Crítica | ‘Amigos para Sempre’ não justifica sua existência e se prova como uma desnecessária refilmagem

É comum em Hollywood haver refilmagens de filmes estrangeiros de sucesso. A crise de criatividade na indústria não vem de agora, e a cada ano que se passa, mais e mais filmes vêm surgindo sem o menor senso de originalidade, apenas buscando lucrar em cima de algo que fez sucesso no passado ou, nesse caso, nem tão no passado assim.

Refilmagem do francês Intocáveis (2012), Amigos para Sempre busca trazer a mesma história, só que agora sob os moldes americanos. Para isso, ele conta com Kevin Hart e Bryan Cranston. Encabeçando o elenco de principais, reprisando os papéis originais de Omar Sy e François Cluzet.

Como dito, a história permanece a mesma. A trama segue a vida de um rico aristocrata que, após um grave acidente, fica tetraplégico. Para ser seu cuidador, ele contrata Dell , homem pobre, com ficha criminal e que não possui experiência no trabalho. A partir disso, uma forte amizade irá surgir entre os dois.

Considerando que Intocáveis foi lançado em 2012, não havia necessidade de produzir uma refilmagem de algo que ainda está fresco e marcado na cabeça do público. Nesta versão, tudo parece mais do mesmo. A história é cativante, mas por ser tão recente, não flui da maneira que deveria e, muito menos, emociona da forma esperada. A experiência acaba sendo apenas mais uma revisita à uma história que emocionou multidões, mas sem o peso dramático visto anteriormente.

Entretanto, o problema está longe de estar nas atuações, por exemplo, e sim na direção de Neil Burger (O Ilusionista, Divergente) e o roteiro escrito por Jon Hartmere, que ficam apenas na zona de conforto ao invés de tentar trazer um novo olhar para essa história. Kevin Hart faz um excelente trabalho, e juntamente de Bryan Cranston, seguram o filme com uma boa química em tela. Hart tem um carisma sem igual, e consegue transmitir isso mesmo quando não está em cena com Cranston. Nicole Kidman também está no filme, mas seu talento é o mais desperdiçado pelo roteiro. É triste ver três excelentes atores limitados a um roteiro preguiçoso e sem originalidade.

Ao tirar seu foco do núcleo Hart-Cranston-Kidman, o filme perde a força ao tentar mostrar os problemas vividos pela família de Dell. O roteiro não parece estar com paciência para desenvolver esses conflitos, e tudo parece ficar apenas na primeira base. Muito poderia ter sido incluído sobre questões raciais, principalmente considerando que uma das grandes críticas ao filme original era o reforço de estereótipos.


Amigos para Sempre se encerra inferior ao francês de 2012, e sem nada a dizer. Consegue cativar nos momentos em que Hart e Cranston estão em tela, mas um filme não se segura apenas disso. O que poderia ter sido um grande filme no futuro, quando essa história estivesse menos fresca para o público, acaba sendo mais uma refilmagem desnecessária que visa somente o lucro. Fiquem com o filme original.

AMIGOS PARA SEMPRE | THE UPSIDE
2.5

RESUMO:

Amigos para Sempre é uma desnecessária refilmagem de um filme que ainda está bastante fresco na cabeça do público. Cativa pelo talento de seu elenco, mas no fim, não acrescenta em nada ao filme original, e acaba sendo uma experiência abaixo do esperado, justificando que Hollywood vem pecando cada vez mais na originalidade de seus produtos.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.