Crítica | ‘A Morte te dá Parabéns 2’ surpreende ao repetir a fórmula sem cair na mesmice

É difícil Hollywood não se deixar levar pelo sucesso inesperado de um longa. Várias sequências são produzidas procurando atingir novamente o público que o original conquistou e, obviamente, lucrar em cima disso. Mas é ainda mais difícil Hollywood tentar criar algo novo em cima do que já deu certo. 

Para os produtores, a decisão mais “acertada” ao criar uma sequência é repetir a mesma fórmula do original. Afinal, o que daria mais certo do que um repeteco do que já é um sucesso? Porém, com A Morte Te Dá Parabéns isso acontece e, ironicamente, não acontece ao mesmo tempo. A decisão aqui parece ter sido pensada e repensada diversas vezes, e tentaram criar algo que não fugisse da fórmula conhecida, mas que também não fosse um copia e cola descarado do filme anterior. 

Chegamos, então, à curiosa história deste segundo longa. O foco inicial é colocado em Ryan (Phi Vu)personagem pouco explorado anteriormente, mas que desta vez ganha uma atenção maior. Ele está desenvolvendo um aparelho tecnológico que foi o que colocou Tree (Jessica Rothe)em um looping temporal. Ryan, ao acordar e perceber que está vivendo o mesmo dia novamente, tenta consertar sua máquina e acaba jogando Tree de volta neste looping infernal. Só que, desta vez, Tree irá viver o mesmo dia diversas vezes em uma dimensão diferente da sua.  

A ideia pode parecer “mais do mesmo”, ou até mesmo repetida, de certa forma. Mas é válido reforçar que os produtores de Hollywood visam trazer de volta algo que já é certo que irá cair no gosto do público que o filme alcançou. O importante é a forma com que resolveram trazer o já conhecido de volta. E aqui, surpreendentemente, a fórmula não se repete por completo e até mesmo riscos são tomados.

O gênero do filme é algo a se discutir. Enquanto o longa de 2017 era um terror light com toques de comédia, esta sequência é muito mais uma ficção-científica de comédia do que qualquer outra coisa. O terror é deixado um pouco de lado para dar espaço a algo que remete muito (segundo os próprios personagens) à De Volta Para o Futuro: Parte IIIsso é um risco, considerando que o público do original era, em sua grande maioria, de fãs de horror. A mudança de gênero poderia cair como uma bomba mas, felizmente, isso não aconteceu. 

Entretanto, não é como se o terror fosse deixado totalmente de lado. Ele ainda está ali. Só que mais discreto. As aparições do Baby Face não foram retiradas, e são elas que dão um toque de suspense e tensão a algo que está, exclusivamente, focado em fazer o público rir. Os assassinatos causados por ele perderam um pouco a inspiração para dar espaço à própria Tree causando suas mortes. A sequência de cenas em que vemos a personagem se suicidando de diversas maneiras diferentes é divertidíssima. Embaladas com uma música pop chiclete (“Hard Times”, do Paramore,para os interessados), elas vão do absurdo ao mais simples sem perder o fio da meada e o humor. 

Isso tudo se dá, principalmente, ao carisma inevitável de Jessica Rothe. Já podendo ser considerada a “scream queen” da nova geração, Rothe se entrega ao papel e parece ainda mais confortável e solta do que no filme anterior. Ela entrega uma boa performance desde o momento mais cômico, até ao mais emocional. E acredite. Há momentos sentimentais aqui, e que mostram que o forte do diretor Christopher Landontambém é fazer chorar. 

Landon está começando a conquistar sua identidade, e consegue se provar como um bom diretor de comédia e, quem sabe futuramente, de drama. Por mais que o humor não funcione a todo o tempo, e seja mais exagerado do que o primeiro filme, ele ainda sabe quando é o momento de fazer rir, qual o momento de fazer chorar, e qual o momento de assustar o seu público. Ele pode parecer descontrolado em alguns momentos pela alta dose de “trasheira” presente aqui, mas ele sabe muito bem o que está fazendo. 

Porém, A Morte Te Dá Parabéns 2 não vive somente de flores. Como dito, o humor não funciona durante toda a projeção, e o ritmo, de início, é bastante inconsistente e cansativo até chegar ao ponto em que precisa. Quando o foco é colocado em Ryan o filme decai consideravelmente. E considerando que ele é o primeiro grande foco da trama, é preocupante que parte do público se perca logo de início. Não há como negar que a estrela é Rothe. Quando o foco não é voltado a ela, não há filme 

Ao final, A Morte Te Dá Parabéns 2 surpreende ao conseguir não cair na maldição do segundo longa. É inovador da sua própria maneira sem tirar os pés da raiz que fez o filme ser o que é. Possui seus problemas, mas todos eles podem ser desconsiderados. Estamos falando de cinema trash. E ele deve ser feito e apreciado da maneira correta. Ou seja, se divertindo. 

A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2 | HAPPY DEATH DAY U2
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RESUMO:

A Morte Te Dá Parabéns 2 traz de volta o carisma de Jessica Rothe sem precisar se desvencilhar totalmente da história do original. Ele inova ao deixar o terror de lado para dar espaço à uma aventura de ficção-científica.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.