O Brasil em Berlim: ‘Greta’, ‘Divino Amor’ e ‘Marighella’ se destacam na Berlinale

No dia 13 de fevereiro o filme Greta, estreia de Armando Praça na direção, foi exibido na Mostra Panorama da 69ª edição do Festival de Berlim. O filme é inspirado na peça “Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá” de Fernando Melo e conta a história do protagonista vivido por Marco Nanini, um enfermeiro homossexual fã da Greta Garbo.

A primeira vez que Nanini viu ao filme, foi em sua exibição no festival, tendo sua performance ovacionada pela imprensa após a sessão. O diretor comentou a posição do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro quanto as políticas públicas LGBT e seu descaso com outras minorias do país.

Praça abordou também a atual extinção do Ministério da Cultura, a revisão da Petrobrás quanto ao seu planejamento e apoio as artes, deixando explícito a sua desesperança quanto a repetição de uma grande diversidade de filmes brasileiros nos próximos anos do Festival. Ressaltando que em 2019, 12 filmes nacionais compuseram a programação.

Marco Nanini em “Greta”

Breve história del planeta verde, de Santiago Loza, uma coprodução com a Argentina também fez parte da mostra. O filme acompanha um grupo de amigos que tentam levar uma alienígena para casa como último pedido de um ente querido que se foi.

Outro filme exibido na Mostra Panorama foi Divino Amor de Gabriel Mascaro (Boi Neon). Num Brasil futurístico, uma mulher (Dira Paes) em sua jornada de tentar reconciliar casais que estão prestes a se separar. Fiel frequentadora da igreja Divino Amor, a mesma prega por ambos fundamentos, fé no divino e fé no amor.

O filme teve sua estreia no Festival de Sundance em janeiro deste ano, onde foi muito bem recebido pelos críticos. Em Berlim, o mesmo se repetiu, no final da primeira sessão houveram muitos aplausos e apenas uma vaia.

Divino Amor também foi destaque em Sundance

O documentário Estou me guardando para quando o carnaval chegar, de Marcelo Gomes (Joaquim) foi exibido na Mostra Panorama Documente. O filme acompanha a época favorita dos trabalhadores da indústria têxtil da cidade pernambucana Toritama. Sendo o carnaval querido por eles pois, é quando os costureiros da capital do jeans conseguem uma folga. Além dele, foi exibido na mostra o filme La Arrancada, de Aldemar Matias, coprodução com França e Cuba, na qual acompanha uma jovem tendo que tomar suas próprias decisões.

Marighella, dirigido pelo ator Wagner Moura é outro filme que também levanta uma grande pauta política. O filme está na Mostra Principal, mas fora da competição pelo Urso de Ouro. Na última quinta-feira (14) houve a primeira exibição do filme para a imprensa que aplaudiu o longa no final da sessão.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Wagner contou que seu projeto teve início em meados de 2012, entretanto foi adiado pela onda conservadora que assolou o país, resultando no impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em seguida gerando Jair Bolsonaro no poder do país.

O longa é uma adaptação do livro “Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo”, de Mário Magalhães. E acompanha os últimos dias da vida do guerrilheiro, vivido por Seu Jorge. O elenco ainda conta com Bruno Gagliasso, Adriana Esteves e Humberto Carrão.

O elenco de “Mariguella”, de Wagner Moura, em ato político em Berlim

A Rosa Azul de Novalis é um dos longas apontados como favoritos para o prêmio Teddy, voltado para o cinema LGBT. O documentário dirigido por Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, foi exibido na Mostra Fórum e conta a história de um homem de 40 anos que conta suas memórias de família e de algumas de suas vidas passadas, além de abordar o ânus a partir de um debate social e político.

Outros filmes exibidos na Mostra Fórum foram o documentário Chão, de Camila Freitas, que acompanha o MST aprendendo a mexer com o solo sustentável; a coprodução alemã Querência, de Helvécio Marins Jr., que acompanha um ex-cauboi tentando a vida como locutor; e O Ensaio, de Tamar Guimarães, que foi exibido na Mostra Forum Expanded. O filme é uma coprodução com a Dinamarca e acompanha Isabél Zuaa (As Boas Maneiras) no papel de Isa, uma jovem artista que adapta para o teatro o livro “Memórias Póstumas de Bras Cubas”, abordando temas como racismo, sexismo e memória institucional no Brasil.

Também houve Brasil na Mostra Generation 14plus, onde foi exibido o documentário sobre o movimento estudantil de 2015, Espero tua (re)volta, de Eliza Capai e o curta Rise, na Berlinale Shorts. O filme de Bárbara Wagner é uma coprodução brasileira, canadense e americana que conta a história de jovens excluídos que se empoderam através da música.

O Festival de Berlim vai até o dia 17/02.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.