Crítica | ‘Legítimo Rei’ tem bons momentos, mas está longe de ser um épico memorável

Lançamento da Netflix, Legítimo Rei chega ao streaming sob a direção de David MacKenzie e com a atuação do galã hollywoodiano Chris Pine. O longa conta com a missão de narrar os eventos históricos da sangrenta guerra entre Escócia e a Inglaterra do Rei Edward I.

Após terem sido subjugados em uma terrível guerra, os escoceses, liderados pelo rei Robert The Bruce (Pine), se rebelam contra o rei tirano e o enfrentam em uma batalha com mínimas chances de sucesso.

Com uma grande responsabilidade nos ombros, Legítimo Rei está longe do brilhantismo de Coração Valente, longa protagonizado por Mel Gibson em 1995 e que narra os mesmos eventos históricos, apesar de mostrá-la sob um ponto de vista bastante diferente.

Em contraponto a obra de Gibson, Legítimo Rei busca se ater mais fielmente aos eventos históricos, contudo, o longa possui alguns problemas de ritmo e é carente de um quesito bastante importante: a emoção.


Com um roteiro que não chega a ser péssimo, mas que também não é brilhante e com a direção de MacKenzie fora de seu potencial, Legítimo Rei em alguns momentos, chega a parecer que está sendo dirigido no “piloto automático”. O filme até começa bem, com um plano sequência que vai deixando bem claro os resultados de uma guerra e nos apresenta grande parte dos personagens que serão relevantes durante a trama. Porém, o brilhantismo para por aí, pois os eventos seguintes vão simplesmente perdendo o ritmo e se tornando cansativos.

Esse problema começa a se alongar e mesmo com momentos inspirados, como por exemplo, na segunda metade do filme, quando acontecem as batalhas da revanche de Robert, mais especificamente quando este invade e reconquista os castelos que haviam sido ocupados pelos ingleses. Esses eventos acabam por perder o brilho, pois são seguidos de cenas frias e não tão inspiradas.

Contudo, Legítimo Rei também possui alguns fatores elogiáveis, por exemplo, nos momentos de batalha que, apesar de não serem brilhantes, exibem cenas de gore que são bastante convincentes e causam repulsa no expectador (existe uma cena de enforcamento que é bonita de se ver, ou pelo menos, o mais próximo de bonito que uma cena como esta pode ser). Mas essas cenas não se alongam pela obra toda e nos momentos finais, quando ocorre a sangrenta e decisiva batalha, ela não é capaz de arrebatar o público. Vemos personagens bem interpretados, o sentimento de agressividade e fúria dos rebeldes, mas que com um ritmo desorganizado, esse potencial é jogado ao vento.

Existe um duelo entre dois personagens principais que cria a expectativa de que algo grandioso vai acontecer, mas quando ele se desenvolve na tela, mostra que de grandioso não havia nada, trava-se apenas de um combate medíocre e que não contribui em nada para a história.

Até mesmo Chris Pine não está em seu auge. Sua atuação não está ruim, mas não é arrebatadora e conta com poucos momentos de destaque.

Com uma direção não ousada, Legítimo Rei não é uma obra ruim, mas está longe de ser um épico memorável. Com cenas divertidas, direção de fotografia interessante em alguns momentos e locações belíssimas, o longa narra um evento histórico bastante importante, mas infelizmente, não conta a história da maneira como ela merece.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...