Crítica | ‘The Umbrella Academy’: 1ª temporada apresenta um universo promissor e bons personagens

Como é bom respirar novos ares! Vivemos uma fase em que filmes e séries de heróis enchem os cinemas, televisões e catálogos de streaming. Parece que a cada semana temos algo novo vindo de grandes estúdios, como Marvel e DC, principalmente. Mas, em meio a essa enxurrada (diga-se positiva, de passagem) é difícil encontrar algo desse gênero que não venha diretamente das mãos desses estúdios tão populares. Felizmente, a Netflix se desvencilhou um pouco do comum, e até mesmo do que estava acostumada com as séries dos universos dos Defensores e Titãs, para dar um novo fôlego ao gênero.

The Umbrella Academy é a mais nova aposta do serviço de streamig, e por sinal, bastante certeira, por mais que não seja isenta de defeitos. Baseada nas HQs de mesmo nome, criadas por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance, e pelo brasileiro Gabriel , a história irá adaptar o primeiro de três volumes já publicados dos quadrinhos.

Bem intrigante logo em sua premissa, a série se inicia mostrando um curioso e misterioso nascimento de 40 crianças que vieram ao mundo ao mesmo tempo. Suas mães não estavam grávidas e se encontraram dando à luz, basicamente, de uma hora para outra. Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore) adota 7 dessas crianças, que acredita possuírem super poderes, com o intuito de criar um grupo de super-heróis para ajudar a salvar o mundo. 

The Umbrella Academy – Christos Kalohoridis/Netflix

Pode parecer que já vimos algo parecido antes: alguém tentando juntar pessoas com super poderes para ajudar no salvamento do mundo. Porém, aqui a dinâmica é diferente. A série não se leva tão a sério e possui um clima bastante debochado. A personalidade de alguns personagens ajuda na criação desse clima descontraído, e afeta positivamente na conexão deles com o público. 

Com isso, é fácil dizer que os personagens são o grande ponto forte da série. Todo o grupo adotado por Hargreeves está, no tempo atual, já adulto, e acompanhamos os integrantes se juntarem por causa da morte de seu pai adotivo depois de muitos anos separados. Após o primeiro episódio, que tem o papel de introduzir todos esses integrantes, cada episódio seguinte é focado em desenvolver um pouco mais de cada um dos 7 personagens principais. Mais ou menos como fez a recente minissérie de sucesso da Netflix, A Maldição da Residência Hill.

É possível se identificar e se importar com cada um desses heróis. Se não for por causa de suas personalidades, os flashbacks que contam um pouco mais do passado deles irão, facilmente, gerar um sentimento maior de conexão. E isso se dá também pela qualidade do roteiro ao desenvolver esses personagens e, claro, pelo carisma que o elenco possui. Ellen Page é o maior nome presente na série e, por mais que em alguns momentos seja a que menos consegue construir uma conexão com o público, a atriz consegue provar, mais uma vez, o talento que possui.  

The Umbrella Academy – Christos Kalohoridis/Netflix

O restante do elenco se sai bem, mas alguns conseguem se destacar. Esse é o caso de Klaus (Robert Sheehan)e o Número Cinco (Aidan Gallagher). Klaus é o mais divertido, e protagoniza boas cenas de comédia, sendo (quase) sempre o alívio cômico da série. Porém, quando seu personagem precisa dar uma brecada nas piadas e focar no seu lado dramático, Sheehan consegue entregar, e muito bem, por sinal.

O Número Cinco é mais debochado. Sempre com cartas na manga e sem paciência para nada, ele se destaca por ser o personagem “mirim” da trama. É interessante notar os trejeitos que Gallagher trouxe ao personagem. Ele cria uma identidade própria, e é um dos poucos que se destaca na ação, se tornando, talvez, uma das grandes apostas mirins para os próximos anos.  

A ação, entretanto, não chama muita atenção. Por mais que tenha boas cenas pingadas aqui e ali, muitas delas se destacam por causa dos poderes dos personagens. Se forem olhadas como um todo, elas não impressionam, e algumas parecem ter sido até pobremente coreografadas. É uma pena, pois o potencial era enorme. 

The Umbrella Academy – Christos Kalohoridis/Netflix

Os vilões também são outro problema. Sim, vilões. Há mais de um vilão aqui, e todos eles não possuem a força suficiente para se tornarem memoráveis. Eles não são levados muito a sério, mas nem mesmo para o humor acabam funcionando. A proposta não era criar vilões extremamente perigosos e amedrontadores. Mas era esperado um pouco mais de carisma e eficiência vindo deles. O roteiro ainda tenta criar tramas paralelas que acabam não funcionando e servindo apenas como uma distração pouco interessante da trama principal.  

Felizmente, a série se segura bem com seus personagens principais, e reviravoltas eficientes. Pode parecer fácil prever para onde a trama está seguindo. Porém, não se engane, há boas surpresas no meio do caminho. O universo criado aqui é interessante e diferente do habitual, se destacando por fugir do clichê, e trazer novos ares à um gênero que vem caindo na mesmice cada vez mais.  

The Umbrella Academy é um bom entretenimento. A série acerta em cheio nos seus personagens e na criação de um novo universo, mas peca nos vilões, deixando a ameaça menos impactante do que deveria. O ritmo pode acabar incomodando algumas pessoas, e impedindo de fazer uma maratona de uma sentada só. Isso seria facilmente consertado se fossem 8 episódios ao invés de 10 (conferimos 9 dos 10). Porém, vale a pena tirar um tempo para conhecer esse novo grupo de heróis. 

Vida longa à The Umbrella Academy!

The Umbrella Academy – Christos Kalohoridis/Netflix
THE UMBRELLA ACADEMY
3.5

RESUMO:

The Umbrella Academy traz um grupo de heróis diferente do convencional. É divertida, possui bons personagens e boas reviravoltas. Porém, derrapa na introdução de vilões sem carisma.

* The Umbrella Academy estreia dia 15 de fevereiro na Netflix.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.