Crítica | ‘Baby’ não empolga, e entrega uma 1ª temporada abaixo do esperado

Baseada em um caso real, Baby, nova série italiana da Netflix, chegou à plataforma recheada de polêmicas. Acusada de promover tráfico sexual de menores e normalizar o abuso sexual infantil, a produção foi defendida pelo diretor com unhas e dentes. Agora, após meses de espera, chegou a vez do público analisar as causas de tantas polêmicas.

A história segue a vida de duas adolescentes, Ludovica (Alice Pegani) e Chiara (Benedetta Porcaroli), que se envolvem com o mundo da prostituição na busca por independência e uma fuga da vida que possuem em casa e na escola. O caso real, nomeado de Baby Squillo, que inspirou o título da série, aconteceu em 2013 e ficou popular por envolver um esquema de prostituição de menores da alta sociedade da Itália.

A premissa é intrigante e, o número de episódios proposto, é animador. São apenas 6 episódios que compõem essa primeira temporada. Considerando o curto tempo que a série possui, era esperado um desenrolar mais dinâmico e acelerado da história, onde não houvesse “barriga” ou até mesmo enrolação para chegar ao tópico que a série se propôs a abordar. Infelizmente, isso não acontece. A trama principal começa a se desenrolar apenas após o terceiro episódio, e isso é um problema.

Baby não parece interessada em se apressar com a narrativa. Ela usa seus primeiros episódios para contar diversas situações aleatórias em que os personagens se colocam, e foca muito do seu tempo em personagens secundários que não agregam em nada a trama. O único relevante é Damiano (Alessandro Acampora). Interesse amoroso de Chiara e novo aluno na escola, o personagem tem muito a dizer, e é um dos poucos com um desenvolvimento satisfatório.

A amizade entre Chiara e Ludovica é um ponto positivo. A química entre as atrizes é excelente, e os momentos em que elas estão juntas é onde a série consegue mostrar o seu melhor. Elas encontram um ponto de refúgio uma na outra, sempre recorrendo a amizade quando suas vidas estão no ápice do estresse. É uma pena que a série demore para entrelaçar ainda mais a história das duas, e escolha deixar para o final o que ela verdadeiramente se propôs a mostrar.

Ao, finalmente, retratar a prostituição de Chiara e Ludovica, a série peca em não dar profundidade ao lado negro de toda essa situação. Isso, ocasionalmente, é o que dá o pontapé inicial para o surgimento de polêmicas. A série não se preocupa em aprofundar nenhum lado do que está acontecendo com as personagens. O lado negro é pouco retratado, e o lado das garotas também. O que era para ser o foco da série acaba sendo apenas uma história a mais entre tantas que a série conta.

Quando chegamos no último episódio, o sentimento deixado é que vimos vários arcos desnecessários se desenrolarem, sem sentir que nenhum foi encerrado. A série tenta contar histórias demais, mas no final, parece que não contou nenhuma. Não há desenvolvimento, não há foco, e não há carisma fora do núcleo de Chiara e Ludovica. Vemos diversas tentativas de abordar homossexualidade, pedofilia, problemas com os pais, uso de drogas, revenge porn, assédio, mas sem aprofundamento em nenhuma delas. É frustrante e desanimador.

Em resumo, Baby é uma série sem foco que se beneficia ao trazer uma química forte entre suas protagonistas, mas que não vai além disso. É bonita visualmente, e possui uma trilha sonora de tirar o chapéu. Porém, isso não segura uma série. Parece uma tentativa de trazer uma nova Skins, ou até mesmo uma nova Elite à boca do público. Porém, se essa foi realmente a intenção, a tentativa não funcionou.

BABY
2

RESUMO:

Baby possui duas ótimas protagonistas, mas falha ao trazer personagens secundários demais, e tramas que não chegam a lugar algum. Ela demora a engatar, e quando engata, não entrega o desejado.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.