversos locais e núcleos. Assim foi o segundo episódio da oitava temporada de Game of Thrones, “A Knight of the Seven Kingdoms”. Se pudéssemos resumir o episódio em uma frase, seria essa, uma vez que o acontecimento que mais reverberou entre os fãs da série foi o encontro íntimo entre Arya e Gendry. Felizmente, tivemos mais do que isso.

Aqui, a falta de ação não pode ser totalmente compensada pela enxuta trama política, resumida a uma cena entre Sansa e Daenerys. Para compensar, tanto Emilia Clarke quanto Sophie Turner – impecável até aqui nesta temporada – entregaram ótimas atuações em uma cena recheada de nuances, expressões e pormenores.

Daenerys também esteve presente em outro ponto alto do episódio. A cena que mostra a tão aguardada conversa com Jon Snow na cripta de Winterfell só não foi melhor porque, pela segunda vez – a primeira vez foi justamente a conversa entre Dany e Sansa – a cena foi interrompida por algum acontecimento externo. Sendo assim, o recurso de roteiro evitou desfechos que poderiam desencadear contornos mais dramáticos. Em uma temporada onde se gastam duas horas para antecipar uma batalha iminente, isso seria adequado.

No entanto, David Nutter, que também dirigiu o primeiro episódio, retorna com um resultado superior a estreia da temporada, no que diz respeito as interações entre os personagens e ao trabalho dos atores. Muito por conta do roteiro inspirado de Bryan Cogman, capaz de criar diálogos e situações muito bem amarradas para nos despedirmos.

Sim, esse episódio dá o tom de uma despedida calorosa, como a lareira do salão em que Brienne, Jaime, Tyrion, Podrick e Tormund conversam. Um humor melancólico, e ao mesmo tempo, uma oportunidade de passar uma hora com esses imperfeitos personagens que estaremos deixando na Batalha de Winterfel. Ou pelo menos parte deles.

Analisando amplamente, estes personagens estiveram em vários locais, vivendo jornadas distintas em dramas diversos. Winterfell é o ponto de convergência dessas jornadas, um local onde cada um deles se encontra, agora, totalmente diferente de como iniciou o programa. Tente lembrar da primeira temporada e da segunda temporada, e analise personagens como O Cão, Samwell Tarly, Jorah Mormont e até os próprios Lannister. Lembre-se de como você odiava alguns deles, e agora provavelmente simpatiza.

Um terço da temporada se passou, o que nos lembra imediatamente que só restam quatro episódios para o fim de toda a série. Game of Thrones sempre teve o cuidado ao desenvolver bem seus personagens (pelo menos nas primeiras temporadas) e esse início de temporada enfatiza isso. No entanto, “A Knight of the Seven Kingdoms” não deixa de soar como mais um prelúdio para o que realmente interessa e o que na realidade nós queremos ver. Mas, sejamos justos: talvez essa tenha sido a intenção. O que não justifica totalmente.

É óbvio, Arya Stark assumindo sua humanidade (confira a opinião de Maisie Williams sobre isso) e se permitindo ter uma possível última noite entregue aos instintos reforça a sensação de que a série é, também um estudo desses personagens. O senso de lealdade e gratidão presente na linda cena entre Brienne e Jaime assume de vez essa característica. Nenhum deles é, hoje, o que foi no começo.

Mas, para quem está ávido pelo desfecho desses oito anos, a sensação de enfado pode ser real; a ação, a fantasia, os jogos políticos, essa mescla é Game of Thrones em sua essência. No fim das contas, “A Knight of the Seven Kingdoms” é um episódio que aquece o coração e nos prepara para o pior. Mas, nada mais do que isso.

Ultimas palavras

* Aegon Targaryen. Jon Snow revelou sua verdadeira identidade, e a essa altura, Dany não se importa se está apaixonada pelo sobrinho ou não: ela se preocupa com a legitimidade do Trono de Ferro. Tudo conforme imaginávamos, mas com os White Walkers no encalço, isso ficará pra depois. Se houver depois. Porém, sua contestação é palpável: as fontes de Jon são seu irmão e o melhor amigo.

* É comovente a cena entre Davos e Gilly. Liam Cunningham e Hannah Murray entregam o necessário para uma cena singela e poética.

* A reunião entre Sam, Ed e Jon é um dos alívios cômicos mais legais de todo o episódio. Afinal de contas, com a chegada da morte, você teria o mesmo senso de humor dos rapazes?

* “As coisas que fazemos por amor.” A frase de Bran Stark coloca uma expressão impagável no rosto de Nikolaj Coster-Waldau. Apenas não parece muito palpável que Jon tenha confiado tão facilmente o irmão aos homens de ferro no plano contra os mortos. Soou preguiçoso, dada a importância do personagem.

Brienne de Tarth muitas vezes teve sua jornada inferiorizada devido aos acontecimentos da trama. Porém, recebeu um tratamento à altura de sua honra e lealdade. E de Gwendoline Christie, que mostrou uma sensibilidade incrível e entregou uma cena perfeita.

* Se você não reparou, Fanstasma, o Lobo de Jon Snow, reapareceu. Apenas para nós constatarmos que ele ainda está ali, nada demais. Mas, não houve melhor momento do que colocá-lo no mesmo quadro dos integrantes da Patrulha da Noite.

* Por fim, não menos importante: Tormund Giantsbane. Se esse cara não te faz rir, o que mais fará?

GAME OF THRONES 8X02 - THE KNIGHT OF SEVEN KINGDOMS
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RESUMO:

Em mais um episódio de organização, Game of Thrones oferece uma despedida calorosa aos personagens, mas apresenta mais uma hora frustrante em relação a ação.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...