Crítica | Adam Mckay entrega um filme provocativo e divertido em ‘Vice’

Percorrendo um caminho similar de seu antecessor A Grande Aposta, o diretor e roteirista Adam McKay agora nos traz em Vice a história de vida de Dick Cheney, polêmico ex vice-presidente dos EUA e grande arquiteto da guerra do Iraque, em um filme provocativo e divertido.

Aqui encontramos um roteiro ácido, preciso e assertivo, escrito pelo próprio McKay, que vai direto ao ponto e nada em um mar de intertextualidades, metáforas e comparações – quebras de quarta parede, metalinguagem, “memes” e por aí vai. Tornando um filme biográfico e de temática pesada em um filme dinâmico, chamativo, divertido e aberto para diversos espectadores, sem perder a profundidade e a seriedade dos temas propostos.

Ao assistir Vice é de se perceber como Mckay parece estar numa vanguarda – Em termos artísticos claro. Sua obra não só percebe as familiaridades e os hábitos que as pessoas mantém com o audiovisual hoje em dia como também consegue tirar proveito disso se utilizando de diversos recursos que apenas uma obra audiovisual pode conter e transmitir – É cinema puro e em todos os seus aspectos!

No filme acompanhamos Dick Cheney, através de uma conturbada e irresponsável juventude até fazer uma promessa a sua esposa e iniciar sua gananciosa jornada no campo político. Porém, não acompanhamos os eventos necessariamente nesta ordem.

Vice apresenta uma grande dualidade narrativa onde o espectador percebe um leve enfrentamento entre a exposição crítica de fatos polêmicos sobre o vice-presidente como: sua ganância feroz, sua participação nos planos da guerra do Iraque e sua posição sobre a tortura física em determinados momentos. Mas, ao mesmo tempo, o filme nos apresenta uma constante humanização do personagem. Dick não é um monstro e simpatizamos com ele até os créditos subirem. Este recurso traz consigo o recheio principal deste filme, pois nele está dualidade a uma vitória, para saber qual é preciso assistir ao filme – e não deixar de ver a cena pós crédito!

Ainda há muitos atributos que levam Vice ao patamar de um grande filme, mas não podemos deixar de falar da excelente bancada de atores com Christian Bale como destaque principal. É impossível comentar a bela atuação de Bale sem destacar a sensacional maquiagem que o cerca. E não só a dele, o trabalho de maquiagem feito em Sam Rockwell, ator que dispensa elogios, para caracterizar George W. Bush é algo que impecavelmente bem feito.

Voltando a Bale, aqui temos um ator que se entrega fisicamente ao papel, mergulha em ideologias contrarias as suas e nos brinda com um protagonista, empático, carismático, provocador, crível e que pode demorar um pouco para sair da sua cabeça.

Ainda merecemos mais um parágrafo só para poder citar o ótimo trabalho de Steve Carell no papel de Donald Rumsfeld, mentor de ocasião de Dick, também o já mencionado Sam Rockwell e seu George Bush dos bastidores – polêmico e ácido. E para fechar temos uma Amy Adams dando vida a uma mulher controvérsia, profunda e muito difícil de representar.

Vice conta com um roteiro rico e inteligente, um elenco feroz, uma edição dinâmica e tem muito a dizer para diversas pessoas diferentes. Faz jus a todas as estatuetas em que foi indicado e não pode passar despercebido.

VICE
4.5

RESUMO:

Dinâmico, ácido e inteligente, Vice tem a marca pessoal de Adam McKay, que mais uma vez entrega um filme acima da média.

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Matheus Amaral

Formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.