22ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Pluralidade de conteúdos audiovisuais, intensa programação gratuita e diálogo com a diversidade

22ª Mostra de Cinema de Tiradentes, realizada de 18 a 26 de janeiro, movimentou a cidade mineira com a oferta de uma programação abrangente, intensa e gratuita. Em nove dias de evento, mais de 37 mil pessoas foram beneficiadas e lotaram as sessões de cinema, debates, oficinas e atrações artísticas.

Considerada a maior manifestação do cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão. Busca refletir e debater, em edições anuais, o que há de mais destacado e promissor na nova produção audiovisual brasileira, em longas e curtas, em qualquer gênero e em formato digital.

O evento abriu o calendário audiovisual brasileiro e apresentou um conjunto de filmes com estéticas, linguagens e temáticas contemporâneas. Além disso, colocou em pauta questões relacionadas às identidades, liberdades individuais e processos narrativos, por meio da exibição de filmes, debates, rodas de conversa e performances artísticas e musicais, promovendo, desta forma, um encontro pelo cinema em diálogo com as outras artes e com a diversidade.

Confira alguns destaques do encontro:

Temática e Homenagem

 Com a temática “Corpos Adiante”, a curadoria buscou encontrar, tanto nas representações estéticas do audiovisual, quanto nos acontecimentos recentes do noticiário brasileiro e mundial, as relações possíveis entre corpos que ocupam os espaços que o tempo contemporâneo lhes oferece e, muitas vezes, tenta lhes atribuir, partindo desses conceitos para chegar à arte como exaltadora do corpo – não apenas dentro do cinema e das imagens em movimento, mas também por meio de outras manifestações, como as artes visuais, o teatro e a performance.

Em 2019, a Mostra Tiradentes prestou homenagens à atriz, dramaturga e diretora mineira Grace Passô – destaque da cena cultural brasileira. A escolha deste nome motivou uma iniciativa inédita: pela primeira vez, a Mostra Tiradentes contou, em sua abertura, com a exibição de um filme realizado especialmente para o evento. O média-metragem Vaga Carne, dirigido pela homenageada e pelo cineasta Ricardo Alves Jr., é uma transcrição da peça teatral de mesmo nome em linguagem cinematográfica.

Cinema Contemporâneo: Longas e Curtas

Nas telas, a exibição de 108 filmes (28 longas, 2 médias e 78 curtas-metragens), em 49 sessões de cinema. Na programação de longas e médias-metragens foram exibidos 30 títulos em pré-estreia divididos em sete Mostras Temáticas (Aurora, Olhos Livres, Homenagem, Corpos Adiante, Praça, Mostrinha Valores), além dos filmes de encerramento. A seleção foi feita por Lila Foster e Victor Guimarães, com coordenação de Cleber Eduardo. Os filmes vêm de nove estados: Rio de Janeiro (7)São Paulo (6), Minas Gerais (5), Ceará (3), Bahia (2), Acre (2), Goiás (2), Pernambuco (2) e Paraíba (1).

Já os curtas somaram um total de 78 produções, vindas de 13 estados do país. 

Seminários e debates

Extensão fundamental da programação de filmes na Mostra Tiradentes, o 22º Seminário do Cinema Brasileiro contou com a participação de 86 profissionais no centro de 36 debates – críticos, jornalistas, pesquisadores, profissionais do audiovisual e seis convidados internacionais. Dois deles, a crítica e pesquisadora francesa Claire Allouche e o crítico e programador argentino Roger Koza, integraram o Júri da Crítica, responsável pela escolha do melhor longa da Mostra Aurora e do melhor curta da Mostra Foco – foi a primeira vez convidados internacionais participaram desta seleção.

As demais presenças internacionais foram os argentinos Diego Lerer, representando a Quinzena dos Realizadores de Cannes, e Violeta Bava, representante do Festival de Veneza; a equatoriana María Campaña Ramia, programadora de festivais do México, Holanda e Equador; e a francesa Mathilde Henrot, representante dos festivais de Sarajevo e de Locarno.

Formação e capacitação audiovisual

Desde sua primeira edição, em 1998, a Mostra Tiradentes promove oficinas audiovisuais gratuitas, visando à formação e capacitação para o mercado de cinema e criando oportunidades para novas gerações de atores e realizadores. Trata-se de uma iniciativa de vanguarda no circuito de mostras e festivais, sempre em processo de aprimoramento. Em 2019, foram 10 oficinas e 270 vagas para atender públicos e interesses diversos, de olho na qualificação e desenvolvimento da indústria audiovisual em Minas Gerais e no Brasil.

A principal novidade das oficinas deste ano foi a interação com as novas tecnologias da área, especialmente os smartphones.

Diálogo com outras expressões artísticas

O Cortejo da Arte, uma das mais tradicionais atrações da mostra, percorreu as ruas tricentenárias da cidade com a regência e animação de bandas, grupos e artistas convidados, rumo à praça principal, local que também recebeu a Mostra Valores e apresentou, em 2019, a Apae Tiradentes, por meio da instalação de painéis e escritos sobre alunos, educadores e a própria instituição.

Outras duas exposições marcaram esta edição da Mostra de Cinema de Tiradentes: a Mostra Homenagemmontada em painéis no Cine-Tenda, que apresentou a trajetória da atriz, dramaturga e diretora mineira Grace Passô; e a Mostra Cinema Brasileiro Contemporâneo, inspirada no conceito deste ano, “Corpos adiante”.

Premiados: Goiás se destaca

O cinema goiano foi o grande vencedor da premiação da 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A cerimônia de encerramento consagrou os longas-metragens Vermelha, de Getúlio Ribeiro, escolhido como melhor da Mostra Aurora pelo Júri da Crítica e ganhador do Troféu Barroco e de prêmios de parceiros do evento; e Parque Oeste, de Fabiana Assis, que levou o Troféu Carlos Reichenbach, dado pelo Júri Jovem ao melhor título da Mostra Olhos Livres.

Prêmio Helena Ignez 2019, oferecido pelo Júri da Crítica a um destaque feminino em qualquer função nos filmes da Aurora e Foco, foi para a montadora Cristina Amaral, pelo trabalho realizado em Um Filme de Verão, de Jô Serfaty.

Pela Mostra Foco, o Júri da Crítica escolheu o curta-metragem Caetana, produção da Paraíba com direção de Caio Bernardo.

O Prêmio Canal Brasil de Curtas, que oferece R$ 15 mil a um curta também da Foco, foi para Negrum3 (SP), de Diego Paulino. Este mesmo filme levou prêmio na categoria de Júri Popular.

Em longa-metragem, o Júri Popular escolheu a produção carioca Meu Nome é Daniel, de Daniel Gonçalves. O diretor estava no Cine-Tenda e agradeceu o reconhecimento a seu trabalho. “Deve ser a primeira vez que uma pessoa com deficiência conta a sua própria história no cinema”, celebrou.

Trajetória

Em 22 edições, a Mostra Tiradentes beneficiou um público estimado em 756 mil pessoas. Proporcionou o acesso gratuito e democrático aos bens culturais com a oferta de uma programação que reúne ações de formação, reflexão, exibição e difusão. Na soma da sua trajetória, o evento já exibiu 2.754 filmes em 970 sessões de cinemapromoveu 231 oficinas e certificou 6.704 alunos e promoveu 22 seminários, 28 cortejos, 48 exposições temáticas, 71 espetáculos de rua, 179 shows e performances cênico-musicais. Recebeu mais de 8.500 convidados – entre autoridades, cineastas, produtores, atores, críticos de cinema e profissionais do audiovisual. A imprensa foi representada por 1.626 profissionais de jornais, televisões, rádios e internet de todo o Brasil.

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