Homem de Ferro: o filme que abriu caminho para o sucesso do MCU

Pontapé inicial do Marvel Studios aconteceu em 2008, quando o Homem de Ferro estava longe de ser um herói popular

Pare e pense um pouco. Até 2008, a maior parte – eu diria uma maioria esmagadora – do público que consome blockbuster não tinha a menor ideia de quem era o Homem de Ferro. Em uma época onde o público médio só daria importância a heróis já estabelecidos e conhecidos como X-Men, Homem-Aranha, Batman e Superman, acreditar que Tony Stark se tornaria uma das figuras mais emblemáticas do gênero era uma tarefa difícil.

O filme dirigido por Jon Favreau estabeleceu não apenas o marco zero do Universo Cinematográfico da Marvel, mas deu ao público a ideia de que o universo de super-heróis poderia ser explorado nos cinemas, indo mais além. As HQs são fontes inesgotáveis de histórias, e conectá-las seria um desafio e tanto. Para isso, Homem de Ferro precisava dar certo.

Na maioria das vezes, com exceção das franquias citadas acima – quase sempre tratadas de forma autônoma, com uma continuação ou trilogias – o gênero nunca foi bem explorado pela maioria dos cineastas e estúdios que investiam em histórias fora de tom como Batman & Robin (Joel Schumacher, 1997), ou simplesmente com ousadia temática mas executados de forma precária e cliché, como Demolidor, o Homem sem Medo (Mark Steven Johnson, 2003).  Isso para não citarmos outros grandes fiascos.

Desta forma, a partir da ideia de um segmento único e continuado, tornando as histórias do cinema um grande conjunto de arcos conectados, nascia Homem de Ferro, primeiro filme produzido pela própria Marvel sem participação de outro estúdio (embora distribuído para Paramount). O projeto, no  entanto, já vinha sido cogitado desde 1999. Os direitos do personagem chegaram pertencer a alguns estúdios como Universal, New Line e Fox, com diversos atores e diretores considerados não tendo acertado sua participação.

Os direitos voltaram então para as mãos da Marvel Entertainment e depois de um declínio na carreira por conta de uso de drogas, Robert Downey Jr. se reabilitou e foi contratado em 2006 para dar vida ao herói. Era o retorno que ele precisava. Em uma espécie de simbiose com o personagem, que possui um arco de redenção ao longo da saga, Stark se tornaria, anos depois, o papel mais emblemático da carreira do ator.

Por outro lado, Jon Favreau, um nome ainda pouco conhecido do grande público, foi responsável por repaginar o personagem. Criado em 1963 por Stan Lee, sua primeira aparição aconteceu durante a Guerra do Vietnã. Nos cinemas, o contexto da Guerra se mudou para o Iraque, dando ares atuais e conversando com a realidade.

As gravações do filme começaram em 2007 e em 2 de maio de 2008 (30 de abril aqui no Brasil) o filme chegava aos cinemas. A recepção foi boa e o pontapé inicial estava dado. Isso se deu por causa de inúmeros fatores, que acabaram sendo definidos durante o processo de produção do filme.

Muitas das cenas vistas em Homem de Ferro foram improvisadas. Haviam várias versões do roteiro, mas Favreau e Downey resolveram improvisar muitos diálogos, o que rendeu um aspecto mais natural ao filme. Além disso, o final do longa subverte o gênero até então. A revelação da identidade de Tony Stark é um momento icônico, assim como o início do filme, quando o playboy bilionário é sequestrado no Oriente Médio.

Homem de Ferro veio para definir, ainda, alguns pontos cruciais no MCU. Tony Stark como eixo central de toda a Saga do Infinito é um deles, sendo o primeiro herói apresentado nas telonas. A aparição de Nick Fury veio, também, para estabelecer que esse filme era apenas a ponta do iceberg, parte de algo muito maior. E o principal: o fato de que este herói, sim, possui recursos financeiros, mas sem sua genialidade, Stark não sairia daquela caverna iraquiana para se tornar o que é hoje. O grande poder de Tony vem da mente, e não de mutações ou poderes.

No entanto, embora se houvesse o senso de continuidade, ainda havia alguns aspectos mais autorais nesse e nos primeiros filmes do MCU. Cenas como a execução de terroristas pelo Homem de Ferro e alguns aspectos “amorosos” da vida do personagem não seriam tão aceitos na atual fase Disney. Isso o torna uma experiência sempre agradável de revisitar, e especialmente único por ter sido o pioneiro deste universo.

O longa é um dos mais divertidos do MCU. Uma história de origem que tira seu personagem da zona de conforto e o coloca de uma forma bastante diferente de como começou. Não é perfeito, pois a organização terrorista e o sócio Obadiah Stane não chegam a ser grandes antagonistas. Mas a presença de um grande elenco, com a presença de Jeff Bridges, Gwyneth Paltrow , o próprio Favreau como Happy e Terrence Howard – que depois seria substituído por Don Cheadle – e o carisma de Downey fizeram o público roer as unhas de expectativa pelos próximos lançamentos. Mal poderíamos imaginar o quão duradouro isso seria.

Conhecemos Tony Stark, como e porque ele se tornou o Homem de Ferro, e como resolveu lidar com essa responsabilidade, tudo nesse filme. Seu ego ainda seria trabalhado nos filmes seguintes, com atos de bravura e arrogância que, necessariamente, só foram possíveis graças a existência de Homem de Ferro.

Continua…


Homem de Ferro (2008) em imagens

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...