Crítica | Demolidor: 3ª temporada é empolgante!

A primeira temporada de Demolidor é considerada por muitos a melhor já feita pela Marvel, em parceria com a Netflix. Depois da fraca adaptação estrelada por Ben Affleck em 2003, a versão feita para o streaming alcançou sucesso de crítica e público, ganhando uma segunda temporada em 2016, um pouco menos elogiada.

No entanto, é inegável dizer que Demolidor é o melhor produto dentro desse universo de heróis urbanos criado para a TV. A terceira temporada comprova isso, trazendo de volta um forte antagonismo entre herói e vilão, justamente o que colocou a série no mapa das boas adaptações audiovisuais baseadas em super-heróis. Além disso, a atenção dada aos coadjuvantes está um patamar acima do tratamento dado em outras produções recentes, como as segundas temporadas de Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro.

Nesta terceira temporada, Matt Murdock (Charlie Cox) ressurge abalado e incerto sobre seu futuro como o vigilante Demolidor e o advogado Matthew Murdock. Ao mesmo tempo, seu arqui-inimigo Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) sai da prisão, e Matt precisa decidir entre se esconder do mundo ou aceitar seu destino de herói.

Ao longo dos seis primeiros episódios disponibilizados pela Netflix, fica clara a intenção do showrunner Erik Olsen em tirar os personagens da zona de conforto. Wilson Fisk e Matt Murdock continuam em lados opostos, mas em situações em que suas fragilidades são testadas, tanto fisicamente quanto psicologicamente. A jornada dos dois é extremamente instigante, construindo arcos que vão se unindo de forma gradual.

Quanto ao protagonista, há um fator totalmente inusitado mostrado logo no início. Matt é abalado de forma significativa e tem seus sentidos muito abalados. Isso nos mostra boas cenas em que ele dialoga com a freira Maggie (Joanne Whalley).

A terceira temporada reúne alguns elementos da famosa HQ “A Queda de Murdock”, de Frank Miller. Um dos grandes acertos que a série propõe aqui é também apresentar boas subtramas, como a jornada Foggy Nelson (Elden Henson), que ganha mais espaço e desenvolvimento, além de Karen Page (Deborah Ann Woll), utilizada como muleta em outras temporadas das outras séries, mas que aqui possui uma jornada pessoal e ao mesmo tempo, vinculada a trama, a partir do momento em que decide acompanhar histórias sombrias e perigosas.

O ponto de partida para Matt Murdock está diretamente associado aos acontecimentos vistos na minissérie Os Defensores. Porém, não há tantas conexões com o restante desse universo e a preocupação dessa temporada é contar uma história focada essencialmente em seus personagens. É um retorno às origens para Matt, ao passo que o Rei do Crime também precisa recomeçar, em uma inusitada situação de cooperação com o governo, expondo uma prática cada vez mais comum em tempos de delação premiada.

A destacar, o quarto episódio é um dos melhores em todas as temporadas de Demolidor. O destaque fica por conta de um conjunto de cenas que emulam um belo plano sequência, que não deixa nada a desejar às cenas de lutas vistas em filmes de ação como John Wick ou Atômica. Entretanto, o tom da série é pautado no suspense e há um clima noir presente, com a sensação de perigo sempre batendo a porta.

Há dois novos personagens introduzidos na trama, que aos poucos ganham seu espaço. Jay Ali interpreta o agente Nadeem, que vem nos mostrar o lado do FBI na história. Pode até soar como um clichê, muito pelo fato de sempre vermos várias versões de representantes da lei nessas séries. Entretanto, é interessante acompanhar o seu desenvolvimento, muito pela forma como ele lida com o acordo do governo com o Rei do Crime.

Outro personagem novato é Benjamin ‘Dex’ Poindexter (Stephen Wilson), que surge como uma ameaça, mas é apresentado de forma gradual, para que suas motivações sejam compreendidas. Há um potencial enorme para que esse personagem ganhe espaço entre os bons vilões das produções da Marvel, algo que não acontece sempre, diga-se de passagem. Seu aspecto comportamental, a partir do ponto de vista psicológico, é uma das coisas mais interessantes nesse terceiro ano da série.

Em linhas gerais, a terceira temporada de Demolidor tem um início promissor, instigante e não cansa. Essa é uma reclamação constante nas séries dos heróis da Marvel na Netflix. A construção da jornada dos personagens e a transição fluida entre os núcleos garantem boas horas de entretenimento, com ação, suspense e até mesmo drama na medida certa.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...