Crítica | ‘O Chamado do Mal’: uma boa trama de terror desperdiçada com clichês e sustos

Definitivamente, 2018 foi um ótimo ano para o terror, com filmes que mesmo seguindo a fórmula básica, entregam ótimas histórias, como A Freira, até produções que inovaram no gênero, como Hereditário e Um Lugar Silencioso. E nessa reta final do ano, chega aos cinemas brasileiros O Chamado do Mal.

O longa conta a história de Adam (Josh Stewart) e Lisa (Bojana Novakovic), um jovem casal que está à espera de seu primeiro filho e decidem se mudar para uma casa em uma cidade pequena, pois Adam, que é professor universitário, recebe uma ótima oferta de emprego. O que eles não imaginam é que, involuntariamente, eles serão responsáveis pela liberação de uma entidade maligna que passará não só a assombrá-los, mas também ao filho que eles estão esperando.

Uma característica marcante do filme é o tempo que ele leva para estabelecer o tom de horror, justamente pela complexidade de sua história. O roteiro apresenta uma história que mesmo levando um bom tempo para ser explicada completamente, não passa a sensação de tédio, justamente por ser bem elaborada.

Porém, os problemas do filme ficam justamente para quando a trama é estabelecida e o clima de horror começa. Toda a trama que foi apresentada de uma forma natural na primeira metade do filme, se transforma em um filme de terror qualquer, com jump scares que não impressionam e um roteiro que vai ficando previsível enquanto o longa vai chegando ao seu fim.

No elenco, o destaque fica para Bojana Novakovic (que também está presente em grandes produções como Westworld e Eu, Tonya), que nos apresenta uma personagem que mesmo parecendo inocente e amorosa, vai se tornando extremamente protetora, até mesmo ameaçadora. Porém, no restante do elenco, não há mais nenhum destaque. As atuações e personagens parecem ter sido tirados diretamente de outros filmes de terror do gênero, como o professor cético, o doutor com forte espiritualidade, a irmã sexy que sempre será a primeira vítima da entidade, etc.

Outro problema também pode ser encontrado na edição do filme, principalmente em relação ao uso da trilha sonora. Mesmo em cenas de diálogo em que nada está acontecendo, há uma música de tensão ao fundo da cena, que não só não combina com a cena em questão, mas também gera uma sensação de estranheza.

Porém, o que mais incomoda aqui é o número de clichês de outros filmes de terror. Em uma época em que temos tantos filmes de terror diferentes e que até misturam outros gêneros, como Corra!, filmes que recorrem ao básico se tornam esquecíveis e esse é o maior problema de O Chamado do Mal. Ele não se destaca no cenário atual de horror.

O CHAMADO DO MAL | MALICIOUS
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RESUMO:

O Chamado do Mal tinha a capacidade de ser um grande marco no cinema de terror, mas a execução básica o faz ser esquecível.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.