Crítica | ‘Cadáver’: Um terror genérico, porém angustiante

Um exorcismo mal realizado acaba com a vida da jovem Hannah Grace. Meses depois, o corpo da menina é enviado para um necrotério em Boston, nos EUA. No mesmo local, Megan Reed, uma ex-policial, tenta recomeçar sua vida profissional que foi abalada pela morte de um parceiro de trabalho. Durante o expediente, Megan percebe que eventos estranhos começaram a acontecer após a chegada do corpo de Hanna.

Essa é a premissa que inicia a narrativa de Cadáver, o mais recente lançamento da Sony Pictures. Dirigido por Diederick Van Rooijen, e com roteiro de Brian Sieve, o filme estreia dia 29 em todo o território nacional. O elenco é composto por Shay Mitchell (Pretty Little Liars), Stana Katic (Castle), Nick Thune (Ligeiramente Grávidos), Louis Herthum (Westworld) e Grey Damon (Percy Jackson e o Mar de Monstros).

A premissa da história por trás do filme é bastante simples. A utilização de exorcismos e possessões demoníacas, claramente inspirados no clássico O Exorcista (1973), é muito comum nas atuais produções de terror. Nesse sentido, o longa não acrescenta nenhum ineditismo.

Embora o roteiro seja bem desenvolvido, assim como a motivação e as características dos personagens, o argumento é tão recorrente que acaba se tornando fraco. A escolha de um necrotério como plano de fundo para o desenvolvimento da trama também já foi explorada em outras ocasiões, como em A Autópsia (2016) e Cadáveres (2006).

Tecnicamente, existem algumas características positivas. A maquiagem é bem feita e ajuda a passar credibilidade. As feridas no corpo de Hanna Grace, por exemplo, são bem realistas. Os efeitos especiais estão longe de serem excelentes, mas funcionam e ajudam a criar um clima de angústia. Ao contrário da onda de filmes de horror psicológico que surgiu nos últimos anos, onde A Bruxa (2015) e Hereditário (2018) são ótimos exemplos, o filme ainda utiliza o jump scare, técnica que utiliza a mudança bruta de imagens e sons altos para assustar o público, como artifício principal.

Shay Mitchell (Megan Reed) apresenta um bom trabalho de atuação. Apesar de não ser um papel memorável, a atriz canadense entrega o necessário para uma boa construção do personagem.

Cadáver está longe de ser um ótimo filme de terror. Com um roteiro recorrente e técnicas ultrapassadas, o longa dificilmente se tornará memorável. Apesar de tudo, a sensação de angústia fica presente durante seus 90 minutos, e é uma boa distração para quem é fã do gênero.

CADÁVER | THE POSSESSION OF HANNAH GRACE
2.5

RESUMO:

Embora não apresente uma história original e tenha limitações técnicas, Cadáver é capaz de entreter e assustar.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.