Crítica | ‘Super Drags’: 1ª temporada é um acerto, mas poderia ir mais além

Desde seu anúncio, em maio, Super Drags tem sido alvo de polêmicas, como por exemplo a Sociedade Brasileira de Pediatria pedindo o cancelamento da série antes mesmo de ela ser lançada, mesmo sendo uma série para adultos. Porém, mesmo com tantas polêmicas ao seu redor, a Netflix manteve sua posição e estreou o desenho nacional no dia 09 de novembro, junto com vários vídeos informando de que a animação é de fato para adultos.

A série conta a história dos amigos Patrick, Ralph e Donizete, que na hora do perigo se transformam em Lemom Chifon, Safira Cyan e Scarlet Carmesim, as Super Drags. Comandadas por Vedete Champagne, elas se unem para acabar com os planos de Lady Elza.

No meio da trama não são poucas as referências a internet, como a memes, frases famosas, gírias do meio LGBT, como também a personalidades conhecidas, como os integrantes do podcast Filhos da Gravida de Taubaté, Pabllo Vittar (que inclusive empresta a sua voz a personagem Goldiva) e até mesmo uma versão maluca de Hebe Camargo.

O elenco brasileiro conta com as vozes de Sérgio Cantú como Lemon Chifon, Wagner Follare como Safira Cyan, Fernando Mendonça como Scarlet Carmesim, as drags Silbetty Montilla e Suzy Brasil como a líder Vedete Champagne e Juraci respectivamente, e até há uma participação de Guilherme Briggs como Robertinho.

Porém, a dublagem americana também merece atenção pois é composta pelas ex-participantes do reality Rupaul’s Drag Race, reality de competição de drag queens, Trixie, Ginger Minj e Shangela interpretando as super-heroínas e Willam a vilã Lady Elza.

Entretenimento adulto

A animação promete o que cumpre com relação ao humor adulto. Com piadas de alto teor sexual e palavrões, o humor de Super Drags pode ser comparado ao de outros desenhos adultos, como South Park e Family Guy. Porém, ao invés de fazer comédia com situações absurdas, como essas outras animações, a animação segue o caminho de tornar situações comuns do meio LGBT em cômicas, o que além de não funcionar, soa clichê.

Além disso, no quesito humor, a série nunca deixa claro se está criticando alguns comportamentos ou se esta apenas fazendo uma piada delas, o que gera momentos incômodos, principalmente em seus primeiros episódios.

Com apenas cinco episódios com duração entre 20 e 25 minutos em sua primeira temporada, a animação acaba levantando diversos temas e acaba não os desenvolvendo. Temas como gordofobia, homofobia, intolerância religiosa, racismo e diversos outros são mencionados durante os episódios, porém acabam não sendo desenvolvidos no curto tempo da série, o que acaba passando a impressão de que esses temas foram abordados sem nenhum propósito, o que passa a sensação de oportunidade perdida.


Apesar da decisão ousada da Netflix de lançar a animação nacional, mesmo com diversos protestos, Super Drags soa clichê e raso ao tocar em assuntos sociais importantes.

SUPER DRAGS - 1ª TEMPORADA
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RESUMO:

Animação original da Netflix, Super Drags poderia ter se beneficiado se aprofundando em problemas sociais, porém decide seguir caminho mais clichê e seguro.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.