Crítica | ‘Homem-Aranha no Aranhaverso’ expande o universo de um dos heróis mais famosos das HQs

Em Homem-Aranha no Aranhaverso, Miles Morales (Shameik Moore) é um jovem que mora no Brooklyn. Ele é filho de um policial e acabou de entrar num colégio novo. Ele ainda está se entendendo, tentando se encaixar em algum lugar. Um dia, ele é picado por uma aranha radioativa e ganha superpoderes. Miles acaba esbarrando com o grande vilão, Rei do Crime (Liev Schreiber), que tem o plano de abrir um portal para diferentes universos.

O longa apresenta uma história bem desenvolvida e divertida. No roteiro escrito por Phil Lord e Rodney Rothman, é possível perceber que esse filme vai chamar a atenção dos fãs desde os quadrinhos e daqueles que conhecem o herói nos cinemas. A animação não perde o ritmo em momento algum. Quando o longa não é sustentado pelas ótimas cenas de ação, é levado pelas cenas de comédia, que funcionam muito bem e não são forçadas.

Além disso, o filme é cheio de referências, a maioria são muito bem usadas para fortalecer a comédia (a última cena pós-créditos é sensacional!). Olonga não cai na armadilha de gastar muito tempo explicando certos aspectos da história de algum personagem novo. Os diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman conseguem executar essa função de maneira excelente através da comédia e de recursos vindos dos quadrinhos. E também não se perdem em meio aos plot twists.

Os personagens são bem construídos e profundos à sua maneira. Não seria possível criar um alto grau de profundidade para todos eles. O foco do filme está em Miles e o Peter Parker (Jake Johnson) de outra realidade. O primeiro é um adolescente negro que ainda está tentando se encaixar no seu novo colégio. O único com quem ele consegue se entender bem é o seu tio. O personagem Miles Morales é um grande sucesso nos quadrinhos, no entanto, não tinha ganhado uma oportunidade nos cinemas até então. Com essa onda de representatividade surgindo em Hollywood recentemente, isso foi possível.

Os acontecimentos que envolvem o Homem-Aranha original (Chris Pine) contribuem bastante para o desenvolvimento do Miles. Peter Parker é apresentado a partir de um outro ponto de vista. Essa versão é mais machucada, já passou por um divórcio, não compreende tanto a razão de vestir o manto do herói. Aliás, o manto é uma questão bastante presente no relacionamento entre esses dois personagens. Peter, nesse caso, funciona como um mentor, é a ideia de passar o bastão para o próximo.

As outras versões do Aranha não ficam deslocadas, são muito divertidas e bem posicionadas na história. A questão das diferentes realidades é muito bem estabelecida, de maneira bem simples, logo, não fica dando muitas voltas ao redor desse tema. O vilão Rei do Crime, por mais que não seja um dos focos do filme, também é bem desenvolvido. Ele tem uma carga emocional, que faz com que o personagem cresça e que seu plano tenha sentido.

A animação bebe muito da fonte das histórias em quadrinhos. O objetivo dos diretores era fazer uma “HQ imersiva”. Isso dá à animação um visual único e atrativo. O uso de quadros que indicam o tempo presente ou os pensamentos dos personagens é muito interessante, contribuindo bastante para a história. E o uso de onomatopeias, de certa forma, ajuda a elaborar o tom cômico das cenas. É muito importante também comentar sobre os ótimos efeitos do filme. É tudo bastante colorido, num daqueles casos em que o 3D vale a pena, e influencia muito na experiência.

Homem-Aranha: No Aranhaverso é uma animação muito divertida e empolgante. Apresenta excelentes cenas de ação, ótimos personagens e uma estética capaz de levar o público para dentro da história. Além disso, conta com uma das melhores participações do criador Stan Lee em um filme da Marvel. No final, fica a ótima sensação de quero mais… e tomara que tenha mesmo.

Homem-Aranha: No Aranhaverso estreia no Brasil dia 10 de janeiro de 2019.

HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO | SPIDER-MAN: INTO THE SPIDER-VERSE
5

RESUMO:

Homem Aranha no Aranhaverso é uma ótima maneira de expandir o universo do melhor amigo da vizinhança. É engraçado, empolgante, cenas de ação muito boas e um estilo bastante atrativo.

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.