Lista | Distopias: o autoritarismo da ficção próximo da nossa realidade

Uma das principais características da arte é a retratação da realidade, seja ela pura e real ou uma ficcional. Por mais imaginativa que uma obra cultural possa ser, ela sempre possui elementos baseados em um cotidiano sócio temporal. Dentre as fontes de inspiração para a criação de tais elementos, a política e as questões sociais são assuntos abordados de maneira recorrente em filmes e séries. Dessa forma, diretores, roteiristas e produtores podem utilizar suas obras como forma de protesto e conscientização social sobre questões que os mesmos consideram importantes.

A polarização política é um dos fatores que corrobora o surgimento de regimes autoritários e extremistas, que utilizam argumentos conservadores e ultrapassados para controlar populações. O fascismo alemão, mundialmente conhecido como nazismo, que teve Adolf Hitler como principal personagem, é um triste exemplo de como esse tipo de regime pode ser prejudicial.

Outro momento histórico de importância nacional foi o regime ditatorial brasileiro, iniciado com um golpe militar em 1964, que infringiu os direitos humanos, censurou a imprensa, dentro outros aspectos. Baseado no recente surgimento de diversos expoentes que defendem a bandeira do autoritarismo pelo mundo, criamos uma lista de filmes e séries que exemplificam, através de distopias ficcionais, esses regimes autoritários que estão próximos da nossa realidade.

Fahrenheit 451 (1966)


Lançado em 1966 e dirigido por François Truffaut, o filme foi baseado no livro homônimo de Ray Bradbury. A narrativa relata uma sociedade tecnologicamente avançada em que a literatura e o conhecimento são cerceados pelo governo, com a finalidade de evitar o ócio e as revoltas populares. Segundo o sistema controlador, a literatura torna as pessoas agressivas e questionadoras. Fahrenheit 451 é um excelente filme, que retrata a alienação da sociedade através da deturpação dos fatos e informações. Em 2018, a HBO lançou um remake, protagonizado por Michael B. Jordan e Michael Shannon.

V de Vingança (2005)


Baseado na graphic novel de Alan Moore, V de Vingança mostra uma Inglaterra ocupada por um regime fascista após uma guerra mundial. Em busca de liberdade, V, um desconhecido mascarado, utiliza técnicas agressivas e violentas como forma de protesto para lutar contra o governo totalitário. O filme conta com Natalie Portman, Hugo Weaving e John Hurt no elenco.

Jogos Vorazes

Estrelado por Jennifer Lawrence, o longa é baseado em uma trilogia de livros da autora americana Suzanne Collins. Panem controla um total de 12 distritos, onde escolhe um jovem de cada um deles para se enfrentarem até a morte em um desafio anual. Segundo a administração governamental, esse torneio é organizado para que a ordem social seja estabelecida. Jogos Vorazes é um ótimo blockbuster para refletir sobre consciência de classe.

Expresso do Amanhã


Embora esse filme seja o menos famoso da lista, é um excelente feito do diretor sul-coreano Bong Joon-ho. Após um desastre climático, o mundo vive outra era do gelo, onde os únicos sobreviventes vivem em um trem em constante movimento e são separados por suas classes sociais. Expresso do Amanhã retrata bem a dominação através da exploração social. A interpretação fenomenal de Tilda Swinton agrega muito valor ao resultado final. A talentosa atriz britânica divide a tela com Chris Evans, John Hurt, Jamie Bell e a ótima Octavia Spencer.

Uma Noite de Crime


De todos os citados, esse talvez seja o menos totalitário, mas é igualmente bizarro e macabro. Com o intuito de diminuir a violência nos EUA, o congresso americano aprovou uma lei que permite que todos os tipos de crime, incluindo assassinatos e estupros, sejam cometidos durante o período de 12 horas. Uma Noite de Crime acompanha a saga de uma família que tenta sobreviver a esse acontecimento conhecido como expurgo. Lena Headey e Ethan Hawke estrelam esse suspense.

Mad Max: Estrada da Fúria


O mais recente capítulo da famosa franquia de George Miller retrata um mundo pós-apocalíptico com poucos recursos dominado por Immortan Joe. O tirano utiliza a água como principal fonte de controle sobre seus súditos. Ao tentar ajudar a imperatriz Furiosa a salvar um grupo de garotas, Max desperta o ódio do vilão. Segundo blockbuster da lista, Mad Max: Estrada da Fúria nos ajuda a refletir sobre a dominância através de um elemento essencial para a sobrevivência humana. Nessa distopia, quem controla a água, controla tudo.

The Handmaid´s Tale


É a única série da nossa lista. Porém, foi deixada por último por ser o exemplo mais assustadoramente real de como a democracia pode dar lugar a um regime fundamentalista e totalitário. Baseado em “O Conto da Aia”, a excelente obra literária da escritora canadense Margaret Atwood, a premiada série mostra o destino dos EUA após um ataque terrorista por parte de um grupo religioso que culmina com a morte do presidente e de boa parte do congresso americano. Abordando assuntos como dominação religiosa, sexismo e a inferiorizarão da mulher, The Handmaid´s Tale mergulha de forma brilhante em uma distopia opressora.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.