Crítica | ‘Lizzie’: um drama inquietante que vai além do suspense

O drama histórico também classificado como suspense, Lizzie, aborda um dos mais polêmicos e controversos episódios da era vitoriana, um brutal episódio de assassinato que até hoje não houve solução.

Quando um típico brasileiro, como eu, se aconchega na poltrona para assistir Lizzie, é levado a acreditar no material que lhe fora apresentado, a classificação de gênero, por exemplo. Um dama hstórico, o que indica uma trama em uma época passada e com problemas “passados”, e um suspense, a parte divertida da coisa. Mas, acima de tudo, uma história real.

Lizzie  termina para nós que não conhecíamos nada relacionado a tal evento com um certo ar de credulidade dos fatos, o filme traja um manto que autentica a veracidade dos eventos ocorridos.

Fazendo um mergulho pós-filme na internet em busca de mais detalhes sobre o real evento, percebi que o caso de Lizzie Borden está mais para um folclore Estadunidense envolto de especulações, matérias sensacionalistas e até mesmo uma rima ala Freddy Krueger.

Lizzie Borden took an axe

And gave her mother forty whacks.

When she saw what she had done,

She gave her father forty-one. ”

Em relação a este filme, acho que não basta apenas conhecer o evento, mas compreender que sua trama envolve uma cultura que não é a nossa e entender que sua real intenção é pegar um conjunto de especulações folclóricas, que levam a uma resposta sobre os assassinatos e os assassinos e reafirma-las de uma maneira mais crédula e menos sensacionalista. Espere aqui mais um ensaio sobre as condições materiais, ideológicas e psicológicas da época e seus viventes do que um filme baseado em fatos propriamente ditos.

O filme já abre com o famigerado assassinato e com o primeiro depoimento de Lizzie, para depois voltar seis meses no passado, evidenciando que o importante aqui não é a conclusão em si, coisa que já sabemos, mas sim as causas que levaram a protagonista a chegar naquela conclusão. Por isso que estamos falando de um filme, real e cru, mas não necessariamente histórico.

O roteiro caminha devagar e conversa muito bem com o público enquanto toca em temas antigos, mas que de certa forma são atuais, como a dominação masculina, a posição da mulher na sociedade, dificuldades em relação a sexualidade entre outros. Geralmente filmes históricos conseguem tocar mais a fundo em problemas sociais e econômicos, porque temos a sensação de que não somos mais como aquelas pessoas, quando na verdade elas refletem o que ainda somos, mas de maneira diferente.

Chloë Sevigny nos brinda com uma atuação forte e digna de aplausos, é de longe uma marcante personagem que vai ficar com você depois dos créditos subirem.

Kristen Stewart e Jamey Sheridan são outros dois que merecem destaque especial. Kristen está excelente e muito bem imersa no personagem, enquanto Jamey nos brinda com um odioso e imponente patriarca que faz o público sentir aquele asco na medida certa pelo antagonista de ocasião.

Em termos técnicos o filme conta com uma ótima fotografia, um ótimo figurino, mas o baixo orçamento não nos deixa ir muito além disso. Os cenários são bons, porem limitados a poucos ambientes e tomadas muito fechadas onde a direção de Craig William Macneill faz seu melhor para manter o filme de pé e transmitir sua mensagem, conseguindo cumprir bem está missão.

Para nós, Lizzie é um bom drama social, um bom suspense, uma história marcante e atual, mas que conta com seus deslizes de roteiro e de direção, mas o que não interfere no filme como um todo e garante boas horas de diversão, reflexão e inquietação.

LIZZIE
3.5

RESUMO:

Lizzie é um filme dramático, inquietante e produzido com competência, que nos mostra uma visão mais realista de um episódio de assassinato que até hoje ficou sem solução e encheu os estados unidos de folclore e especulações.

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Matheus Amaral

21 anos, formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.