Petrobras anuncia cortes em 13 projetos culturais, incluindo festivais de cinema, música e teatro

De acordo com uma reportagem da CBN, a Petrobras apresentou um documento, listando 13 projetos culturais que deixarão de receber o apoio da empresa estatal esse ano.

Alguns eventos na relação são: a A Mostra de Cinema de São Paulo; o Festival de Brasília; o Festival do Rio; o Anima Mundi, que é o maior festival de animação da América Latina; o Prêmio da Música Brasileira; o Teatro Poeira, no Rio de Janeiro; o Festival Porto Alegre em Cena; o Festival de Curitiba; o Festival de Cinema de Vitória; o CineArte, na Avenida Paulista; e a Sessão Vitrine. A estatal era a maior investidora cultural no país.

A Petrobras foi a maior investidora do Festival de Brasília, que é o mais antigo do país, nas últimas 11 edições. Foram, só no ano passado, 600 mil reais em patrocínio direto e em contratos de distribuição. Henrique Rocha, diretor geral do Festival nos dois últimos anos, disse:

“O que eu imagino é que a gente vai ter um ano de míngua. A gente corre um risco muito grande de interromper projetos continuados, que têm uma longa tradição, que têm muita importância, que têm um público imenso e que podem, simplesmente, serem realizados ou de forma pífia ou nem serem viabilizados.”

O Presidente do Clube do Choro em Brasília, Reco do Bandolim, disse que não sabe como a instituição vai se manter após o corte.  “A gente está vivendo momentos de angústia. Se a gente não fechar com a Caixa ou se a gente ficar sem o aceno de uma outra instituição que possa estender a mão, nós estamos sem opção.”

O Prêmio da Música Brasileira recebeu no ano passado 2,5 milhões de reais. A Sessão Vitrine realizava a distribuição de filmes nacionais em cinemas de 21 cidades. Ou seja, o corte representa um grade risco para todos esses projetos culturais.

O gerente de patrocínios da Petrobras, Diego Pila, disse numa audiência na Comissão de Cultura na semana passada:

“A gente não está fazendo nenhuma renovação de patrocínio de cultura e esporte, em qualquer área. A gente não teve nem que ter critérios para fazer o corte, foi geral. A gente tinha lançado uma seleção pública na área de música em dezembro do ano passado e esse é o único patrocínio novo que está sendo feito, tanto para cultura, como para esporte.”

A revisão nos patrocínios da Petrobras tinha sido revelada em fevereiro desse ano pelo Presidente Jair Bolsonaro, como de costume, pelo Twitter. Veja a postagem abaixo:

A medida foi bastante criticada por diversos artistas e também pelo ex-Ministro da Cultura Juca Ferreira, do Governo Dilma Rousseff. Na época, ele declarou:

“O neoliberalismo não entende a complexidade da sociedade e as necessidades e demandas da sociedade. Reduz tudo ao fato econômico. E esse governo não mostra muito compromisso com as pessoas. É um governo que representa os interesses do capital financeiro e das grandes empresas .” E lembrou: “A cultura é uma necessidade humana como é alimentação, moradia, saúde e educação. Eles demonstram uma dificuldade enorme para entender isso. Quem perde é o país.”

Segundo o jornal Folha de São Paulo, a Petrobras investiu em mais de 4000 projetos culturais desde 2003, ano da criação do Petrobras Cultural. A ideia era apoiar projetos brasileiros com valor cultural destacado. As prioridades estavam nas áreas musical (circulação de shows, festivais, Orquestra Petrobras Sinfônica, etc), audiovisual (produção, difusão e ampliação de acesso) e de artes cênicas (manutenção de grupos e cias, festivais, projetos especiais, etc).

O apoio contribuiu bastante para o crescimento da indústria cinematográfica no Brasil, por exemplo. Além da produção no país chegar a um número de 150 filmes por ano, milhares de empregos foram criados e gerou uma arrecadação de 25 bilhões de reais, em 2014, segundo um estudo da ANCINE.

Mas, para esse novo governo, a cultura não parece importar tanto.

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.