Festival de Cannes | Zumbis, máfia e Brasil: confira a seleção oficial da 72ª edição

Hoje (18) às 6 horas da manhã saiu a lista oficial dos filmes que irão competir pela Palma de Ouro na nova edição do Festival de Cannes. A 72ª terá início no dia 14 de maio e irá até o dia 25 do mesmo mês. Presidida pelo cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu, os filmes que compõem a Competição Oficial configuram novamente uma grande diversidade cultural. 

Até a abertura do Festival no dia 14 de maio, ainda poderão ser anunciados outros filmes que irão se juntar àqueles já selecionados. 

Veja a lista completa: 

SELEÇÃO OFICIAL

‘The Dead Don’t Die’, de Jim Jarmusch (abertura)

Confirmado anteriormente para abrir o Festival, o novo filme de Jarmusch conta a história de uma cidadezinha pacata, na qual uma série de crimes começam a chamar a atenção dos policiais Cliff (Bill Murray) e Ronald (Adam Driver). Depois de investigarem, descobrem que os seus piores medos se tornaram reais: o local está sendo tomado por zumbis, que voltaram para executar as atividades que faziam diariamente quando vivos. A nova parceria de Jarmusch e Driver (Paterson), além de Murray conta ainda com Selena GomezChloë Sevigny, Steve Buscemi, Tilda Swinton, Caleb Landry Jones, Danny Glover e Carol Kane.


‘Dolor y Gloria’, de Pedro Almodóvar

Um dos mais renomados diretores da atualidade retorna, após seu último longa Julieta (2016) que concorreu à Palma de Ouro, com o filme Dolor y Gloria, protagonizado por Penélope Cruz e Antonio Banderas. No drama, Banderas será um diretor de cinema em seus últimos anos de vida e carreira, revisitando lugares e pessoas de seu passado, angustiado pela própria dificuldade em criar novos filmes.


‘Il Traditore’, do italiano Marco Bellocchio

O diretor italiano já concorreu à Palma de Ouro em 1980, 1984, 1997, 2002 e 2009. Esse ano ele retorna a Seleção Oficial com um filme estrelado pela brasileira Maria Fernanda Cândido. Il Traditore conta a história de um dos mafiosos mais relevantes na história da Itália, Tommaso Buscetta (Pierfrancesco Favino). Ele foi também o principal informante da polícia em uma gigantesca operação que resultou em centenas de prisões que ajudaram a desmantelar a máfia italiana. Em meio a mortes, tráfico e ameaças, Tommaso viveu os dois extremos da lei, tornou-se conhecido por seus ex-companheiros como traidor e se refugiou no Brasil.


‘Nan Fang Che Zhan De Ju Hui’, de Diao Yi’ nan

O diretor chinês esteve em Cannes em 2008 com o longa Ye Che. Em 2019 ele retorna com um filme protagonizado por Ge Hu, nele o líder de uma gangue de motoqueiros decide fugir da guerra sangrenta entre gangues em que estava envolvido, conhecendo assim uma mulher que o entende perfeitamente, uma prostituta que daria qualquer coisa para recuperar sua liberdade.


‘Parasite’, de Joon-ho Bong

O diretor esteve presente na Competição Oficial de Cannes em 2017 com o longa da Netflix Okja, filme que levantou o debate sobre a presença da rede de streaming no festival. Em 2019 ele retorna com o longa Parasiteque aborda a estranha conexão entre duas famílias que são completamente opostas.


‘Le jeune Ahmed’, de Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

O novo filme dos irmãos Dardenne aborda a história de um adolescente belga que trama um plano para matar seu professor depois de abraçar uma interpretação extremista do Alcorão. Jean-Pierre e Luc já concorreram a Palma de Ouro sete vezes, vencendo em 1999 com Rosetta e em 2005 com L’enfant.


‘Roubaix, une lumière’, de Arnaud Desplechin

Vencedor do Prêmio SACD na Quinzena dos Realizadores com o longa Três Lembranças da Minha Juventude (2015), Desplechin retorna com o suspense francês, onde Daoud (Roschdy Zem) é o chefe de polícia da pequena cidade de Roubaix. Ele e seu mais novo assistente, Louis (Antoine Reinartz), recém-formado pela academia de polícia, precisam investigar as pistas relacionados ao assassinato brutal de uma idosa. Tudo indica que o crime foi cometido por suas vizinhas, Claude e Marie, duas amantes supostamente alcoólatras e viciadas. O elenco ainda conta com Léa Seydoux e Sara Forestier.


Atlantique, de Mati Diop

A atriz, figurinista e diretora francesa estreia seu sexto longa concorrendo pela primeira vez pela Palma de Ouro. No drama AtlantiqueAda é uma menina de 17 anos apaixonada por Souleimane, um jovem pedreiro que está trabalhando na construção de um prédio futurista à beira mar no subúrbio de Dakar, no Senegal. O único problema é que ela foi prometida para outro homem. Quando, certa noite, os trabalhadores desaparecem no mar, seus espíritos retornam possuindo o corpo de suas namoradas para buscar justiça. O filme conta com Binta Sane, Amadou Am, Ibrahima Traore.


‘Matthias & Maxime’, de Xavier Dolan

Filho do Festival de Cannes, o canadense Dolan volta com mais um longa dirigido, roteirizado e protagonizado pelo mesmo. O drama aborda a história de amigos que vivem o fim de seus vinte anos. O elenco ainda conta com Harris Dickinson (Ratos de Praia) e Anne Dorval (Mommy). Dos sete filmes dirigidos por Dolan, apenas dois não estiveram presentes em Cannes, sendo eles Tom na Fazenda (2013) e seu último longa The Death and Life of John F. Donovan (2018). Os outros cinco não apenas estiveram presentes no festival como também saíram todos premiados.


‘Little Joe’, de Jessica Hausner

A diretora austríaca esteve no Festival de Cannes com seu primeiro longa-metragem Interview em 1999 na mostra Cinéfondation, em 2019 ela volta com Little Joe. Na sinopse do filme, uma planta geneticamente modificada espalha suas sementes e parece causar mudanças incomuns nas criaturas vivas. Os aflitos parecem estranhos, como se fossem substituídos – especialmente para aqueles que estão próximos a eles. Ou é tudo apenas imaginação?


‘Sorry We Missed You‘, de Ken Loach

Ken Loach, vencedor da Palma de Ouro de 2006 com Ventos da Liberdade e 2016 com Eu, Daniel Blake, retorna com Sorry We Missed You. Filmado no Reino Unido, Bélgica e França, o longa conta a história de um homem que trabalha fazendo entregas e de sua esposa que, juntos, lutam para manter a família em equilíbrio no Reino Unido, um lugar onde há a valorização de empregos informais e precarização da vida moderna.


‘Les Misérables’, de Ladj Ly

O diretor nascido no Mali estará pela primeira vez no Festival com seu filme Les Misérables, uma versão estendida do curta de mesmo nome que dirigiu em 2017. Nele, Pento acaba de ingressar na brigada anticrime do Seine-Saint-Denis. Com seus companheiros de equipe, ele desenvolve métodos específicos para sobreviver.


‘A Hidden Life’, de Terrence Malick

 

RG-10_00660.NEF

 

Vencedor da Palma de Ouro em 2011 com Arvore da Vida, o norte-americano Malick retorna este ano com o drama de guerra Hidden Life. Com filmagens iniciadas em 2016, o filme intitulado anteriormente de Radegund retrata a vida do austríaco Franz Jägerstätter (August Diehl) um opositor da Segunda Guerra, condenado à pena de morte, sendo guilhotinado aos 36 anos, pelo Terceiro Reich em 1943.


‘Bacurau’, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

KMF esteve presente no Festival de Cannes em 2016 com o longa Aquarius, protagonizado por Sônia Braga. O filme fez um grande sucesso no festival, sendo Sônia lembrada posteriormente por diversos veículos de imprensa como uma das melhores performances do ano. Em 2019, Mendonça Filho retoma sua parceria com Braga em Bacurau, um longa de ficção cientifica que conta a história de um cineasta que ao realizar um documentário no interior do Brasil, descobre segredos dos moradores locais. O filme que estampou a capa da revista Variety em maio de 2017, era um dos mais esperados no festival.


‘The Whistlers’, de Corneliu Porumboiu

Escrito e dirigido pelo romeno Porumboiu, o longa Polícia, Adjetivo venceu o Prêmio do Júri na mostra Um Certo Olhar em 2009. Em 2015 venceu o Prêmio Um Certo Talento, também na mostra, pela sua magistral narração em O Tesouro. Em 2019 ele estreia com a comédia The Whistlers que acompanha um policial romeno que tem a missão de libertar um empresário desonesto da prisão, envolvendo o aprendizado da linguagem local codificada, conhecida como El Silbo.


‘Frankie’, de Ira Sachs

Protagonizado por Isabelle Huppert e Marisa Tomei, o filme do americano Sachs conta a história de três gerações de uma família que, em um dia de férias em Sintra, Portugal, enfrentam experiências que mudarão suas vidas pra sempre. Essa será a primeira vez do diretor no Festival de Cannes.


‘Portrait de la jeune fille en feu’, de Céline Sciamma


O drama histórico da diretora francesa acompanha Marianne (Noémie Merlant), uma jovem pintora que recebe a tarefa de pintar um retrato de Héloïse (Adèle Haenel) para seu casamento sem que ela saiba. Durante o processo, a pintora se apaixonada por sua modelo. Sciamma esteve no Festival em 2007 onde concorreu pela Câmera de Ouro e pelo prêmio Um Certo Olhar com o filme Lírios d’água. Em 2014 retorna à cidade francesa com o longa Girlhoold, onde concorria pela Queer Palm, prêmio voltado ao cinema LGBT. Céline compete pela primeira vez pela Palma de Ouro.


‘It Must Be Heaven’, de Elia Suleiman

Vencedor do Prêmio do Júri e do Prêmio FIPRESCI em 2002 com Intervenção Divina, o israelense Suleiman retorna ao festival com seu novo filme, onde o diretor viaja para diferentes cidades e encontra paralelos inesperados em sua terra natal, a Palestina.


‘Sibyl’, de Justine Triet


Em 2013 a diretora francesa estreou no Festival com o longa Age of Panic no programa ACID, em 2019 retorna com seu novo filme Sibyl. O longa apresenta uma psicoterapeuta cansada retorna à sua primeira paixão de se tornar escritora. O filme conta com a presença de Virginie EfiraAdèle Exarchopoulos e Gaspard Ulliel.


Filmes fora da competição

The Best Years of a Life (Les plus belles années d’une vie), de Claude Lelouch

Too Old To Die Young – North of Hollywood, West of Hell , de Nicolas Winding Refn

Diego Maradona , de Asif Kapadia 

La Belle Époque , de Nicolas Bedos 

“Vida Invisivel” (Invisible Life), de Karim Aïnouz 

“Dylda” (Beanpole), de Kantemir Balagov 

“The Swallows of Kabul, de Zabou Breitman & Eléa Gobé Mévellec 

“A Brother’s Love, de Monia Chokri 

“The Climb”, de Michael Covino 

“Jeanne” (Joan of Arc), de Bruno Dumont 

“O que Arde” (Viendra le feu / A sun that never sets), de Olivier Laxe 

“Chambre 212”, de Christophe Honoré 

“Port Authority”, de Danielle Lessovitz 

“Papicha”, de Mounia Meddour 

“Adam”, de Maryam Touzani 

“Zhuo Ren Mi Mi”, de Midi Z 

“Liberté”, de Albert Serra 

“Bull” de Annie Silverstein 

“Liu Yu Tian” (Summer of Changsha), de Zu Feng 

“Evge” , de Nariman Aliev

Rocketman, de Dexter Fletcher 

Taron Egerton em “Rocketman”

 

Sessões especiais

“Être vivant et le savoir “, de Alain Cavalier

“Family Romance, LLC”, de Werner Herzog

“For Sama”, de Waad Al Kateab & Edward Watts

“Share”, de Pippa Bianco

“Tommaso”, de Abel Ferrara 

“Que Sea Ley”, de Juan Solanas


Sessões da Meia-Noite

“The Gangster, the Copthe Devil” , de Lee Won-Tae

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.