Crítica | ‘O Gênio e o Louco’: uma incrível história real que vale a pena ser vista

Quando leio, posso voar para fora daqui, já fui até o fim do mundo nas asas das palavras; quando leio, deixo de ser o perseguido e começo a perseguir.O Gênio e o Louco

Em meados do século XIX, o Filólogo Escocês e autodidata James Murray (Mel Gibson) é incumbido da impossível tarefa de compilar todas as palavras da língua inglesa para o dicionário de Oxford. O que ele não esperava era receber imensa ajuda de um suposto louco, condenado ao manicômio por assassinato.

Em O Gênio e o Louco acompanhamos a história através de uma estrutura multi-protagonista, isto é, quando dois (ou mais) personagens assumem o papel de protagonista, porém não juntos.

Quando temos uma estrutura multi-protagonista, os mesmos iniciam jornadas diferentes, em lugares e tempos diferentes, contando com dificuldades diferentes e subtramas próprias. Um protagonista poderá ou não impactar a vida do outro e suas jornadas poderão ou não se entrelaçar no decorrer da obra.

Sean Penn em “O Gênio e o Louco”

Como todas as obras que contém o dedo de Mel Gibson, espere aqui fortes temáticas envolvendo o poder de acreditar, resistir ao mundo e de lutar pelo que é certo. Só não espere por algo clichê, há novidades.

Na jornada de Murray encontramos o poder de acreditar, de resistir a opressões sociais e de entender suas ações como modificadoras para um mundo melhor. Na jornada de Dr. Minor (Sean Penn), encontramos a luta por redenção, uma fuga desesperada de um mundo brutalmente agressor, fuga que se converte em uma busca por autoconhecimento – um autoconhecimento que poderá mudar a vida de milhões.

O Gênio e o Louco é um filme biográfico, histórico, pautado na realidade, mas que esconde por trás uma temática religiosa e até heroica, podendo levar ao desagrado os críticos mais severos (com razão), mas que com certeza vai encantar o público em geral (com razão).

Analisando a obra de fora para dentro, nota-se que o dueto Mel Gibson e Sean Penn já possui capital simbólico o suficiente para vender o filme, porém não temos aqui um longa que se vende pelo astro, mas sim uma direção (Farhad Safinia) e um roteiro que são dignos destes mesmos astros. Infelizmente as coisas se dão assim, mas felizmente não temos aqui um filme preguiçoso.

Mel Gibson em “O Gênio e o Louco”

Como resultado, vemos um filme visualmente belo, competente, com uma bela trilha sonora que transporta as emoções com eficácia. Porém, levemente confuso em transmitir certas mensagens e um tanto medroso na hora de contar em certos assuntos mais delicados.

O Gênio e o Louco debate levemente “o que é a loucura?”. Será que não vivemos todos presos e buscamos desesperadamente refúgio em algum lugar? O que é estar livre? Mostra que a fragilidade da linha que separa a genialidade da loucura, mas principalmente elucida o poder libertador da leitura e da reflexão e como, mesmo assim, as mesmas não terão todas as respostas para assuntos que devem ser sentidos, como a amizade e o amor.

O GÊNIO E O LOUCO | THE PROFESSOR AND THE MADMAN
4

RESUMO:

O Gênio e o Louco é um filme biográfico, histórico, pautado na realidade, mas que esconde por trás uma temática religiosa e até heroica, podendo levar ao desagrado os críticos mais severos (com razão), mas que com certeza vai encantar o público em geral (com razão).

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Matheus Amaral

Formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.