Crítica | ‘O Homem que Matou Dom Quixote’ é uma grande bagunça

Após inúmeros empecilhos atrasarem por 25 anos sua produção, O Homem que Matou Dom Quixote finalmente estreou no Festival de Cannes este ano. A história que retardou o projeto de Terry Gillian, contudo, acaba sendo mais interessante do que o filme em si.

Ao convencer os habitantes de uma pacata vila na Espanha a estrelarem no filme que fez durante sua juventude, Toby (Adam Driver) retorna ao local depois de alguns anos. Sem o menor cuidado, o jovem publicitário não imaginou o impacto que sua ganância teria nessas pessoas; agora sendo obrigado a lidar com as consequências desastrosas que causou durante a produção de sua “obra-prima”.

O Homem que Matou Dom Quixote é, na verdade, um filme incorporado em um filme, que por fim, estão dentro de outro filme. Em um começo satisfatório, somos apresentados aos personagens e temos uma clara ideia de quem é Toby – um homem arrogante que se importa apenas com suas imposições e conveniências.


Infelizmente, a qualidade não permanece ao decorrer dos longos minutos que prosseguem. Torna-se fácil o espectador ficar perdido no meio do que acontece em tela em uma mistura de ficção e realidade manipuladas de uma forma um tanto mal elaborada.

Para dificultar, o filme ainda possui vários fatores em sua narrativa que impedem seu engajamento. Todo o humor utilizado se apoia em um antigo sapateiro que – por conta do filme de Toby – ainda acredita ser Dom Quixote. Claramente, o velhinho sofre de alguma doença mental, como o Alzheimer, e essa abordagem com o intuito de gerar risadas acaba sendo extremamente maldosa.

Além disso, todas as mulheres no filme são retratadas através de um olhar absurdamente machista. São ingênuas, estão sempre aos pés de Toby e obedecem à ordens ridículas, como limpar uma sobremesa do pé de um homem com a própria língua. Assim, o único aspecto que realmente merece destaque é a excelente atuação de Adam Driver, que basicamente carrega o filme nas costas.


Ao final, a impressão que fica é que a cada ano que O Homem que Matou Dom Quixote demorou para ser produzido, Terry Gillian se perdeu cada vez mais em suas ideias, desviando o foco do longa completamente e transformando-o em uma grande bagunça. Seu começo promissor acaba se tornando em um fim desastroso.

O HOMEM QUE MATOU DOM QUIXOTE | THE MAN WHO KILLED DON QUIXOTE
2.5

RESUMO:

Apesar de uma ótima atuação de Adam Driver, The Man Who Killed Don Quixote se perde em um emaranhado de ideias mal desenvolvidas.

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Rafaella Rosado

Jornalista apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível ver todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é uma forma de viajar e conhecer outras realidades sem sair do lugar.