Crítica | ‘Maligno’ aposta em um bom mistério mas não impressiona ao resolvê-lo

Quando um esperado filho (Jackson Robert Scott) nasce com partes cerebrais mais desenvolvidas do que o normal, sua mãe (Taylor Schilling) começa a achar que precisa aprender a lidar com uma criança superdotada; todavia, coisas estranhas e macabras começam a acontecer e talvez Miles não seja apenas uma criança mais desenvolvida do que o comum – Algo maligno deve estar por trás.

Temos aqui um típico terror contemporâneo, mas que tenta fazer o possível para sair deste estigma, se esquivando na medida do possível de alguns clichês. Em certa parte, Maligno cumpre bem este papel ao nos apresentar uma perspectiva cientifica para eventos paranormais, e, o decorrer de todo o filme nos envolve em um mistério angustiante e muito competente, que soube se proteger de obviedades e guardar algumas cerejas para o final.

Por outro lado, temos mais uma trama sobrenatural, envolvendo crises familiares, com seus “jumpscares” e um final até satisfatório, mas que está longe de impactar sua audiência.

O que encontramos aqui como ponto forte é a ótima atuação de Taylor Schilling, que faz uma mãe dividida entre um feroz instinto materno e um senso de investigação que pode colocar em risco o bem-estar de seu filho. Jackson Robert Scott, que estava presente em It: A Coisa, nos brinda com uma excelente atuação de um menino dividido entre a figura maligna e o medo e a angustia de fazer o que faz, dualidade esta que dá ao filme um ótimo recheio durante o longa.

Um mistério pode estar presente em qualquer gênero, se competente, ele sempre será um bom recheio, pois, aguça a curiosidade e atinge nossa necessidade de conhecer, aprender e organizar o mundo, em outras palavras, ninguém pisca até ver a solução final. Como já foi dito, Maligno sabe ser um bom mistério e sabe como não ser óbvio, mas, falha na resolução, nos dá um sentimento inevitável de familiaridade com alguns aspectos e deixa o espectador com um gostinho de só isso – Mistério é bom, mas só ele não basta!

O resultado em Maligno é que não temos um filme ruim, temos competência artística e técnica e não digo também que temos um filme preguiçoso, mas um que sofreu serias dificuldades em se destacar em um estilo de que está saturado e sem muitos caminhos para trilhar. O terror não está morrendo, é um gênero sólido e bastante universal, pois trabalha principalmente com o medo, mas seus estilos e subgêneros precisam de uma boa revitalizada – Que arrisco a apostar que já está acontecendo.

MALIGNO | THE PRODIGY
3

RESUMO:

Maligno consegue envolver o público com um mistério instigante e um final até satisfatório, mas que está longe de impactar sua audiência.

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Matheus Amaral

Formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.