Crítica | Chiwetel Ejiofor entrega um drama poderoso em ‘O Menino que Descobriu o Vento’

Em 2006 o jovem William Kamkwamba ficou conhecido na África, após construir uma turbina eólica para irrigar a plantação de sua família. O mesmo relatou sua história de vida em um livro homônimo que em 2019 foi adaptado para o cinema. O Menino que Descobriu o Vento, dirigido por Chiwetel Ejiofor, conta história desse jovem africano do vilarejo Malauiv, que utilizou os recursos do lixo próximo a sua casa para criar um moinho de vento e assim transformar a realidade de sua família.

O filme da Netflix teve estreia no Festival de Sundance desse ano, e também esteve presente no Festival de Berlim. Em Sundance, o ator e diretor Ejiofor venceu o Alfred P. Sloan Prize, prêmio dedicado a filmes que abordam como temas principais a tecnologia, ciência, matemática ou engenharia.

O longa acompanha William em sem dia a dia no vilarejo, com sua família que depende do plantio e colheita para viver. Essa conjuntura transforma o clima um importante elemento para a narrativa, já que é a partir dele que o protagonista irá agir. Os planos da câmera se movem tendo como ponto de partida o céu. Às vezes chove demais, outras  vezes irradia um sol que seca todo o ambiente. O longa é dividido a partir dos tempos climáticos como a chuva, o sol e o vento, conduzido não apenas William, mas também os personagens ao seu redor, que possuem suas emoções impressas no tempo.

O ator Maxwell Simba interpreta o protagonista de forma singela, que com simpatia conquista mesmo não tendo grande voz perante aos adultos de sua comunidade. Seu melhor amigo é um cachorro, único que o acompanha em todos os momentos. A priori, o menino é recluso e utiliza de sua mente para se mover. Assim a ciência se torna parte central da trama, já que é a partir dela que o garoto ganha sua voz.

Em contrapartida, Chiwetel Ejiofor – excelente – interpreta o pai do jovem garoto, o líder nato, sério, luta pelo seu povo e enquanto seu filho entra com a ciência, ele entra com a política que é outro tema central do filme, onde o governo negligente e corrupto corrobora para que tantas famílias permaneçam em situação de extrema miséria. Apesar de serem completamente opostos, ambos buscam o mesmo objetivo, a sobrevivência de seu povo em meio a uma seca que tende a destruir seu meio de sobrevivência. Junto ao elenco feminino que apesar de ocupar um espaço coadjuvante, não passam despercebidas como a mãe e irmã de William.

É na escola e nos estudos às escuras em uma biblioteca que William brilha, aperfeiçoando suas habilidades com eletrônicos. Espaço esse que nenhum de seus pais tiveram, mas acreditam que seu filho pode conseguir algo além do que eles conseguiram. Apesar de seus dias na escola serem poucos, a inteligência do garoto não se limita aos espaços escolares. A partir do lixo que há próximo a sua casa, William cria e recria objetos úteis com peças quebradas, sempre dando uma nova perspectiva para o inutilizável.

O Menino que Descobriu o Vento é um poderoso drama biográfico que apesar de basear sua força nos fatos ocorridos, utiliza da moral da força de vontade – atrelada a educação e conhecimento político – para desenvolver seu clímax. Entretanto, é interessante acompanhar a trajetória de um garoto que com sua inteligência atrelada aos poucos recursos que tinha em mãos, conseguiu fazer a diferença em seu país.

O MENINO QUE DESCOBRIU O VENTO | THE BOY WHO WARNESSED THE WIND
3.5

RESUMO:

Em sua estreia como diretor de longa-metragens, Chiwetel Ejiofor conta em O Menino que Descobriu o Vento a impressionante história de um jovem africano.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.