Crítica | ‘The Silence’ revela sua banalidade por meio de inúmeros elementos que não funcionam

Baseado no roteiro de Carey Van Dyke e Shane Van Dyke adaptado do livro de mesmo nome de 2015 por Tim Lebbon, a nova produção original da Netflix The Silence conquistou a atenção do público tanto pelo seu elenco (Kiernan Shipka, Stanley Tucci, Miranda Otto e John Corbett), como pela premissa similar de Um Lugar Silencioso e Bird Box, ambos lançados no ano passado.

Apesar das similaridades, The Silence, dirigido por John R. Leonetti (Annabelle e Mortal Kombat: Annihilation) foi gravado em 2017 – antes mesmo da estreia de Um Lugar Silencioso, que não terminou de ser escrito até 2016.

Ally (Shipka) é deficiente auditiva há 3 anos do período que antecede o ataque das chamadas “vespas”, uma espécie de morcegos mutantes sem olhos atraídos pelo som. Após serem libertados de um sistema de cavernas desconhecido na Pensilvânia, as tais criaturas aparentemente matam qualquer coisa que faça barulho, além de causar falta de energia, um certo desequilíbrio na cadeia alimentar e algumas outras catástrofes.


Então, pela “necessidade” de ausência do som, a família e o quase namorado Rob passam a se comunicar (quase que) unicamente pela língua de sinais aprendida graças à deficiência de Ally. Ao fugir da cidade para procurar um lugar onde há menos barulho em direção à floresta, a família descobre os males que as criaturas causam à civilização – abrindo espaço para inúmeras incoerências e furos de roteiro.

Ao mesmo tempo que os personagens utilizam a linguagem de sinais, eles falam em conjunto e até sussurram o que querem dizer, quebrando o clima da trama desde seu início e contribuindo para uma falta de imersão necessária ao tipo de narrativa do gênero pelos minutos que se seguem – elementos que os recentes O Homem nas Trevas e Um Lugar Silencioso dominaram com maestria.

As vespas são atraídas pelo som, mas por algum motivo, a “escolha” do ataque é seletiva. Por exemplo, aparenta-se necessário expulsar uma mãe com um bebê do metrô por estar chorando, por mais que os vagões façam muito mais barulho; os bichos também não são atraídos por trovão e nem pelos sons que os outros da mesma espécie emitem – ou seja, a própria premissa constrói uma ideia um tanto quanto desconexa.

O grande problema, no entanto, é que The Silence não consegue criar tensão, suspense ou mistério em relação à trama e principalmente em relação às criaturas; problema que se deve a querer mostrar excessivamente as vespas e repetir ações do roteiro de forma lenta e ao mesmo tempo não adicionar nada novo à história.

Como se já não fosse o suficiente, a família ainda é surpreendida por um culto que além de adicionar ainda mais clichês ao filme, faz-se desnecessária em querer abordar “os males da religião” e transforma The Silence em uma obra ainda mais mal explorada, repetitiva e apressada em menos de seus 90 minutos de duração.

THE SILENCE
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RESUMO:

The Silence não consegue criar tensão, suspense ou mistério em relação à trama e principalmente em relação às criaturas, resultando em uma obra mal explorada, repetitiva e apressada em menos de seus 90 minutos de duração.

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Rafaella Rosado

Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível ver todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é uma forma de viajar e conhecer outras realidades sem sair do lugar.