Mostra de SP 2018 | ‘A Madeline de Madeline’ é uma fantástica experiência sensorial

A Madeline de Madeline é um filme um tanto quanto característico, do tipo que leva o espectador a não entender o que está acontecendo em tela pelos primeiros minutos de projeção. A diretora e escritora Josephine Decker não nos joga frases e diálogos que explicam o começo de uma história; ao invés disso utiliza percepções sensoriais que nos inserem para dentro daquele mundo.

Madeline (Helena Howard) assume várias formas: um gato, uma tartaruga, e em certo ponto, até sua própria mãe. Sua devoção a se tornar atriz é uma maneira de escape de sua própria mente. Aos olhos da mãe, é vista como uma pessoa frágil que necessita de cuidados e medicamentos, enquanto sua professora de teatro a vê de um jeito totalmente diferente: uma fonte de expressão artística.

Ashley Connor (a mesma diretora de fotografia de O Mau Exemplo de Cameron Post) faz um trabalho fantástico. Durante todo o filme assumimos a visão de Madeline. Com uma câmera que age muitas vezes de forma desorientada, desfocada e agitada, é normal ficarmos com uma sensação de confusão, ou seja, a mesma visão da protagonista.

Mas não é porque acabamos por nos familiarizar com o estilo de câmera atípico que o filme se torna menos “incômodo” de assistir. Se antes enxergávamos a mãe preocupada mais que o necessário como alguém temperamental e distante (já que estamos na visão da garota) e a professora de teatro como uma pessoa que está sempre disposta a escutar, essa percepção também muda.

Então, a trama assume um tom cada vez mais pesado, onde uma pessoa com transtornos mentais ou está sendo tratada como doente ou está sendo explorada pela professora como se suas emoções não fossem nada, apenas uma fonte para a arte. Quem ali realmente se importa com Madeline?

Em um filme que diz apenas o realmente necessário e deixa para o espectador sentir o restante utilizando todos os recursos ao seu favor, Josephine Decker acerta em cheio em A Madeline de Madeline.

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RESUMO

Com percepções sensoriais que nos inserem para dentro da história, A Madeline de Madeline coloca arte e emoção lado a lado.

Quando e onde assistir:

Dia 28/10
20:10 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 1

Dia 29/10
18:40 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1

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Jornalista, apaixonada pela sétima arte desde pequena, quando achava que era possível assistir todos os filmes do mundo. Acredita que o cinema é a forma mais sensível de explorar realidades.