Crítica | ‘O Manicômio’ é genérico e assustadoramente ruim

O terror alemão O Manicômio (Heilstätten) é o primeiro filme do gênero a estrear em 2019. Dirigido por Michael David Pate, o longa chega aos cinemas brasileiros hoje. Com o intuito de filmar atividades paranormais para seus respectivos canais no YouTube, seis jovens se aventuram em um antigo prédio abandonado na Alemanha, onde funcionou um manicômio durante o período Nazista. O grupo passa a noite no local e percebe que coisas estranhas começam a acontecer.

O horror é um dos estilos mais desafiadores no cinema. Seja na criação de um bom roteiro, na escolha das locações, na criação dos efeitos visuais ou até na escalação dos atores, o objetivo final é criar um argumento consistente que transmita medo e/ou aflição ao público. Porém, muitas produções acabam recorrendo a artifícios já utilizados, tornando-os genéricos. Esse é o caso de O Manicômio, um filme vazio e com um péssimo roteiro.

Embora a técnica do found footage, quando uma câmera é encontrada com filmagem, disseminada por A Bruxa de Blair (1999), seja interessante, ela já foi tão explorada pelo gênero que se tornou cansativa. O roteiro também não ajuda, piorando o resultado final. A narrativa é desencontrada, confusa e mal elaborada, causando um efeito contrário e levando o público da sessão ao riso.

A locação, por outro lado, tem uma história interessante por trás, e poderia ter sido melhor aproveitada em mãos mais experientes. O local em questão é o sanatório Heilstatten, construído em 1898 e que funcionou como um hospital para enfermos de alta complexidade, como tuberculosos, por exemplo. O próprio Adolf Hitler foi paciente, enquanto se recuperava de um ferimento na perna.

O filme ainda tenta embarcar na famosa onda de Youtubers e influenciadores digitais para forçar uma aproximação com a realidade, mas até nisso ele falha. As cenas são ruins e o lado da tecnologia é mal explorado. Quem, em sã consciência, continuaria filmando enquanto é perseguido e estando prestes a morrer? As atuações também são ruins e corroboram o fracasso que é a produção.

Por fim, o longa não entrega o principal: o terror. O Manicômio é uma sequência de cenas mal feitas, resultado de um roteiro fraco e uma narrativa ultrapassada. O filme praticamente não apresenta tensão ou sensação de aflição em nenhum momento, baseando o pouco suspense que sobra em sustos aleatórios. Uma ficção que explorasse a verdadeira história do local, a dor e o sofrimento dos pacientes que ali viveram e até fazer menção aos horrores da guerra e do nazismo teria sido mais bem sucedida.

O ano de 2019 acabou de começar e ainda há muitos filmes para estrear. Porém, acredito que O Manicômio será um forte concorrente a pior do ano.

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RESUMO:

Apesar de ter um bom argumento, O Manicômio esbarra em todos os possíveis clichês e não assusta como deveria.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.