O Mundo Sombrio de Sabrina | Primeiras impressões: aventura e terror dão o tom em reboot promissor

A Netflix lança uma nova série todo mês, e se levarmos em consideração as temporadas de outras produções já existentes, semanalmente o catálogo é atualizado. No entanto, fazer com que um produto alcance a aprovação de público e crítica não é algo fácil. Com um começo promissor, O Mundo Sombrio de Sabrina promete conquistar novos e antigos fãs.

O reboot de “Sabrina, Aprendiz de Feiticeira” mostra o mundo da meio bruxa, meio mortal Sabrina Spellman (Kiernan Shipka), em uma história sinistra que transita pelo terror, ocultismo e, claro, bruxaria. Sabrina tenta conciliar sua dupla natureza — meio bruxa, meio mortal — enquanto luta contra as forças do mal que ameaçam sua família e o mundo dos humanos.

Os dois primeiros episódios cedidos pela Netflix apresentam uma história envolvente e capaz de prender a atenção do público. A forma como a personagem principal é desenvolvida é muito bem-vinda. Carismática, Kiernan Shipka dá vida a uma adolescente determinada, apaixonada e ainda indecisa quanto ao fato de se tornar uma bruxa e passar pelo batismo das trevas.

Em um primeiro momento, a série discute o livre arbítrio da personagem, fazendo até mesmo uma analogia com as religiões. Sabrina possui um caráter questionador, e ao mesmo tempo, há um potencial enorme para haver conexão com o público, muito por conta do carisma de Shipka. A câmera está a quase todo momento em cima dela, que se sai muito bem no papel.

O mote central desse início de série é o 16º aniversário de Sabrina e a escolha entre o mundo da bruxaria de sua família e o mundo humano de seus amigos. Um dilema que seria normal para uma adolescente com um círculo de amizades e seu namorado, Harvey Kinkle (Ross Lynch).

Um aspecto interessante em O Mundo Sombrio de Sabrina são os subtemas discutidos. Há espaço para falar de misoginia, sororidade e outros temas tão importantes para serem discutidos em um universo feminino. Sabrina é mais uma protagonista mulher, que está decidindo seu destino e desta forma, traz o tema do empoderamento a reboque.

Tecnicamente a série não decepciona. Com uma bela abertura, há um clima se suspense que se faz presente o tempo todo. Apesar de possuir um clima leve em muitos momentos, em outros, as coisas realmente ficam assustadoras, criando um interessante contraste. A série possui uma estética bem definida, escolhendo o vermelho e alguns tons mais escuros como a base de suas cores predominantes. A fotografia coloca Sabrina no centro das atenções sempre que há um momento fantástico, desfocando o resto do ambiente e a deixando totalmente em evidência. E isso não incomoda.

Por se tratar de uma série que envolve bruxaria, há uma preocupação com os efeitos especiais. Nem sempre é possível obter bons resultados na TV, se não houver um orçamento adequado aliado à criatividade. Mas os caminhos que a direção resolve tomar e os próprios efeitos práticos e especiais conseguem tornar a experiência boa e crível na maior parte do tempo.

O elenco de apoio não decepciona. As tias de Sabrina (Miranda Otto, Lucy Davis) possuem personalidades distintas, o que cria um clima de conflito constante e interessante de se observar. O primo da bruxinha, Ambrose (Chance Perdomo), também é uma boa escalação.  Seu gato Salem marca presença, não da forma como os antigos fãs poderiam imaginar.

Em um primeiro momento, O Mundo Sombrio de Sabrina demonstra potencial para conquistar o seu público e contar uma história que engaje a audiência. Os 10 episódios da série estreiam dia 26 de outubro na Netflix.

 

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...