Crítica | ‘Titãs’: 1ª temporada acerta o tom e não tem vergonha de ser nerd

Enquanto no cinema a Warner tem feito mudanças para encontrar a maneira certa de construir um universo DC nas telonas, desde 2012, com a estreia de Arrow, as séries de TV da DC conseguiram formar um universo bem construído, atraindo diversas novas gerações de fãs de heróis, e que tem seus próprios grandes eventos, por meio de grandes crossovers, sendo o último “Elseworlds”, com esse apresentando as telinhas a Batwoman. E já esse universo bem estabelecido, a mais nova série da DC, Titãs, pode gerar um segundo universo dos heróis da Warner na TV.

A série conta a história de Rachel, uma jovem que após conviver com poderes que teme durante toda a vida, vê sua mãe sendo morta por um estranho que invade sua casa afirmando que seu pai está em sua procura. Após conseguir escapar, Rachel consegue encontrar Dick, o Robin, que após algum tempo afastado de sua identidade secreta, ainda vive um conflito ao não saber o porquê de ainda estar lutando. E para ajudá-los nessa missão, eles também terão a ajuda de Kory, uma mulher que consegue manipular fogo, porém não tem memória nenhuma de sua vida até dias atrás, e Garfield, um jovem capaz de se transformar em animais, que, porém, ainda não entende completamente seus poderes.

Essa nova versão dos Jovens Titãs conta com o elenco formado por Anna Diop no papel de Estelar, Brenton Thwaites (de Malévola e Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar) como Dick Grayson, Teagan Croft como Ravena, e Ryan Potter (de Operação Big Hero) como o herói Mutano. O elenco entrega boas atuações, em que os destaques ficam para Diop, que consegue mostrar uma personagem extremamente forte, mesmo fragilizada pela perda de memória, e Thwaites, com seu Robin extremamente violento e perdido.


Desde o vazamento da sua primeira imagem, a produção já causava preocupação a seus fãs, devido ao visual colorido e extremamente diferente dos vistos nas animações clássicas. Quanto a isso, é correto afirmar que o visual e o tom da série explora Os Jovens Mutantes de uma maneira nunca vista antes, porém é errado dizer que isso é algo negativo.

Com o uso de extrema violência, linguagem pesada e temas adultos, Titãs se destaca exatamente por se afastar do clima das outras séries da DC, e ir mais para o lado sombrio e realista que o cinema tem tentado fazer a algum tempo, se assemelhando até a clássica trilogia do Batman de Christopher Nolan.

Porém, mesmo com o tom mais realista a série não tem vergonha de usar e abusar de referências das clássicas HQs, não só nas cores das vestimentas de seus personagens principais, mas na aparição de diversos personagens, como a dupla Rapina e Columba e Moça Maravilha. Até o grupo A Patrulha do Destino, que ganhará sua própria série, é introduzida aqui, mostrando que a DC já tem planos para um segundo universo de heróis na TV.

Uma outra diferença entre Titãs e as séries do conhecido Arrowverse é no número de episódios, o que impacta diretamente na maneira que a história é contada. Ao invés do formato episódico, com cada episódio apresentando um vilão diferente a ser derrotado, que vem sendo apresentado desde Arrow, os 11 episódios de Titãs foca em contar apenas uma história do começo ao fim. Porém, com a decisão de remover o episódio de número 12, para transmitir como o episódio de estreia da segunda temporada, a sensação que fica ao terminar Titãs é de uma história não finalizada, o que pode frustrar alguns.


Sem vergonha nenhuma de mostrar sua origem dos quadrinhos, Titãs traz em sua primeira temporada uma das melhores estreias da DC para a TV, com boa história e personagens humanos.

TITÃNS - 1ª TEMPORADA
4.5

RESUMO:

Em seu primeiro ano, Titãs traz uma trama que prende desde o primeiro episódio, sem vergonha de ser nerd.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.