Crítica | ‘Papillon’ é um belo e surpreendente filme

Henri “Papillon” Charriere (Charlie Hunnan)  é um raso e simples ladrão, na década de 30, que é acusado injustamente por assassinato e condenado a prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. Lá, ele une forças com o rico Louis Dega (Rami Malek), para que de alguma forma possa escapar. Apesar de suas duas horas, Papillon é um filme rápido e dinâmico, que se escora em diversos temas e representações importantes, mas tendo como infraestrutura primordial, o entretenimento pipoca.

Temos aqui um início bem acelerado, conhecemos muito pouco o dito “mundo comum” de Papillon e somos quase que imediatamente arremessados para o “mundo especial”, que consiste na famigerada Ilha do Diabo, onde ficaremos basicamente o filme inteiro.

Está rápida transição faz com que o telespectador perca contato com relações importantes sobre a vida “comum” do protagonista, pois não conhecemos previamente suas grandes fraquezas, seus conflitos externos e internos. Ao invés disso, o filme nos entrega uma perspectiva mais coletiva e genérica, como um mal social que todos sofremos. Dá para sentir o impacto emocional, mas com menos intensidade, pois, ainda somos individualistas com nossos sentimentos mais profundos.

No decorrer da trama temos um roteiro fluido, que sabe trabalhar com a geografia da prisão, os valores da época histórica e as capacidades e dificuldades de cada personagem, criando dificuldades muito inteligentes e memoráveis para os protagonistas. Porém, nada que doa muito, visto que existe realmente aqui um certo zoomorfismo das personagens em relação ao meio social aonde vivem, mas o filme toma muito cuidado para que as dificuldades nunca doam tanto, e, sendo assim, a sempre um “Q” de humanidade. Isso nubla um pouco a realidade cruel dos acontecimentos, tirando um pouco de carga emocional aonde deveria ter.

Charlie Hunnan possui muito carisma de trabalhos prévios e um bom trabalho de atuação, mas Rami Malek é a real estrela nesta categoria. Seu personagem, indeciso, ingênuo e frágil as mais diversas situações, é concebido com pinceladas de maestria. É o personagem que te arremessa de cabeça as situações do filme.

Os movimentos de câmera visam uma certa teatralidade estática, com momentos bem criativos, mas nenhum muito memorável. O foco do diretor Michael Noer é mostrar os eventos com calma e clareza, e quando sobra tempo para mais, é bem-vindo.

Algo que também deve ser mencionado são as boas construções de cenário e figurino. Somos muito bem transportados para a época e para a geografia do lugar, elemento este que passa despercebido ao nosso radar, mas é um pequeno fio condutor que ajudou muito a contar a história.

Papillon é um filme memorável – mas nem tanto, com cenas impactantes e emocionantes – mas nem tanto, que fala sobre a energia que temos para viver e como homens intensos, mas que caem no caminho errado, podem ser LIVRES, mesmo estando PRESOS. Se não fosse os “panos quentes” poderia sem um marco do cinema!

4

RESUMO

Com bons protagonistas e uma história envolvente, Papillon é um filme com diversos aspectos positivos, entre eles, a temática de liberdade e o caráter individual.

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Matheus Amaral

21 anos, formado em Audiovisual, amante do cinema em todos os seus aspectos. Filósofo de bar. As vezes mistura as coisas...Desde pequeno assistia tudo o que via pela frente, cresceu lado a lado com o cinema e com as suas diversas vertentes.