The Walking Dead | Showrunner fala sobre mortes chocantes e decisões do episódio ‘The Calm Before’

Atenção: Spoilers de The Walking Dead por toda a parte

Exibido na noite deste domingo (24), “The Calm Before” foi um dos episódios mais chocantes de The Walking Dead. Nele, os Sussurradores mandaram um recado bem claro e deixam explícito que são uma grande ameaça às comunidades, que promoveram uma Feira que resultou na desgraça para todas elas.

O episódio trouxe para dentro do Reino a líder dos Sussurradores, Alpha (Samantha Morton), disfarçada para tentar uma última cartada em trazer Lydia de volta, além de capturar vários moradores de Hilltop. No fim, 10 cabeças foram presas em estacas para marcar o território dos Sussurradores. Daryl, Carol, Michonne e Yumiko encontraram Siddiq, único sobrevivente da captura, deixado vivo para contar a história que você pode ver no vídeo abaixo. As vítimas eram, entre outros, alguns dos Homens da Estrada, Tammy, Henry, Enid e Tara.

Nos quadrinhos, o arco dos Sussurradores mostra um evento muito semelhante. Ao invés de 10, são 12 vítimas, com Tammy sendo a única morta como na série de TV. Ezekiel e Rosita (grávida) foram mortos, mas poupados na série, embora o destaque dado ao Rei neste episódio tenha sido uma forma de enganar o público. Vale lembrar que na obra de Robert Kirkman, que encontra as cabeças é Rick Grimes, na compania de seu filho Carl, vivíssimo nas HQs.

Às vezes estamos adaptando muito diretamente os quadrinhos, mas também nos desviamos, e todo mundo sabe que isso é parte do acordo com a série. Queremos homenagear os quadrinhos e queremos colocar esses pequenos easter-eggs para os fãs de quadrinhos. Para os espectadores regulares, eles podem dizer: “Ah, talvez Ezequiel morra ou não”, disse Kang sobre as diferenças em entrevista à EW.

Responsável por decidir quais cabeças rolariam, a showrunner Angela Kang falou sobre a decisão:

Você sabe, houve muitas conversas sobre isso, porque é realmente difícil decidir quem morre, e sempre que há morte no programa, às vezes é apenas relacionado à história, às vezes, como com Andy [Lincoln], é porque há uma fator pessoal. Existem coisas contratuais. Existem todos os tipos de coisas que acontecem. Neste caso, amamos todos os nossos atores. Algumas das pessoas que estão naquelas lanças, sabíamos desde o início que elas iriam estar nas lanças. Nós especificamente escolhemos Brett Butler como Tammy, sabendo que ela morreria nessa série. E nós dissemos a ela que na época nós a escalamos.”

Kang também falou sobre o caráter aleatório de algumas mortes, e da escolha de uma líder (Tara):

Existem outros personagens que estão conosco há algum tempo. E parecia que, para os vários personagens que estavam lá, por exemplo, Tara, como a líder de Hilltop, havia algum tipo de senso e um sentimento de retribuição especificamente com aquela morte. E depois há pessoas que quase se sentem aleatórias. E então você aprende que existem pessoas que acabaram ferindo em virtude de tentar ser heróicas, como DJ e os Homens da Estrada…É aterrorizante porque às vezes você não entende exatamente como ou por que ela escolheu suas vítimas exatas. E isso é uma grande parte disso. Além disso, há certas histórias que estamos planejando para o futuro e, às vezes, trocamos de personagens por essas razões.

Jackson Lee Davis/AMC

Sobre ter que eliminar do elenco atrizes que já estão na série há bastante tempo, como Katelyn Nacon (Enid) e Alanna Masterson (Tara), Kang afirmou que a decisão estava tomada desde o início das gravações, e se reuniu com todos os atores para deixá-los cientes, elogiando o profissionalismo de cada um deles:

É parte do acordo quando você se inscreve para fazer esse tipo de série que seu tempo de alguma forma será limitado. E desta forma todo mundo não poderia ser mais maravilhoso. E eu estou animado para que todos tenham grandes oportunidades no futuro, porque eu acho que todo mundo que está nessa série é incrivelmente talentoso e simplesmente adorável. Tivemos uma boa celebração do nosso tempo de longa data em conjunto com o seu episódio final, o que foi ótimo.

Agora, uma coisa é certa. Alguns dos capturados eram lutadores treinados, que já enfrentaram diversas situações de perigo. Angela justifica que “é mais aterrorizante não ver isso acontecer na tela”, e também fala sobre como isso pode ter sentido, na prática:

Eu acho que foi uma espécie de mistura de uma cilada. Como quando tivemos aquele momento em que Henry teve que sair para lidar com a crise dos tubos – foi isso realmente o que estava acontecendo? Ou foi algo que eles fizeram para atrair pessoas? E é muito nos quadrinhos. As pessoas foram enganadas em ir com eles, e eu acho que é o tipo de coisa que é aterrorizante – que ela é capaz de colocar uma peruca e um chapéu e parecer totalmente diferente e andar pela feira. Nos quadrinhos, ela meio que anda por aí com sua cabeça careca, mas como nós mostramos os eventos de forma diferente [nas HQS Alpha não era conhecida], muitas pessoas deram uma boa olhada nela. Mas ela parece completamente diferente, com cabelos compridos e um vestido esvoaçante. Então eu acho que é o horror disso, a sensação de que alguém poderia te pegar de dentro de uma multidão gigantesca.

Jackson Lee Davis/AMC

Sobre o impacto do episódio das estacas nas vidas de personagens como Carol, que já havia perdido sua filha Sophia na segunda temporada (aquela icônica cena do celeiro), Kang diz que a personagem ainda irá crescer:

Vai ter um impacto [a morte de Henry] enorme na evolução da Carol. Nós começamos esta temporada vendo ela muito feliz. Nós a vimos noiva e casando, e ela deixou o cabelo crescer porque não estava sendo abusada. Ela tinha essa família feliz. E obviamente, uma perda como essa terá um impacto emocional gigantesco. Vamos começar a ver um pouco desse impacto no episódio final, e onde está sua cabeça e o que ela acaba fazendo. Claro, ela tem fortes sentimentos sobre Alpha e os Sussurradores. Carol é uma personagem incrível, e Melissa McBride é apenas uma atriz fantástica, então mal posso esperar para continuar com ela daqui.

A nona temporada deixou uma comunidade sem líder. Sem Maggie, já que Lauren Cohen deixou a série (mas pode retornar no futuro), além de Tara, Enid e Jesus (ambos mortos), haverá um vácuo de liderança na comunidade.  Angela explica que isso será bastante explorado:

Esta será uma grande parte da história daqui para frente. Novamente com Hilltop, também vimos a comunidade ter uma mudança de sorte ao longo da temporada. Então, eu não quero revelar muito, mas isso é definitivamente um ponto em que entraremos em histórias futuras.

Jackson Lee Davis/AMC

Sobre o discurso de Siddiq, que encerra o episódio, Angela conta que tomou a decisão de não torná-lo o fim da temporada, o que poderia ser facilmente um caminho a ser tomado pela série:

“Quando começamos a trabalhar nesta temporada, essa era nossa suposição também, que era o final. Eu meio que senti, “Eu não quero que seja o momento final, mas provavelmente está no final.” Há um pouco pouco de um elemento de surpresa para o público. Eu também acho que há algo interessante sobre “Aqui está essa coisa gigantesca que aconteceu”, e então, “O que acontece depois?”

E entrevista completa você confere aqui.

A sinopse do próximo episódio “The Storm” diz:

“Após uma perda esmagadora, as comunidades precisam enfrentar uma nevasca feroz; enquanto um grupo lida com um inimigo por dentro, outro é forçado a fazer uma escolha entre vida ou morte”. 

O episódio “The Storm” vai ao ar em 31 de março.

No Brasil, The Walking Dead é transmitida aos domingos pelos canais pagos FoxFox Premium 2 e também pelo serviço de streaming Fox App.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...