Dos 64 diretores já confirmados no Festival Cannes, apenas 13 são mulheres; conheça as cineastas

Não é de hoje a luta por mais diretoras no Festival de Cannes. Como de costume, em 2019 o número ainda é pequeno se comparado ao número de diretores na competitiva. No total, 51 diretores competem no Festival, enquanto apenas 13 mulheres cineastas estão presentes.

São 13 o número de cineastas que integram a 72ª Edição do Festival de Cannes. Quatro integram a Seleção Oficial do Festival. Um avanço comparado aos anos anteriores, já que a última vez que isso aconteceu foi em 2011.

Em 2018 foram 3 de 21 filmes na competição; em 2017, 3 de 19 filmes; em 2016, 3 de 21 filmes; em 2015, 3 de 19 filmes; em 2014, 2 de 18 filmes; em 2013, apenas 1 de 20 filmes; em 2002, 0 de 22 filmes; e em 2011, 4 de 20 filmes. 

Leia mais: Confira os filmes selecionados para o Festival de Cannes 2019.

Veja abaixo as diretoras que estão na luta pela Palma de Ouro em 2019.

Seleção Oficial 

“Atlantique”, de Mati Diop


Com 36 anos, a francesa Mati Diop está pela primeira vez em Cannes, mas já é conhecida de outros grandes festivais. Em 2011 concorreu ao Queer Lion no Festival de Veneza com seu curta Snow Canon. A diretora já possui seis filmes, sendo Atlantique o seu primeiro longa depois de Mille Soleils, um documentário sobre seu tio, o diretor senegalês Djibril Diop Mambéty, fundindo documentário e fantasia. Diop é a primeira diretora negra a ter um filme estreando na Seleção Oficial de Cannes.


“Little Joe”, de Jessica Hausner


A austríaca de 46 anos retorna a Cannes pela quarta vez. Em 1999 venceu o Prêmio de Menção Honrosa no Cinefondation com Interview, concorreu ao Un Certain Regard em 2001 com Lovely Rita, em 2004 com Hotel e em 2014 com Amour fou. Essa é a primeira vez que a diretora é indicada a Palma de Ouro. Em 2009 venceu os Prêmios FIPRESCI, SIGNIS, Sergio Trasatti e Brian no Festival de Veneza com o longa Lourdes, estrelado por Sylvie Testud e Léa Seydoux.


“Portrait de la jeune fille en feu”, de Céline Sciamma


A francesa Céline Sciamma, de 40 anos, foi pupila do diretor Xavier Beauvois enquanto cursava cinema na faculdade La FémisA estreia de seu primeiro filme na direção ocorreu no Festival de Cannes em 2007 na mostra Um Certo Olhar, onde concorreu pela Câmera de Ouro. Lírios d’água além de ser sua estreia como cineasta foi também o ínicio da parceria entre Sciamma e Adèle Haenel, companheira da diretora e protagonista de seu novo longa. Céline é mais conhecida pelos seus filmes Tomboy (2011) e Girlhood (20014).


“Sibyl”, de Justine Triet 


Mais uma francesa foi escolhida para compor a Seleção Oficial. Triet, aos 40 anos, terá um filme exibido pela primeira vez no festival, entretanto já esteve na Berlinale onde venceu o European Short Film com seu curta Vilaine fille mauvais garçon (2012). Conhecida pelas comédias, Triet também dirigiu e escreveu La bataille de Solférino (2013) e Na Cama com Victoria (2016).


Un Certain Regard

Na mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard), seis filmes dirigidos por mulheres integram a seleção composta até então por 16 longas. Em 2018, foram 8 de 18 filmes; em 2017, 5 de 18; em 2016, 4 de 18; em 2015, 4 de 19; 2014 (5/19), 2013 (8/18), 2002 (3/20) e 2011 (2/21). 

“Adam”, de Maryam Touzani 

A diretora, roteirista e atriz de 39 anos, nascida em Marrocos, estreia em Cannes com seu primeiro longa, tendo feito antes apenas os dois curtas Aya wal bahr (2012)Quand ils dorment (2015) e roteirizado o filme Primavera em Casablanca (2017). Em 2018 a diretora esteve no Brasil para promover o filme Primavera em Casablanca, no Festival Varilux de Cinema Francês, e em entrevista ao site Mulher no Cinema, afirmou que ter uma boa referência de empoderamento, em uma sociedade patriarcal, é essencial, por isso: “Acho que as mulheres podem se inspirar ao ver outras mulheres defendendo seus direitos. Para mim, escrever personagens assim é crucial.”


“A Brother’s Love”, de Monia Chokri

A diretora e atriz quebequense de 35 anos, dirigiu seu primeiro filme em 2013, o curta Quelqu’un d’extraordinaire.Brother’s Love é seu segundo filme e marca sua estreia no Festival. Chokri é conhecida do público por atuar em filmes do diretor Xavier Dolan, que também estará presente no Festival. Em Amores Imaginários (2010) divide a cena com o diretor, e pode ser vista também em Laurence Anyway (2012).


“Bull”, de Annie Silverstein 


Formada na Universidade do Texas em Austin, Silverstein já é veterana de Cannes. Esteve lá pela primeira vez em 2014 com o curta Skunk, onde venceu o prêmio de primeiro lugar no CinefondationEla co-fundou e atuou como diretora artística na Longhouse Media, uma organização indígena de artes sediada em Seattle. Por seu trabalho lá, Annie recebeu o Prêmio National Association for Media Literacy por contribuições na área. 


“Papicha”, de Mounia Meddour 


Nascida e criada na Argélia, Meddour, se mudou aos 18 anos com sua família para a França ao receber ameaças de morte durante a Guerra Civil no país. Lá estudou jornalismo e cinema, estreando na direção e no roteiro em 2011 com o documentário Cinéma algérien, un nouveau souffle. Em 2012, escreveu e dirigiu o curta Edwige e em 2019 fez seu primeiro filme live action Papicha. No filme, Nedjma é uma jovem estudante de espírito livre e independente, que se recusa a permitir que os trágicos eventos da Guerra Civil da Argélia a impeçam de experimentar a vida normal de uma jovem mulher. Entretanto descobre que seu comportamento apolítico é considerado uma forma de insurgência.


“Port Authority”, de Danielle Lessovitz 


A diretora e roteirista americana é co-autora de Mobile Homes (2007) que estreou em Cannes na mostra Quinzena dos Realizadores. Dessa vez retorna com um filme escrito e digirido pela mesma, em Port Authority uma história de amor ambientada em Nova York, segue Paul, um centro-oeste de 20 anos, que chega à estação central de ônibus e rapidamente chama a atenção de Wye, uma garota de 22 anos na calçada. Depois que Paul a procura em segredo, um intenso amor entre eles floresce. Mas quando Paul descobre que Wye é trans, ele é forçado a confrontar sua própria identidade e o que significa pertencer


“The Swallows of Kabul”, de Zabou Breitman & Eléa Gobé Mévellec 


A atriz francesa de 59 anos Isabelle Breitman, também conhecida como Zabou Breitman juntamente com Eléa Gobbé-Mévellec, dirigem a única animação confirmada no Festival, até o momento. O filme se passa no Verão de 1998, Cabul em ruínas é ocupada pelos talibãs. Atiq e Mussarat estão casados há muitos anos e quase não falam mais um com o outro. Ele não apoia sua vida como guarda de prisão para mulheres. Ela, sofrendo de uma doença incurável, está em agonia. Mohsen e Zunaira são jovens, eles se amam profundamente, apesar da violência e da miséria cotidiana, eles querem acreditar no futuro. Um movimento insensato de Mohsen transformará seu destino em tragédia.


 Sessões especiais 

“Share”, de Pippa Bianco 


Em 2015 Pippa Bianco escreveu e dirigiu um curta chamado Share, nele uma estudante de Ensino Médio (Taissa Farmiga) retoma sua rotina após um vídeo explícito seu ser compartilhado por seus colegas e se espelhar pela escola. Em 2019 Bianco retoma a temática em forma de longa-metragem, dessa vez estrelado por Rhianne Barreto e Charlie Plummer (Lean on Pete). O filme foi exibido no Festival de Sundance e venceu o prêmio de U.S. Dramatic Special Jury Award para Rhianne Barreto e Waldo Salt Screenwriting Award para Bianco. Além de ter sido premiada no Palm Springs International Film Festival com o Diretores para Ficar de Olho. 


“For Sama”, de Waad Al Kateab, Edward Watts 


A diretora Waad Al-Kateab se tornou uma jornalista cidadã em 2011, depois que protestos eclodiram em toda a Síria contra o regime de Assad e em janeiro de 2016 ela documentou os horrores de Aleppo no Channel 4 News” em uma série de filmes intitulada Inside Aleppo”. Kateab recebeu quase meio bilhão de visualizações online e ganhou 24 prêmios, incluindo o 2016 International Emmy pela cobertura de notícias de última hora. Ela e sua família conseguiram deixar Aleppo em 2016. Em 2019, a documentárista lança For Sama, seu primeiro longa-metragem, juntamente com Edward Watts. Nele apresenta cinco anos de sua vida na cidade de Aleppo, que fica na cidade para lutar por uma Síria livre, ela se apaixona, se casa e tem uma filha, tudo enquanto documenta a terrível violência que a cerca.


Até o dia 14 de maio novas produções podem entrar para o Festival de Cannes, ficamos na torcida para ver mais filmes dirigidos por mulheres. 

Fonte: Women and Hollywood

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.