Crítica | ‘Desventuras em Serie’: 3ª temporada traz um desfecho emocionante para a jornada dos órfãos Baudelaire

A terceira temporada de Desventuras em Série, desde o primeiro episódio, já deixa claro que está rumando para o término da jornada do trio de protagonistas, uma vez que o próprio narrador já deixa isso explícito logo em seus primeiros monólogos.

Com um ritmo ligeiramente mais acelerado em comparação às temporadas anteriores, algumas ferramentas de narrativa perduram, especialmente no que se relaciona à adaptação dos livros que deram origem à série. Agora os temas giram em torno dos títulos O Escorregador de Gelo, A Gruta Gorgônea, O Penúltimo Perigo e Fim.

Alguns elementos consagrados na série se mantém nessa terceira temporada, como por exemplo, a engenhosidade do Conde Olaf (Neil Patrick Harris) em usar disfarces que enganam completamente os estúpidos e ignorantes personagens coadjuvantes, estes que por sua vez, parecem sempre propícios a acreditar nos mais absurdos estratagemas elaborados pelos vilões. As piadas, como sempre, funcionam perfeitamente, encaixando-se como uma luva nesse cenário fantástico e proporcionando momentos hilários.


Os personagens coadjuvantes seguem a mesma regra de sempre, eles são meros degraus para a trama e apesar de muitos serem bastante cativantes e interessantes, a maioria se mostra unidimensional e rasos, o que não chega a ser um problema, uma vez que a proposta é que eles funcionem dessa maneira. Os cenários estão menos coloridos (não muito) do que os apresentados na temporada anterior. É incrível observar com tenção a mise em scéne, pois tudo é bem elaborado e bem organizado. A profundidade de campo é outro elemento bastante chamativo que está presente na belíssima direção de fotografia. Há cenas em que existem tantos pequenos elementos e objetos em cena, que chegam a fascinar os olhos.

Os capangas de Conde Olaf, acostumados a sofrer os maus tratos de seu mestre, acabam por finalmente se rebelar e mesmo a parceria com a vilã Esmé Squalor (Lucy Punch) é abalada nessa empreitada. Interessante também é conhecer os misteriosos e cruéis mentores de Olaf, personagens sinistros que são chamados apenas por Homem Sem Cabelo e com Barba (Richard E. Grant) e Mulher Com Cabelo e Sem Barba (Beth Grant). Entre os capangas, um dos que sempre teve mais destaque, desde a primeira temporada, inclusive por sempre ser o assecla mais fiel do vilão, foi o Homem Gancho (Usman Ally) e também é o responsável por um dos plot twists mais marcantes da terceira temporada, rendendo um ótimo desfecho para o personagem.

A trama que envolve a Organização Secreta finalmente é revelada, bem como a origem do lado perverso de Olaf e sua inclinação para o mundo do crime. Mesmo o narrador Lemony Snicket (Patrick Warburton) finalmente participa de maneira ativa na história, tornando-se um personagem importante na vida dos Baudelaire.

Quanto ao trio de protagonistas, eles continuam carismáticos e continuam mantendo a trama sempre em movimento, graças às suas engenhosidades, contudo, em alguns momentos, talvez em decorrência da urgência em fechar todos os ganchos abertos durante toda a narrativa (ou pelo menos, a maioria deles, pois os episódios ainda deixam algumas perguntas sem resposta), pode-se sentir que os protagonistas estão sendo movidos no piloto automático. É algo tênue e que provavelmente só vai abalar o público mais atento, mas existe a impressão de que está faltando alguma coisa. Mas isso não chega a estragar a experiência, nem tampouco fazer com o público se decepcione com os irmãos Baudelaire, que tanto agradam aos fãs.

Diferente dos protagonistas, que tem um final interessante, mas que alguns poderiam dizer que poderia ser melhor, o desfecho do Conde Olaf (que continua incrível em tela, durante todos os momentos em que aparece) é muito melhor acertado. Tudo que foi construído sobre o personagem, suas mágoas, sua personalidade vilanesca e também seus (raros) traços bondosos, são aproveitados, rendendo uma das cenas mais emocionantes de toda a série.

A 3ª Temporada de Desventuras em série pode não ser perfeita, mas com certeza rende ao expectador uma experiência extremamente divertida e uma despedida emocionante de personagens tão queridos pelo público e que com certeza vão deixar saudades.

DESVENTURAS EM SÉRIE - 3ª TEMPORADA
4

RESUMO:

Com um ritmo mais acelerado mas sem perder a essência das duas primeiras temporadas, Desventuras em Série apresenta um desfecho emocionante e satisfatório.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...