Crítica | ‘O Retorno de Mary Poppins’ é uma nostálgica sequência do clássico de 1964

A Disney sabe como trabalhar com a nostalgia de seu público. Isso se prova cada vez mais a cada ano que se passa pela quantidade enorme de remakes, reboots e, principalmente, live-actions que vêm tomando conta das telas dos cinemas. Em meio a tantos filmes, Mary Poppins ainda era algo irretocável pelo estúdio. Porém, 64 anos depois, é decidido trazer o clássico do cinema de volta com a aposta certeira de manter toda sua essência sem trazer a personagem para os dias atuais. Afinal, você conseguiria imaginar Mary Poppins lidando com as tecnologias do mundo em que vivemos?

Ao ser anunciado, o filme repercutiu não só pela escalação de uma nova atriz que, no caso, é a talentosíssima Emily Blunt, como também pela incógnita sobre o que ele iria ser. Seria uma sequência? Ou seria um reboot? Pois bem, O Retorno de Mary Poppins é uma sequência. Mas, mais do que isso. É uma homenagem à antiga Disney e ao clássico de 1964. Uma mais que bem-vinda homenagem.

A história se passa 26 anos após o primeiro filme, mostrando a vida dos irmãos Banks. Agora crescidos, os irmãos estão prestes a perder a casa em que moram desde a infância. Com 3 filhos para cuidar, Michael Banks (Ben Wishaw) vai receber a ajuda de Mary Poppins para cuidar das crianças enquanto tenta, juntamente de sua irmã, achar uma solução para não perder a casa que tanto significa para eles.

Já tendo provado seu talento em diversos outros projetos, Emily Blunt cai como uma luva no papel. Sem se preocupar em trazer os trejeitos da atuação de Julie Andrews de volta, Blunt cria uma Mary Poppins nova, mas ao mesmo tempo, bastante familiar. É a Mary Poppins que nós conhecemos, mas interpretada por uma atriz que sabe colocar sua personalidade sem modificar as principais características de uma personagem já consagrada no cinema.

Não preocupado em inovar absolutamente nada, o longa mantém a atmosfera e o estilo visual do longa original. E isso, por incrível que pareça, é um grande acerto. O original criou algo inovador e criativo e, por mais que aquilo não se encaixe no que o cinema atual vem criando, ver toda aquela atmosfera de volta é incrível e nostálgica. Está tudo ali. Desde as ações mágicas de Mary Poppins, até as cenas com atores contracenando com animações em 2D.

Os números musicais se mantêm como o ponto alto do filme. As músicas são excelentes, apesar de não possuírem aquele “que” marcante que as do filme original tinham. Porém, ignorando este fator, as letras e melodias permanecem excelentes, e as coreografias complementam a experiência, deixando tudo absurdamente grandioso. Há várias músicas e números musicais que remetem a alguns já vistos anteriormente, como é o caso da cena que envolvem os limpadores de chaminés, e até mesmo, a cena em que Meryl Streep está presente. A participação dela é curta, e até mesmo desnecessária, mas a atriz está, mais uma vez, incrível.

Além de Emily Blunt, o elenco é fortíssimo. Lin-Manuel Miranda interpreta Jack, o novo parceiro de Mary Poppins, que divide o protagonismo com a personagem. Cativante, o ator é o que Dick Van Dyke foi para o filme original. Por mais que não seja tão marcante quanto Dick, que faz uma participação especial aqui, Lin-Manuel faz um bom trabalho. As crianças e os irmãos Banks seguem a mesma linha. Porém, os menores se mostram mais determinados e maduros que os irmãos do filme original, o que traz um pequeno diferencial a mais.

O roteiro, entretanto, é o único ponto falho. Pouco inspirado, ele se agarra demais ao que já foi construído anteriormente, não se preocupando em ir além. Parece que o roteirista tinha medo de fugir do convencional, e procurou não se esquivar da estrutura que o primeiro filme tinha apresentado. É o único ponto do filme que se prejudica por manter algo do passado.

Ao final, O Retorno de Mary Poppins é uma experiência nostálgica e grandiosa que, com certeza, irá aquecer o coração de quem manteve a personagem e o filme original em seu coração durante todos esses anos. Não faz feio, e não prejudica em nada o universo construído anteriormente. Muito pelo contrário, é delicioso poder adentrar em algo tão cheio de coração, magia e conforto. Mary Poppins pode ter demorado a retornar, mas se manteve viva por todos esses anos. Este filme confirma a importância que a personagem sempre teve, e sempre terá para o cinema e o público.

O RETORNO DE MARY POPPINS | MARY POPPINS RETURNS
4

Summary

O Retorno de Mary Poppins é uma nostálgica homenagem ao filme original. Com uma excelente atuação de Emily Blunt, o filme é mais um acerto da Disney ao tentar trazer de volta o que deu tão certo na sua era clássica.

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Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.