Crítica │’Kingdom’ traz uma roupagem inovadora e interessante para o cenário de zumbis

Não é preciso ser um erudito na cultura pop para constatar que o gênero de filmes e séries baseados em zumbis se encontra extremamente saturado. Depois de muitas obras abordando os mesmos temas, fica difícil que haja um respiro nesse consagrado cenário.Kingdom 

Contudo, de vez em quando nos deparamos com produções que apostam em elementos nunca trabalhados antes e, juntando uma boa história, presenteia os fãs com ótimas fontes de entretenimento. E Kingdom é justamente isso, uma fonte de entretenimento que bebe na fonte de um tema já tão abordado, mas que graças à originalidade do roteiro e o cuidado com sua produção, foge do clichê.

A série, ambientada na Coreia do final da Idade Média, narra um período de grande crise no país, quando o príncipe herdeiro Yi-Chang (Ju Ji-hoon), após confrontar a rainha e sua poderosa família, resolve invadir o palácio para ter com seu pai, o imperador, que fora isolado em uma ala em virtude de ter sido contaminado com varíola. Porém, antes que Yi-Chang seja impedido pelos guardas, ele vislumbra uma misteriosa criatura perambulando pelos corredores do palácio.

A partir daí, enquanto a rainha, seu pai e seus subordinados, tramam para prender o príncipe, acusando-o de ter se juntado aos acadêmicos para conspirar em prol do trono, ele parte juntamente com seu devoto guarda-costas pessoal, Moo-Young (Kim Sang-ho) para o pobre distrito de Jiyulheon a fim de encontrar o médico que tratou de seu pai. Para a sua surpresa, ele encontra o vilarejo destruído e infestado de mortos-vivos.

Com muito esforço, os dois conseguem fugir. Depois disso, acabam por se aliar à  enfermeira Seo-Bi (Bae Donna, a Sun de Sense8) e o enigmático Yeong-Shin (Kim Sung-gyu) para criar estratégias para salvar quem puderem do avanço dos zumbis. Enquanto isso, a rainha e seu pai comandam o império graças ao estado do imperador (cuja contaminação de varíola era apenas uma fachada para a verdadeira condição do soberano, que havia se tornado um zumbi após ser tratado com uma misteriosa flor, mas que foi mantido nesse estado e isolado até que o filho da rainha possa nascer, tomando o lugar no trono do príncipe herdeiro uma vez que ele é um filho ilegítimo) e começam a dar vasão às suas maquinações políticas.

O QUE TORNA KINGDOM ESPECIAL?

O diferencial de Kingdom se deve ao precário cenário medieval, que acaba por se tornar mais uma dificuldade para os personagens. Ao contrário de algumas vertentes de produções baseadas em zumbis, os mortos não caminham de maneira lenta e desajeitada. Aqui, eles correm veloz e brutalmente atrás de suas vítimas, proporcionando momentos extremamente angustiantes.

As armas para se defender dos mortos também são extremamente precárias. Espadas e lanças são as formas mais eficientes e as armas de fogo são desajeitadas e consomem tempo para carregar. Outro fator importante se deve ao fato de não haver meios de comunicação rápidos, nem tampouco meios de transporte. As pessoas, pobres e sem tecnologia, se veem extremamente ligadas à natureza.

Além dos fatores que aumentam as dificuldades para que os personagens sobrevivam, Kingdom possui uma trama bem amarrada, com personagens cativantes, alguns alívios cômicos (especialmente os que envolvem os vilões caricatos) e uma produção bastante expressiva (os cenários e figurinos são lindos de se ver).

A direção de fotografia é extremamente bem inspirada, com uso pertinente de lentes, mesclando entre o que se deve mostrar de perto com planos detalhe e grandes planos mostrando o tamanho enorme da ameaça dos zumbis, com lentes extremamente fechadas que proporcionam uma profundidade de campo gigantesca mesmo nas cenas noturnas.

Kingdom é uma série da Netflix que realmente vale a pena ser apreciada. A primeira temporada está disponível na plataforma.

KINGDOM - 1ª TEMPORADA
4

RESUMO:

Kingdom bebe na fonte de uma tema saturado na cultura pop, e aborda de maneira bastante inovadora e empolgante.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...