Crítica | ‘Po’: o mundo imaginário e os desafios de pai e filho com o autismo

O cinema se mostra uma poderosa ferramenta de conscientização quando ele deixa apenas de entreter e assume uma posição de educar e mostrar realidades não apenas diferentes, mas também difíceis de pessoas com os mais diversos problemas, seja em questões de saúde, de classe social, de problemas sociais, entre outros. E é exatamente com o objetivo de educar e conscientizar sobre a vida de uma criança com autismo, e de como afeta todos ao redor dela, que o filme Po chega aos cinemas brasileiros, depois de dois anos do lançamento original.

O drama conta a história de Patrick (Julian Feder), mais conhecido como Po, uma criança com autismo que precisa superar a recente morte de sua mãe, além de problemas na escola, em que é vítima de constante bullying. E para ajudá-lo a superar isso, Po conta com a ajuda de seu pai David (Christopher Gorham), que precisa dar conta não só da trabalhosa criação de Po, como também de seu exigente trabalho como engenheiro.

No elenco composto por Gorham (da versão americana de Ugly Betty), Kaitlin DoubledayCaitlin Carmichael e que conta com participações de Bryan Batt (o Sal de Mad Men) e até de Sean Gunn (o irmão de James Gunn que interpreta o carismático Kraglin em Guardiões da Galáxia vol. 2) não há grandes destaques com exceção de Julian Feder no papel de Po, que apesar de conseguir nos passar através do olhar a confusão da mente de seu personagem, fica preso em um roteiro ruim, o que impede que o seu destaque no filme seja ainda maior.

O principal problema de Po fica por conta de seu roteiro, que não só escolhe as saídas mais óbvias para os conflitos criados no meio do filme, como também encontra problemas em passar o seu recado. Enquanto existem muitas cenas de profissionais como médicos, psicólogos, professores e conselheiros tutelares explicando a David, de maneira extremamente expositiva, o que se passa na mente de seu filho, em seu clímax o roteiro acaba vilanizando o papel das instituições de saúde mental, atribuindo a elas características prejudiciais ao estado mental de Po. O que acaba tornando confusa a mensagem que o filme quer passar.

A edição também não faz muitos favores ao longa. Não são poucas as vezes em que a transição entre cenas aconteça por meio de uma tela preta, enquanto a trilha sonora toca ao fundo, sempre passando a impressão de que poderia se ter um trabalho melhor nessa área. Existem também o uso de efeitos especiais, em cenas que representam o mundo em que Po cria em sua imaginação, que passam uma aparência de efeitos datados, mesmo o filme sendo recente.

No final, Po é mais um dos filmes com uma ótima premissa, porém mal executada. Deixando o gosto de oportunidade perdida.

PO | A BOY CALLED PO
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RESUMO:

Mesmo com capacidade de passar uma mensagem forte sobre o autismo, a má execução deixa Po com uma mensagem confusa.

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Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.