Crítica | ‘Absorvendo o Tabu’: vencedor do Oscar, curta sobre menstruação é um filme que abre os nossos olhos

Não é fácil ser mulher. Esta é uma sentença que poderia ser dita por toda e qualquer mulher em seja qual for a parte do mundo. E nós temos razão, nossas pautas são válidas e merecem atenção. A luta é diária para todas. No entanto, precisamos admitir, a vida da mulher branca ocidental das classes média e alta é um pouco menos complicada. Absorvendo o Tabu

Vencedor do Oscar de Melhor Documentário em Curta-Metragem, Absorvendo o Tabu é simples, curto, mas bastante significativo. A diretora, Rayka Zehtabch, acompanhou um pouco a rotina de mulheres indianas que começaram a trabalhar com uma máquina que fazia absorventes de baixo custo e, através desse trabalho, caminhavam para a independência financeira.

Para mim, o filme foi um lembrete do meu privilégio. Porque eu tenho consciência da guerra travada diariamente contra uma sociedade machista. Eu sei afirmar o que é injustiça ou não. Mas as mulheres da Índia não. Porque não podem, não querem, não entendem, não sabem como. Os conceitos são outros e as ideias também. São tradições e costumes diferentes, uma cultura mais conservadora. Nota-se um conformismo no sentido de que talvez a maioria delas nem compreenda que há outro jeito.

Fica clara a ideia deturpada de menstruação daquela população. O período menstrual é visto como uma doença que acomete apenas mulheres, “sangue ruim”. Elas são proibidas de entrarem em templos por estarem “sujas”. Os homens não sabem de nada e, se sabem, fingem que não. É assunto proibido, uma vergonha, um tabu. E por isso, menos de 10% das indianas utilizam absorventes higiênicos.

É interessante observar, ao final do documentário, a mudança naquela comunidade após a implementação da pequena fábrica de absorventes. As relações sofrem transformações. As mulheres têm seu próprio dinheiro, o que chama a atenção de alguns homens, que buscam agora compreender como funciona aquela atividade.

Disponível da Netflix, Absorvendo o Tabu é uma boa reflexão. Principalmente para as mulheres que, como eu, são tão privilegiadas que podem optar entre usar um absorvente, um “copinho” ou um absorvente de pano para não agredir ao meio ambiente. Enquanto outras utilizam o primeiro pano que encontram e, em alguns casos, até param de estudar em razão da menstruação porque o banheiro é longe demais da escola para se trocarem frequentemente.

ABSORVENDO O TABU | PERIOD. END OF SENTENCE.
5

RESUMO:

Simples, curto, mas bastante significativo, Absorvendo o Tabu é um filme que abre nossos olhos.

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Isa Carvalho

Jornalista e estudante de cinema. Acredita que o cinema é um documentário de si mesmo, em que o impossível torna-se parte do real. "Como filmar o mundo se o mundo é o fato de ser filmado?"