Crítica | O Mundo Sombrio de Sabrina: Parte 2 reconhece seus erros e se mostra superior à primeira

Chega a encher os olhos quando vemos uma série que soube ouvir as críticas referentes ao que foi entregue ao público no passado. O Mundo Sombrio de Sabrina chegou à Netflix conquistando um enorme número de pessoas, principalmente por causa do talento e carisma de seu elenco. Mas, apesar de bons personagens, e uma história com potencial, a série não foi isenta de erros. 

Felizmente, a série conserta o que deu errado na primeira parte, e mostra que Sabrina não é apenas uma série adolescente bobinha e inofensiva. E que, ainda por cima, consegue reverter as expectativas do público entregando algo diferente do que a divulgação da temporada estava mostrando. Entre trailers e cartazes, o seriado parecia ter como foco o suposto triângulo amoroso que iria ser formado entre a protagonista, Nick e Harvey. 

Não entenda mal, o romance está presente, mas não é o principal foco da temporada. Ele é apenas um tempero a mais para tudo que está por vir. O grande objetivo dessa vez é tirar os humanos dos holofotes, e dar espaço ao que a série tem de melhor a oferecer: bruxaria e seus personagens secundários. Como é o caso de Nick, que anteriormente era dado como peça principal para o suposto triângulo amoroso tomar forma, agora é visto como a melhor adição ao enredo principal que a série poderia ter feito. 

Sua química com Sabrina é um dos grandes triunfos da temporada. Ao dar espaço para ele brilhar, a série ganha oportunidade de explorar ainda mais o universo bruxo, que dividia bastante o protagonismo com o arco dos humanos. Com isso, Sabrina passar a frequentar a Academia de Artes Ocultas e se envolve a fundo nas atividades “escolares” e na administração do local. 

A série, desde seu início, sempre procurou abordar temas atuais e do nosso cotidiano adaptados para a mitologia inserida na história. Nessa temporada, as coisas não são diferentes. Sabrina começa a observar muito mais a fundo o que acontece nos bastidores da Academia, e passa a interferir diretamente com a administração machista e misógina de Blackwood (Richard Coylepara tentar modificar as coisas por ali.  

Sabrina retorna nessa temporada com uma personalidade e atitudes ainda mais fortes, mas sua impulsividade é sempre mantida e, querendo ou não, é o que mantém a história acontecendo. Sua tentativa de mudar as regras da Academia influenciam diretamente na opinião de Blackwood sobre ela, que agora passa a vê-la ainda mais como um perigo à sua liderança. O personagem toma o posto (mais uma vez) como um dos vilões da temporada, mas agora com sua ameaça intensificada 

E, por assim dizer, os vilões dessa temporada são bastante eficientes. O Senhor das Trevas ganha ainda mais destaque e dá o ar da graça em muitos episódios, chegando ao ápice no último. A Sra. Wardwell continua sendo um dos grandes acertos da série, principalmente devido ao talento de Michelle Gomez. Porém, o desfecho da temporada não é dos mais satisfatórios, e todas as ameaças criadas pelos vilões são resolvidas com uma facilidade inacreditável. Pareceu uma certa preguiça dos roteiristas para criar algo mais elaborado.  

O restante da temporada, em contrapartida, compensa e, mais uma vez, conserta os erros cometidos nos episódios passados. O ritmo flui melhor dessa vez, e a longa duração de cada capítulo não chega a ser sentida. A distribuição dos acontecimentos foi melhor trabalhada e a história parece andar a cada episódio que passa, deixando a quantidade dos chamados episódios “fillers”, bastante reduzida. 

A série não descarta a ideia de colocar um episódio reservado ao desenvolvimento de cada um de seus personagens. Na temporada passada, tivemos o tão comentado episódio ambientado dentro dos sonhos da família Spellman, e aqui temos algo parecido, porém que pouco acrescenta a trama principal. A quebra de ritmo que a temporada vinha tendo é sentida ao extremo deixando no ar qual seria a necessidade de colocar em toda temporada um episódio tão cansativo quanto os dois mencionados. 


Mas, mesmo com esse pequeno tropeço no meio do caminho, a série não perde o fio da meada após ultrapassá-lo. Os episódios que vêm a seguir são o grande ápice da temporada. Tudo que envolve os poderes de Sabrina é muito bem trabalhado, e entrega momentos extremamente empolgantes ao espectador. A trama focada nos caçadores de bruxa dura pouco, mas soube criar uma tensão pouco vista na série, e ainda foi o gatilho pra mostrar a cena mais icônica da temporada. 

 

Os elogios, em contrapartida, não cabem também ao arco dos humanos. Por mais que a série precisasse deixar eles um pouco de lado para dar foco ao mundo bruxo, eles ficaram quase que sem ter o que fazer aqui, deixando os personagens subaproveitados ou até mesmo sem carisma, como é o caso de Harvey (Ross Lynch). Susie (Lachlan Watson) consegue se sobressair ao trazer visibilidade a um assunto bastante pertinente e importante. É uma abordagem leve e sensível, e que merece mais espaço em episódios futuros.  

Como saldo final, a segunda parte de O Mundo Sombrio de Sabrina se mostra bastante superior a primeira. Com um ritmo mais fluido, e bons personagens tomando o protagonismo, a série se diferencia de muitas que acertam na primeira temporada, e derrapam a partir da segunda. E, para o futuro, é apenas esperado que o nível aumente ainda mais, ou que consigam manter uma consistência. Sabrina veio realmente para ficar. 

O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA - PARTE 2
4

RESUMO

Com um ritmo mais fluido e bons personagens, a segunda parte de O Mundo Sombrio de Sabrina é bastante superior a primeira. Os produtores e roteiristas parecem ter escutado seu público e deixam de lado histórias que pouco acrescentam a trama principal, e dão espaço para o que realmente interessa.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.