The Walking Dead | Cinco primeiros episódios da 9ª temporada são prelúdio de uma nova fase

As três últimas temporadas de The Walking Dead estão longe de ser um consenso. Ao longo do tempo, o desgaste natural do programa que está no ar por quase uma década provocou consequências que se refletiram na audiência e qualidade da série. Com uma quantidade enorme de episódios por temporada (dezesseis), que precisa ser dividida em duas partes, o questionamento é inevitável: já é hora de acabar?

A resposta que a nona temporada nos dá é não. Ainda não.

O nono ano da série chegou cercado de expectativas, trazendo a reboque uma bomba: a saída de Andrew Lincoln do programa em que foi o protagonista por oito temporadas. Sendo assim, preparar o terreno para um futuro sem Rick Grimes era uma tarefa mais do que essencial para The Walking Dead. Um desafio e tanto para a nova showrunner Angela Kang, que direcionou os cinco primeiros episódios desta temporada para situar o público em uma nova realidade, um ano e meio após o término da oitava temporada.

Nesta temporada, temos uma presença menor de armas de fogo e veículos. Isso nos leva diretamente a um modo de vida mais rudimentar, mas também, há um retorno às origens da série, onde hordas de zumbis eram uma ameaça real e não apenas meros coadjuvantes. Embora esses personagens estejam mais experientes, a adaptação a um mundo com uma escassez crescente dos recursos que no início do apocalipse zumbi eram abundantes, ajudam a elevar o senso de perigo constante.

O mote dessa temporada, nesses cinco primeiros capítulos, é o novo mundo das comunidades, tentando se organizar a partir de regras e construindo um futuro. Ao mesmo tempo, em uma sociedade há divergência de opiniões, que coloca líderes como Rick e Maggie (Laurie Cohen) em rota de colisão. Barbárie e civilização convivem lado a lado, em uma linha tênue.

Prelúdio de um novo tempo

A partir dos ideais de Rick, influenciado pelo desejo de Carl, acompanhamos um desejo incessante do líder de Alexandria em construir um mundo harmônico e cooperativo. Há uma cena, em um desses episódios, que mostra os personagens ao final de um dia conturbado, reunidos. The Walking Dead sempre se tratou de uma unidade entre um grupo de sobreviventes, com seus dramas e medos, ajudando uns aos outros, sobrevivendo. O que essa temporada nos mostra é um preparo para o que veremos seis anos depois. Uma discussão que a série ainda não havia tratado de tal maneira.

Os cinco primeiros episódios da nona temporada desembocam em um dos grandes capítulos da série, até então. What Comes After trata de reposicionar tudo o que já vimos até hoje em The Walking Dead. A partir da “morte” de Rick Grimes e um salto temporal nunca antes visto, a série terá a oportunidade de buscar novos ares, introduzir novas tramas e dar propósito a outros personagens.

Talvez o cenário ideal não fosse a saída de Rick, assim como a morte de Carl. No entanto, o movimento corajoso em tornar, no futuro, Judith Grimes uma personagem de fato, além de trazer para o novo tempo em que a série se passa o que parece ser os Sussurradores, mostram que agora, de fato, a nona temporada começa. Há vida depois do helicóptero.

Personagens mais antigos como Daryl (Norman Reedus), Carol (Melissa McBride) e Michonne (Danai Gurira), antes relegados à zona de conforto, agora precisarão ter um propósito bem construído. O frescor trazido pela luz dos eventos do último domingo, na série, se tornarão um passado relativamente distante. Isso abre espaço para uma nova abordagem que uma significativa passagem de tempo é capaz de proporcionar.

A temporada até aqui serviu como uma espécie de preparação para uma nova era em The Walking Dead. Essa nova época não terá Rick Grimes como o grande pilar. Personagem que, segundo a AMC, terá o seu destino revelado em três filmes. Agora, de fato, começa a temporada. Os devaneios do xerife em seu último e belíssimo episódio não foram em vão. Veremos o que a série trará a partir do próximo domingo.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...