Festival de Cannes 2019 | A diversidade cultural na presidência das mostras

Como todos os anos, o Festival de Cannes abre a temporada dos grandes festivais de cinema, diferente de Sundance, que apesar de ocorrer no mês de janeiro, abarca apenas o cinema independente.

O festival que ocorre entre os dias 14 e 25 de maio deste ano, começa a se formar a partir do corpo de profissionais que presidirão as mostras e seções desta temporada. O maior e mais importante festival de cinema abrange uma vasta gama de países, não apenas com filmes das mais diversas originalidades, quanto ao público que passa a frequentar a cidade Francesa durante o período, bem como cineastas e artistas de todo o mundo. Como não poderia ser diferente, os mais diversos júris do festival possuem também uma grande diversidade de nacionalidade.

Em 2019, a Competição Oficial, formada pelos filmes que disputam o maior prêmio do festival, a Palma de Ouro, será presidida pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (foto). O vencedor do Oscar de Melhor Direção por Birdman (2014) e O Regresso (2015) é o primeiro de sua nacionalidade a presidir o Festival, entretanto, sua passagem por Cannes já em antiga. Em 2000 Iñárritu venceu o Grande Prêmio da Semana da Crítica com Amores Brutos. Em 2006 concorreu à Palma de Ouro com Babel e saiu do Festival com o prêmio de Melhor Direção pelo filme.

Na mostra Um Certo Olhar, segunda mostra mais importante do festival que costuma premiar filmes atípicos e cineastas pouco conhecidos, estará Nadine Labaki, vencedora do Prêmio do Júri em 2018 por Cafarnaum. Indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2019, Labaki tornou-se a primeira mulher de origem libanesa a ser indicada na categoria, além de ter sido a única mulher lembrada na categoria em sua última edição. Antiga presença no festival, a diretora já esteve na seção Quinzena dos Realizadores com seu filme de estreia Caramelo (2007) e na mostra Um Certo Olhar com E Agora Onde Vamos? (2011).

Nadine Labaki durante as gravações de “Carfanaum” (2018)

O júri da seção de Curtas-metragens em competição e do Cine-fundação de Cannes será presidido pela cineasta francesa Claire Denis. A diretora que atualmente está trabalhando em seu novo filme High Life, estrelado por Robert Pattinson, já esteve em Cannes anteriormente. Em 1988 disputou pela Palma de Ouro com Chocolate, em 2013 esteve na mostra Um Novo Olhar com Bastardos e em 2018 venceu o Prêmio SACD (Society of Dramatic Authors and Composers) na Quinzena dos Realizadores com o filme Deixe a Luz do Sol Entrar, estrelado por Juliette Binoche. O filme de Denis dividiu o prêmio com o longa O Amante de Um Dia, de Philippe Garrel.

O diretor Ciro Guerra ficou responsável pela seção paralela Semana da Crítica. Um dos diretores colombianos mais consagrados da atualidade, foi indicado ao Oscar em 2017 com Abraço da Serpente e esteve presente na última edição do festival com o longa Pássaros de Verão, codirigido por Cristina Gallego.

A seção paralela foi criada em 1962 pelo Sindicato Francês de Crítica de Cinema, sendo seu foco o descobrimento de novos talentos, principalmente daqueles que estão em seus primeiros ou segundos filmes. Os filmes que irão compor a Semana serão revelados no dia 12 de maio, entretanto, já foi apresentado quem irá compor o júri com o presidente: a atriz britânica Amira Casar (Me Chame Pelo Seu Nome), a produtora dinamarquesa Marianne Slot (Uma Mulher em Guerra), a crítica congolesa Djia Mambue e o cineasta italiano Jonas Carpiggiano (A Ciambra).

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.