Crítica | ‘Operação Overlord’: os zumbis nazistas mereciam mais

Dirigido por Julius Avery, Operação Overlord é o mais novo filme com dedo de J.J. Abrams como produtor. Ultimamente, se vemos o nome de Abrams estampando em alguma produção cinematográfica, ou até mesmo na TV, é deduzido que seja mais um filme pertencente à franquia Clovervield, que vêm estando em alta desde seu retorno de surpresa em Rua Cloverfield, 10. Porém, não é o caso de agora.

A história segue um grupo de soldados americanos que, em plena Segunda Guerra Mundial, se encontram obrigados a saltar de um avião e pousar em território nazista. Diante dessa situação, eles esbarram com uma jovem francesa, que os direciona até um vilarejo onde se encontra um misterioso laboratório nazista ao lado.

Metade filme de guerra, metade filme de zumbi, Operação Overlord funciona bem como um, e não tão bem como outro. Ele possui seus melhores momentos enquanto foca em ser um filme de guerra. A dinâmica dos soldados – que são a típica representação dos estereótipos vistos em personagens desse tipo de filme – funciona muito bem. Eles passam boa parte do filme dentro da casa de Chloe (Mathilde Ollivier) planejando seus próximos passos para completar uma missão que foi dada a eles antes mesmo de pularem do avião. Isso, apesar de influenciar positivamente no relacionamento do grupo, prejudica o ritmo do filme, que se arrasta um pouco para chegar nos “finalmentes” da história.


Quando somos apresentados à parte zumbi, ela não chega a ser o esperado. O filme diverte e possui boas cenas de ação, mas, mesmo sendo violento, e bem gore em alguns momentos; a expectativa deixada pelo material de divulgação era muito maior. Esse é mais um dos frequentes casos em que o trailer entrega demais, e o que é deixado para o corte final não chega a ser tão empolgante quanto era imaginado. Era uma boa ideia em mãos, porém pouco aproveitada. Afinal, ver zumbis nazistas na tela do cinema não era uma má ideia, não é?

O terceiro ato deixa de lado o horror, para focar na ação de perseguição e embate corpo a corpo do mocinho contra o vilão principal. O roteiro ignora bons pontos que renderiam bons momentos de terror, como é o caso da mãe de Chloe, que sempre fica nas sombras e prometendo se revelar, mas que, no fim, acaba sendo desperdiçada. Havia uma série de possibilidades para encerrar o longa, e a ideia escolhida parece ter sido a mais óbvia e menos empolgante possível. Como dito anteriormente, o gore está presente em boas cenas de revirar os olhos, mas no final, nem ele acaba se destacando.


Em resumo, Operação Overlord poderia ser muito maior. Com dedo de J.J. Abrams na produção, as expectativas eram altas. Ele funciona bem como filme de guerra em sua primeira metade, e não tão bem como filme de zumbi em sua segunda. Poderia ter escolhido ir para um lado trash, mas se leva a sério demais em alguns momentos, quando o roteiro, claramente, exigia uma abordagem contrária. Fica para uma próxima, infelizmente. Os zumbis nazistas mereciam mais.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.