Crítica | ‘A Esposa’ é uma relevante história sobre um relacionamento tóxico e abusivo

Glenn Close. É possível resumir A Esposa a apenas este nome. Atriz consagrada na indústria, e reconhecida e premiada por diversos papéis em sua carreira. Bastante conhecida por suas performances em Atração Fatal, 101 Dálmatas, e na série de TV Damages. E agora, mais do que nunca, está perto (se a justiça for feita!) de ganhar seu primeiro Oscar, depois de tantos anos sendo indicada e ir embora de mãos abanando da cerimônia. Glenn Close! Guardem este nome.

A Esposa é um daqueles filmes feitos especificamente para uma atriz. Parece que toda a direção e roteiro foram feitos pensados em cima de Glenn. Se estamos certos ou não, não saberemos. Mas não é um tiro no escuro apostar nessa teoria. O filme é dela. Apesar de ter muitos pontos fortes ao deixar a atuação de Close de lado, o que faz o filme ser o que ele é, é sua musa.

Mas, focando em sua história, A Esposa irá seguir a vida de Joan e Joe Castleman (Close e Jonathan Pryce). Casal que desde o princípio mostra-se possuir um certo desconforto. Ele, um escritor de sucesso, e prestes a receber o prêmio de Nobel de literatura. Ela, apenas sua esposa. Ao viajarem para a cerimônia de recebimento do prêmio, o casal começa a desmoronar, e as verdades começam a aparecer.


Talvez a melhor palavra que descreva a experiência de assistir ao filme seja: surpreendente. A pouca divulgação, e a pouca força dele para a temporada de premiações pode afastar o grande público de assisti-lo. Mas, quem decidir se arriscar, será positivamente surpreendido. A história, a princípio, pode parecer batida, e até mesmo previsível, mas a força que seu elenco, e a qualidade do roteiro, elevam a experiência e tornam o filme algo surpreendente e, algumas vezes, bastante intenso.

Como dito, Glenn Close é o auge do filme. Ela entrega a melhor atuação de sua carreira, trazendo uma personagem que diz muito com o olhar. É possível dizer exatamente o que Joan está sentindo apenas reparando em seus olhos e a maneira como se posiciona fisicamente. Ela passa boa parte do filme controlando seus sentimentos, e tentando mostrar total apoio ao marido, mesmo que esteja desmoronando por dentro. Ao final, vemos a personagem explodir, e é onde Close consegue atingir o auge de sua atuação.

Joan viveu sua vida inteira escondida e em cima de uma mentira. Todo o seu relacionamento foi construído a base da esposa ficar nas sombras, e o marido ser reconhecido e colocado ao estrelado. Era de se esperar que toda essa reclusão da personagem fosse colocada para fora uma hora ou outra, e quando é colocada, além de Close atingir seu auge, é onde o filme mostra o seu melhor. A cena de discussão entre o casal é poderosa.


O filme dirigido por Björn Runge procura trazer alguns núcleos paralelos a trama principal, e consegue entregar algo relevante em todos eles. O núcleo de Joe prova ainda mais que todo o amor que recebeu de Joan durante o relacionamento não foi merecido. E o núcleo de Joan com o jornalista (Christian Slater) interessado em escrever uma biografia de seu marido, é onde a personagem entende que de uma vez por todas que toda sua vida e relacionamento foram construídos de forma abusiva e tóxica.

Com excelentes diálogos, elenco afiadíssimo e um roteiro simples, mas ao mesmo tempo relevante, A Esposa é um surpreendente filme sobre relacionamento tóxico e suas consequências. É difícil dizer se a Academia será justa com Glenn Close este ano. Mas, com toda certeza, o prêmio não seria injusto caso fosse entregue a ela. Definitivamente, não percam esse filme.

* Em 6 de janeiro de 2019, Glenn Close conquistou o Globo de Ouro  por este papel.


A ESPOSA | THE WIFE
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RESUMO:

A Esposa é uma importante e relevante história sobre um relacionamento tóxico e abusivo. Glenn Close mostra o melhor de sua atuação aqui, e definitivamente, merece ser lembrada na temporada de premiações.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.