Crítica | ‘Se Joga, Charlie’: Idris Elba é puro carisma em uma 1ª temporada aleatória e divertida

Uma série em que Idris Elba vive um DJ que por força da ocasião vira babá. Se eu te contasse isso alguns anos atrás, provavelmente você riria da situação. Mas o versátil ator retorna à TV em um papel que lhe cai bem em Se Joga, Charlie, ainda que em uma trama um pouco aleatória, mas que oferece ao espectador a capacidade de entreter.

Um grande facilitador é o formato da série. Com apenas oito episódios que duram de 25 a 30 minutos no máximo, é bem provável que em uma tarde a primeira temporada seja assistida. É uma estrutura muito semelhante a de um filme de comédia, se considerarmos o todo. O clima leve da narrativa, que explora um arco dramático sem se aprofundar tanto, é primordial para isso. É uma série bem dirigida e com boas atuações, longe de ser pretensiosa.

A trama co-criada pelo próprio Elba gira em torno de Charlie, um DJ esforçado e eterno solteirão, que fez um eventual sucesso nos anos 90, e parou no tempo. Avesso às novas tecnologias, ele vive de favor na casa da tia e enxerga uma oportunidade de fazer sucesso novamente quando, relutantemente, se torna babá da filha problemática de seu famoso melhor amigo.

Se Joga, Charlie – 1ª temporada (Netflix)

É difícil definir exatamente a temática da série. Em um primeiro momento, acompanhamos Charlie, uma figura que não emplacou na carreira, mente para os pais sobre ser um executivo da indústria musical e vive de bicos e pequenas apresentações, mas sem perder a pose. Acompanhamos o personagem em sua pior fase, a possibilidade de um recomeço e suas relações pessoais. Um dos subtemas é a perseverança em relação aos sonhos e objetivos.

Também temos a relação entre Charlie e Gabrielle, vivida pela ótima Frankie Hervey. A jovem atriz não se intimida com a presença em cena de Idris Elba, e dá conta do recado. Gabs é dona de uma personalidade forte e vive uma vida conturbada. A série deixa isso bem claro, e entendemos suas motivações. Os pais, artistas, sempre a colocaram em segundo plano, e ela sabe disso, descontando suas frustrações nas antigas babás,  inclusive em Charlie em um primeiro momento, com quem acaba estabelecendo uma forte relação de amizade, outro foco da trama. Os quatro primeiros episódios investem bastante nessa dinâmica, enquanto a outra metade deixa isso um pouco de lado, e não por acaso, a série se ressente disso.

Da mesma forma, acompanhamos a relação entre Sara (Piper Perabo) e David (JJ Feild). Ela, uma DJ de sucesso, vive uma agenda intensa de shows e gravações, mas começa a perceber que seus melhores dias com a filha, uma pré-adolescente, estão se passando. Já o melhor amigo de Charlie é um ator tentando retomar uma carreira de sucesso no cinema. O casamento entre os dois é constantemente estremecido pela ausência do senso familiar. Cada um rema para uma direção diferente, trazendo a discussão da família vs trabalho para o centro em muitos momentos. Relação essa que ainda é estremecida pela presença de Charlie, um dos pontos em que o roteiro pesa a mão.

Se Joga, Charlie – 1ª temporada (Netflix)

Porém, conforme fora dito no início do texto, Se Joga, Charlie não aprofunda tanto os seus temas, e nem faz questão. Algumas situações absurdas, como a presença de uma criança livremente em uma boate, e representações bem clichês do ambiente da música eletrônica são apenas pano de fundo para uma história leve e fácil de acompanhar.

Como entretenimento, Se Joga, Charlie cumpre seu propósito e deixa seu final em aberto para uma nova temporada, ou, caso isso não aconteça, termina de forma satisfatória sua primeira leva de episódios. Porém, se a Netflix nos der mais uma temporada com Idris Elba vivendo esse peculiar DJ, vamos nos jogar novamente.

SE JOGA, CHARLIE - 1ª TEMPORADA
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RESUMO:

Idris Elba é puro carisma no papel de um DJ que deseja retomar a carreira em Se Joga, Charlie, uma série leve e despretensiosa, com episódios curtos e bem conduzidos.

Se Joga, Charlie – 1ª temporada (Netflix)

 

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...