Bohemian Rhapsody | Filme é confirmado na China com cortes de ‘cenas gays’

Depois de fazer sucesso na temporada de premiações e faturar quatro Oscars no último domingo (24), Bohemian Rhapsody recebeu autorização para ser exibido nos cinemas da China. A decisão é uma surpresa para a indústria cinematográfica local do país, em função da postura repressiva de Pequim em relação à personagens gays.

Ainda não há data de lançamento, mas segundo informações do The Hollywood Reporter, o filme deve ser lançado em meados de março.

O longa ultrapassou a marca global de US$ 800 milhões em bilheteria e se tornou a cinebiografia mais bem sucedida da história. E as quatro estatuetas obtidas no Oscar não foi o único feito do filme na temporada de premiação. O longa também faturou um Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama no início do ano.

Porém, haverão ressalvas para o lançamento. De acordo com a publicação, pelo menos um minuto de cortes será feito no filme, removendo retratos do uso de drogas e vários beijos íntimos entre o ganhador do Oscar de Melhor Ator, Rami Malek, e outros atores. Nada muito expressivo para um filme que escondeu grande parte desse segmento da vida de Freddie Mercury, diga-se.

Outro ponto a se observar é que, ao contrário da maioria dos grandes lançamento, Bohemian Rhapsody terá um lançamento limitado na China, cortesia da National Alliance of Arthouse Cinemas (NAAC), uma iniciativa público-privada dirigida pelo governo. Formada em 2016 para cultivar o cinema de arte na China, a organização seleciona títulos de prestígio. Um dos filmes exibidos em 2018 foi Três Anúncios Para Um Crime, indicado em sete categorias – e vencedor de duas – no Oscar em 2018.

No entanto, soa esquisito que o filme protagonizado por Rami Malek receba uma classificação dessas, devido ao seu apelo comercial. No entanto, devemos lembrar que o histórico de filmes com conteúdo gay em solo chinês não é nada bom. O Segredo de Brokeback Mountain, não foi lançado no país, apesar do status de estrela do diretor Ang Lee no país, vencedor do Oscar de melhor direção e primeiro asiático a atingir tal feito.

Mais de uma década depois, a tal “cena gay” de Bela e a Fera foi exibida sem censura nos cinemas em 2017, com aval do Partido comunista da China. Porém, no mesmo ano, o beijo gay entre os ciborgues Walter e David, ambos interpretados pelo ator Michael Fassbender, foi cortado de Alien Covenant.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...