Crítica │ ‘O Justiceiro’: 2ª temporada conta com boas cenas de ação, mas entrega uma história sem ritmo e problemática

A Netflix possui uma forma específica de produzir suas séries originais, em especial as séries originais com parceria com a Marvel. Sejam nas temporadas de Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de FerroOs Defensores e o próprio O Justiceiro essa fórmula se mantém em praticamente todas as estruturas de roteiro. Porém, isso não significa que seja uma garantia de sucesso.

O grande problema com essas séries não está em seus personagens ou em sua ambientação. Os personagens (especialmente os protagonistas e alguns dos coadjuvantes) são extremamente cativantes e suas habilidades especiais os tornam heróis dignos de destaque. O nível das histórias começa a despencar conforme os episódios vão se desenrolando e a impressão que dá é que existe uma grande “barriga” entre o começo e o final da temporada.

Mesmo sendo lançada após uma ótima terceira temporada de Demolidor (temporada esta que conseguiu subverter esses problemas de narrativa e entregou uma temporada emocionante praticamente do começo ao fim), a segunda temporada de Justiceiro vinha com uma grande promessa. Que não foi entregue.

A temporada começa acompanhando o protagonista Frank Castle (Jon Bernthal) após ter sobrevivido à uma guerra com o objetivo de descobrir quem eram os responsáveis pela morte de sua família e, claro, se vingar brutalmente deles. Agora ele está vivendo como um fantasma, sendo que as agências do governo o declararam como morto e as autoridades não mais o perseguem. Castle, sem um propósito estabelecido, busca viver sem muitas agitações, um dia de cada vez, perambulando sem rumo de cidade em cidade à procura de algo que nem mesmo ele compreende o que é.

Em uma de suas andanças, Castle acaba parando em um bar qualquer e se envolve com uma garçonete. Ele passa a noite com ela e após um momento sincero entre os dois e conhecer o filho dela, resolve permanecer na cidade, a fim de conhece-la melhor. Mas a vida de Frank não é um mar de rosas e uma vida pacata não está reservada pelo destino para o Justiceiro. É então que ele percebe que uma garota está sendo perseguida por um grupo de criminosos e resolve intervir. A partir daí, começa a se seguir uma série de combates sangrentos que jogam o ex-militar novamente em uma guerra de proporções explosivas (literalmente).

Os primeiros momentos da série são realmente empolgantes, com Frank mostrando a que veio e executando coreografias de luta brutais e sangrentas, com muito uso de gore. E, realmente, as cenas de ação são o ponto alto da série toda, pois o restante praticamente todo é prejudicado.

O grande problema acontece quando as cenas param de se desenvolver. Existe um número exorbitante de momentos desnecessários, em que os personagens se mantêm estáticos. Esses momentos não fazem a trama avançar e ainda tornam o ritmo maçante. Os diálogos do vilão Billy Russo (Ben Barnes) com a Doutora Dumont (Floriana Lima) são extremamente parecidos, chegando a dar a impressão de que estão fazendo praticamente os mesmos diálogos episódio após episódio.

Mas o principal vilão da primeira temporada não é o único vilão aqui, pois agora existe uma família de poderosos criminosos – cuja ostentação de riqueza flerta em desenvolver algum tipo de crítica social, mas que se mostra completamente infrutífera ao ser executada de qualquer jeito na estrutura da série – que contratam perigosos assassinos, liderados pelo misterioso assassino religioso John (Josh Stewart) Mesmo com visuais interessantes e atores bem escalados, não há nenhuma performance digna de destaque, mas isso não se deve necessariamente ao talento dos atores e sim, fica a encargo do roteiro frágil assumir a culpa por esse fato.

Dessa forma, com vilões cujo arco dramático não atinge proporções convincentes, nunca existe uma real ameaça. São todos apenas peões para serem derrotados por Castle.

Um pequeno fator que chega a incomodar em alguns momentos é a invencibilidade de Frank. Em um período extremamente curto de tempo, o personagem sofre danos descomunais em seu corpo e se recupera com uma velocidade inexplicável. Tudo bem que se trata de um personagem de histórias em quadrinhos e que nesse universo criado pela Marvel em parceria com a Netflix. Personagens como Mathew Murddock sofrem graves lacerações e continuam lutando, ainda assim, na segunda temporada de O Justiceiro, isso chega a ser algo que abala a suspensão da descrença.

Os coadjuvantes, apesar de possuírem bastante tempo de tela e desenvolverem seus arcos próprios, nenhum deles possui uma história muito empolgante. A nova protegida de Frank, Amy (Giorgia Whigam) possui um background pouco inspirado e que beira o inverossímil. O motivo pelo qual um grupo de assassinos bem treinados e a quantidade de recursos que é gasta para se livrar dela é difícil de aceitar.

A agente Madani (Amber Rose Revah) entra em um ciclo de trauma que não leva a lugar algum. O ex-fuzileiro e aliado de Frank e Russo, Curtis (Jason R. Moore) executa mais do mesmo que já havia apresentado na temporada anterior. Nem mesmo a aparição da repórter Karen Page (Deborah Ann Woll) é capaz de salvar a trama quando vem pra solucionar os problemas dos protagonistas de uma forma que beira o infantil, interagindo com policiais cuja competência é extremamente baixa.

Em suma, a 2ª temporada de O Justiceiro mostra mais momentos “badass” de Frank Castle, mas apresenta uma trama não muito inspirada e os episódios se desenrolam em um ritmo maçante e cheio de problemas.

O JUSTICEIRO - 2ª TEMPORADA
2.5

RESUMO:

A segunda temporada de O Justiceiro possui cenas de ação que impressionam, mas a falta de ritmo e a quantidade de episódios não empolgam.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...