Estudo aponta que cineastas negros conseguiram destaque em 2018, mas com as mulheres não foi o mesmo

Cineastas negros fizeram história em 2018. É o que aponta um relatório da Iniciativa de Inclusão da Universidade Annenberg do Sul da Califórnia.

A Iniciativa de Inclusão foi lançada pela Dra. Stacy L. Smith há mais de uma década para fornecer dados e pesquisas sobre a falta de igualdade no setor de entretenimento. Além disso, a organização também defende e apresenta propostas para os temas da inclusão e da representatividade.

Segundo o estudo, levando em consideração os 100 maiores filmes de 2018, 14% dos diretores eram negros. Isso representa um aumento de 270% comparado ao ano de 2017 e um aumento de 200% comparado a 2007, em termos de representatividade. Esses dados surgem num contexto de bastante luta por representatividade em Hollywood, como foi o caso da campanha #OscarsSoWhite, que conseguiu muita atenção. A hashtag surgiu depois que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas passou 2 anos seguidos indicando apenas pessoas brancas ao Oscar.

De acordo com Smith, coautora do relatório: “Todo o ativismo e atenção ao redor da questão da diversidade, inclusão e pertencimento mostrou que a hora chegou. Esta é a primeira vez que nós reportamos uma grande mudança de representatividade por trás das câmeras.”.

Alguns nomes que se destacaram nesse último ano foram Ryan Coogler, que dirigiu Pantera Negra; Spike Lee com Infiltrado Na Klan; Steven Caple Jr., que ficou encarregado pela sequência Creed II. Todos esses foram sucessos de crítica e/ou bilheteria. O longa Uma Dobra no Tempo não teve um bom desempenho, mas chamou a atenção, porque foi a primeira vez que uma diretora negra, Ava Duvernay, trabalhou com um orçamento de 100 milhões de dólares.

No entanto, o relatório também aponta que as mulheres continuam tendo pouquíssimas oportunidades em relação aos homens. Levando em consideração os 100 maiores filmes de 2018, apenas 4 foram dirigidos por mulheres. Essas foram: Kay Cannon (Blockers), Abby Kohn (Sexy Por Acidente), Susanna Fogel (Meu Ex É Um Espião) e Ava Duvernay (Uma Dobra no Tempo).

Ava Duvernay dirige “Uma Dobra no Tempo”

De 2007 a 2018, apenas 4,3% dos diretores do top 1200 eram mulheres. Isso mostra que a relação é de 22 homens para cada mulher creditada num filme. Mulheres de outras etnias mal tiveram uma chance nos bastidores. Levando em consideração esse top 1200, foram 5 mulheres negras, 3 asiáticas e 1 latina.

Outra questão levantada pelo relatório foi a formação de diretorias em produtoras. Houve uma pequena melhora. Em todas as sete grandes corporações midiáticas que produzem filmes – um grupo que inclui Disney, Sony e Viacom – um quarto dos membros do conselho era do sexo feminino. Isso se compara a apenas 18,8% em 2017. As mulheres eram mais propensas a ter cargos de EVP, SVP e vice-presidente. 

Nos últimos 12 anos, um total de 704 diretores dirigiu um dos 1.200 filmes de maior bilheteria, que foram traduzidos para 658 homens e 46 mulheres. A grande maioria dos diretores do sexo feminino, cerca de 83%, fez apenas um filme dentro da amostra de maior bilheteria em comparação com 54% de seus pares do sexo masculino. Tyler Perry foi o mais produtivo, fazendo 17 filmes, enquanto Anne Fletcher, a cineasta por trás de A Proposta e 27 Vestidos, teve os créditos mais lucrativos de qualquer diretora com quatro filmes.

De acordo com a Dra. Katherine Pieper, coautora do estudo: “As mulheres não têm tantas chances de serem contratadas novamente pelos estúdios, e isso torna mais difícil para as mulheres verem isso como um caminho de carreira que podem seguir para se sustentar e alimentar suas famílias.”.

Nos últimos 3 anos, as mulheres foram listadas em apenas 18% dos 300 principais filmes. Desse total, 1,6% foram mulheres não-brancas, 16,3% foram mulheres brancas e 9,8% foram ocupados por homens de cor.

Observando outras profissões do ramo do cinema, percebe-se que os homens compreendiam 97% dos cineastas, 84,5% dos editores, 81,7% dos designers de produção e 97,7% dos compositores.

A Sony liderou o caminho com cinco filmes de cineastas negros, e a Universal obteve o segundo lugar, com três filmes. A Warner Bros. foi o único estúdio sem um único lançamento de 2018 de um diretor negro.

Em relação à compra da FOX pela Disney, Smith se mostra esperançosa. Ela não enxerga a fusão como “menos filmes sendo feitos” ou “menos oportunidades para diretores do sexo feminino e de pessoas de cor”. Ela dá ênfase aos avanços feitos pela Disney no último ano com Pantera Negra e Uma Dobra no Tempo. “Não é bom perder um estúdio e ter um olhar crítico sobre isso. Mas minha esperança é que a ascensão das plataformas de streaming forneça um novo conjunto de freios e contrapesos quando se trata de inclusão.”, completa a coautora.

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.