Crítica | 1ª temporada de ‘Osmosis’ usa ficção científica para falar de sentimentos como o amor

Por se tratar de uma marca global que produz conteúdos originais, uma das coisas mais interessantes em plataformas de streaming, como a Netflix, é a possibilidade de conhecer diferentes narrativas, de diferentes partes do mundo. Como por exemplo grandes séries como Dark, de origem alemã e a gigante La Casa Del Papel, série espanhola que graças a essas plataformas se tornou uma gigante no mundo das séries.

O mais novo lançamento original da Netflix vem direto da França, a série Osmosis. A ficção científica se passa em uma Paris num futuro não tão distante, em que uma equipe, liderada pelos irmãos Paul (Hugo Becker) e Esther Vanhove (Agathe Bonitzer), desenvolvem um aplicativo em que, implantando um chip interno, é possível descobrir quem é a sua alma gêmea. Com problemas financeiros, os irmãos têm apenas um mês para realizar testes em um grupo de voluntariados, antes de realizar o lançamento mundial do aplicativo.

Com a busca pelo amor sendo o seu tema principal, a série usa seus 8 episódios e seus diversos personagens dentro do grupo de pesquisa para discutir diversos temas em torno desse sentimento, como amor familiar, a diferença entre paixão e amor, as incertezas de novas relações e de relacionamentos que já existem há algum tempo, o amor tendo a comunicação virtual como a principal comunicação, entre outros.

Além da trama principal, a série nos apresenta diversas sub-tramas tanto da dupla protagonista de irmãos, quanto a de diversos personagens dentro do grupo de pesquisa, como a de Lucas, um jovem gay que, mesmo dentro de uma longa relação com seu namorado, decide testar a Osmosis, pois não tem certeza se fez a escolha correta.

Também acompanhamos Ana, uma jovem insegura, que entra para a pesquisa da Osmosis infiltrada, com o objetivo de passar informações para uma empresa concorrente, porém ela descobre que as coisas não são tão simples assim.

Ao contar histórias realistas, mesmo se passando em um futuro próximo, Osmosis consegue chamar a atenção para seus personagens, porém falha na hora de desenvolvê-los. Apesar de apresentar um ótimo ritmo em seus dois primeiros capítulos, isso se perde ao longo da série, passando a impressão de que ela  poderia ter menos episódios, já que tramas relativamente simples acabam levando um ou dois episódios para serem concluídas.

Porém, o grande problema em Osmosis fica por conta de seu roteiro mal desenvolvido. Tramas que estão sendo mostradas desde o primeiro episódio da série acabam sendo resolvidas de maneiras extremamente simples, seja apenas matando o personagem ou resolvendo um mistério de maneira rápida e não haver mais menção aquela trama de nenhuma maneira no resto da série, gerando uma extrema sensação de frustração.

Além disso, o roteiro pouco desenvolvido acaba afetando também o ritmo da série. Enquanto em alguns episódios ocorrem diversas reviravoltas, em outros, ela simplesmente não anda, mostrando alguma evolução apenas nos 5 minutos finais.

Com um tema extremamente humano e emocional, contado em um futuro pouco distante, Osmosis deixa uma ótima primeira impressão para uma trama mal desenvolvida.

OSMOSIS - 1ª TEMPORADA
3

RESUMO:

Osmosis promete uma boa trama e ótimos personagens em seus primeiros episódios, que não são cumpridos no restante da temporada.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.