Crítica | Legalize Já – Amizade Nunca Morre

A década de 90 trouxe ao cenário de rap nacional nomes que não só são extremamente conhecidos até atualmente, mas que também são bastante ouvidos, como Racionais MC’s, MV Bill e Negra Li, e que, incrivelmente, lançaram músicas nos anos 90 com mensagens que continuam atuais. Entre esses grandes nomes, Planet Hemp, a banda de rap rock criada por Marcelo D2 e Skunk, foi uma das mais polêmicas, com sua mensagem pró liberação das drogas é críticas sociais fortíssimas, especialmente ao modo de trabalhar da Polícia. E é sobre a criação dessa fantástica banda, que fala a mais nova cinebiografia Legalize Já! – Amizade Nunca Morre.

Na trama, Skunk (Ícaro Silva), um jovem músico que busca, pela música,  expressar a sua insatisfação com o preconceito diário sofrido pelas comunidades de baixa renda, conhece Marcelo (Renato Góes), um vendedor de camisas de bandas que escreve rimas sobre os mesmos assuntos em um caderno e juntos resolvem montar uma banda.

A dupla de protagonistas consegue carregar o filme bem, mas o elenco coadjuvante não fica atrás, com ótimas atuações de Rafaela Mandelli, que interpreta Suzana, a namorada de Marcelo; Stepan Nercessian, no papel do pai de Marcelo; e Ernesto Altero, que interpreta Brennand, o dono do bar em que a dupla monta seu primeiro estúdio.

O que surpreende no filme é que ele quase deixa a história da criação do Planet Hemp de lado, como uma história secundária, para focar na história de amizade entre Marcelo é Skunk, o que resulta em algo emocionante. Renato Góes e Ícaro Silva nos apresentam personagens extremamente carismáticos e humanos, inclusive o destaque fica para Ícaro Silva, que não só consegue entregar as cenas mais engraçadas, quanto às mais comoventes.

A direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé até consegue transformar a cidade do Rio de Janeiro de 1993, na cidade descrita nos raps. Geralmente tomada por uma cor cinza, criando um ambiente opressor, além de extremamente barulhenta e lotada, mas que encontra a sua calma e tranquilidade ao cair da noite.

Um outra destaque do longa é, obviamente, a trilha sonora. Que não conta somente com grandes músicas do início da carreira do Planet Hemp, mas também com outros grandes sucessos da época como É o Tchan e Grupo Molejo. Inclusive essas músicas, que eram extremamente tocadas nas rádios da época, são muito bem usadas, principalmente em contraste com a música que a dupla de protagonistas vai criando ao longo do filme, gerando momentos cômicos e até dramático. Quem diria que “Molejão” seria usado no cinema, pra mostrar o quanto um personagem está bem distante de ser quem ele quer de maneira simbólica.

Legalize Já! A Amizade Nunca Morre é mais um dos ótimos filmes nacionais inspirado em grandes artistas. Com momentos divertidos, uma ótima trilha sonora e grandes atuações, que divertem e emocionam ao longo dos seus 95 minutos.

4

RESUMO:

Legalize Já! A Amizade Nunca Morre é um ótimo filme que entra pra grande lista, que só fica maior, de grandes cinebiografias de artistas nacionais, como Cazuza e Tim Maia.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.