Crítica | ‘Operação Fronteira’ capricha na ação e esbarra na temática

Ben Affleck, Charlie Hunnam, Oscar Isaac, Garrett Hedlund e Pedro Pascal; um grande elenco junto a um diretor que sabe como dirigir cenas de ação e um orçamento aceitável para um filme que tem muito o que dizer: Operação Fronteira (Triple Frontier).

Quando ex-veteranos estadunidenses, que se conheciam, resolvem se juntar para, sozinhos, derrubar um narcotraficante da América do Sul e roubar o máximo de dinheiro que conseguirem, tudo dá errado quando seu helicóptero cai e é necessário arrumar um meio de fugir com 2.700 Kg de dólares.

Temos aqui um ótimo diretor para este tipo de filme, e, como já dito,  J.C. Chandor sabe como ninguém dirigir cenas de ação. Aqui encontramos muitas tomadas criativas, um ritmo de transição lento, visível e mundano. Acompanhamos os movimentos dos atores através dos cenários com muita clareza e veracidade; o diretor, junto com a edição, não só sabe como fazer momentos de ação ficarem claros e excitantes como nos projeta afetivamente para as cenas.

Porém, o que vai vender esse filme é a grande e cara escalação de atores famosos, onde, praticamente nenhum tem grande destaque. Neste filme estamos falando de pluri-protagonistas, onde um grupo ou um coletivo tomam a frente juntos como protagonistas. Assim como Os Mercenarios e Esquadrão Classe A é definido, aqui as diferenças de personalidade de cada uma das personagens e sua relação com o grupo, tem aquele que carrega a trama e faz o papel de líder, há uma leve figura de mentor, tem o mais nervosinho e por aí vai. Com exceção de Oscar Isaac e Ben Affleck, todos os outros se mantem apagados e não brilham durante o filme inteiro.

O grande problema do longa é sua dificuldade em expor a trama principal, justamente porque estamos falando de um filme que não tem certeza sobre o que ele quer ser ou sobre o que ele quer contar, dificulta a imersão do espectador com os valores do filme e com a carga emocional das personagens.

Como resultado, temos em Operação Fronteira um filme com protagonistas pouco explorados, uma trama principal bagunçada, mas em contramão disso tudo um ensaio de como fazer uma bela fotografia e coreografar cenas de ação – e isso não é de se jogar fora. Para avaliar esse filme a boa e velha proposta socrática do Conhece-te a ti mesmo se faz muito bem-vinda: o que você mais presa em um filme? Dependendo da resposta tenho certeza que você vai conseguir apreciar este aqui como um bom filme.

OPERAÇÃO FRONTEIRA | TRIPLE FRONTIER
3

RESUMO:

Operação Fronteira atinge seu ponto máximo na ação bem dirigida por J.C. Chandor, mas não explora todo o potencial temático e seu elenco.

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Matheus Amaral

Formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.